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Diogo Faro

O quase regresso do Sporting (por Diogo Faro)

Passando por cima desta tristeza de meio futebol não regressar, Diogo Faro dedicou prova às supostas regras que a Direção-Geral de Saúde vai impor para que o campeonato possa regressar, como a trocar de camisolas e de bolas ao intervalo, e o que elas significam para o mundo particular do Sporting: "O Acuña nem sequer sabe que é possível falar com alguém com mais de 5 de centímetros de distância entre cada testa, por exemplo. Será que vão jogar de viseira? A do Sporar vai ter uma mira lá desenhada?"

Diogo Faro

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Parece que já cheira a roulottes, a bifanas e a cerveja a voar de copo em copo. Já se ouvem os cânticos, vê-se fumo verde e branco. Os amigos encontram-se, abraçam-se, que saudades tinha tuas, seu car#”%!, pede mais 3, não, pede 4, também bebes?, é pá, pede já 10, pronto. Ainda não saiu o 11, mas que importa isso, agora? Ainda faltam duas horas para o jogo e até lá o Sporting está ali, entre abraços e camisolas de riscas verdes e brancas. E o mais engraçado é que as saudades eram tantas do futebol que mal se fala de futebol.

Isso era o que eu queria que acontecesse, mas não me vou alongar na fantasia para não ficarmos todos tristes quando nos bate a realidade. Vai regressar o futebol. Mas não é bem futebol, pois não? Já há treinos e vai haver jogos, verdade. Mas não é bem futebol. Não é inteiro, faltamos nós.

Faltam os gritos, os insultos, o pessoal a chamar os nomes ao árbitro que queria chamar ao patrão, amigos a chatearem-se por causa do penálti falhado pelo Vietto, tanta coisa bela. Um jogo sem adeptos, por mais talento que os jogadores têm (e têm, por isso é que estão lá eles e não nós), é como um grupo de amigos a jogar ali no INATEL, com a diferença que são um pouco melhores e não têm de pagar o campo.

Passando por cima desta tristeza de meio futebol não regressar, falta perceber como é que será com a regras sanitárias que se exigem. Do que já se vai sabendo, a DGS quer que cada equipa use dois balneários e dois autocarros para as deslocações, e está a ser estudada a hipótese de se usar bolas e equipamentos diferentes da primeira para a segunda parte.

Eu sei que, divas como são, os jogadores devem adorar tudo o que são mordomias de ter mais espaço. Essa parte não será difícil de implementar, e até temos jogadores, como o Ilori, por exemplo, que estão habituadíssimos a dar espaço. Agora que penso, se calhar em tantos jogos desta época o que o Ilori estava a fazer não era falhas de marcação, já era distanciamento social.

Mas trocar de camisola e de bolas vai servir exactamente para quê? Tanto quanto me lembro do que é o jogo futebol, o pessoal agarra-se, dá encontrões, disputa a bola, dá cambalhotas na relva completamente despropositadas e mais uma data de coisas passíveis de se apanhar bicho.

O Acuña nem sequer sabe que é possível falar com alguém com mais de 5 de centímetros de distância entre cada testa, por exemplo. Será que vão jogar de viseira? A do Sporar vai ter uma mira lá desenhada? A do Geraldes vai estar ligada ao Instagram para ele continuar a fazer scroll infinito? A do Mathieu vai ter um dicionário francês-português para ofender os colegas do meio-campo sempre a deixar aquilo tudo aberto? Tantas dúvidas.

Bem, vai voltar, essa é que é essa. Se acho paupérrimo jogos à porta fechada? Claro, mas compreendendo evidentemente que assim tem de ser. Mas, para ser menos penoso de ver na tv, pelo menos ponham lá umas gravações das claques a cantar, pessoal a insultar e outros a gritar: “Ó Amorim! Mete o Faro que ele é craque”, e coisas do género.