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Diogo Faro

E que tal uma petição para o Sporting continuar a jogar sem público? Sim, Diogo Faro sabe que é polémico, mas pede para que pensem nisso

O humorista escreve a propósito do Sporting 1-0 Paços de Ferreira, analisando um por um os jogadores que jogaram em Alvalade para as bancadas vazias. Segundo o autor do texto, e face à exibição de Jovane Cabral, talvez manter o estádio sem adeptos não seja totalmente despropositado. Fica a dica

Carlos Rodrigues

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MAXIMIANO

Às tantas parecia que estava num daqueles exercícios de treino, nos quais o treinador de guarda-redes remata 10 bolas de seguida, e caso ele não defenda alguma o castigo é ler um livro com mais de 10 páginas. Ter chegado a casa e ter ido ver coisas sem interesse nenhum na Netflix é um óptimo sinal.

BORJA

Notou-se que estava mais livre, mais solto, menos pressionado. Faz-lhe bem jogar sem ter todos os adeptos do estádio a quase ter saudades do Evaldo quando o veem em campo.

EDUARDO QUARESMA

Mais um jogo para o jovem central. Como qualquer pessoa da idade dele a viver em Lisboa, nesta noite preferia ter estado a comer sardinhas só com uma mão enquanto abana a outra no ar a gritar a "Garagem da Vizinha", esmagado por uma multidão que não o vai deixar passar para ir à casa-de-banho nas próximas 4 horas. À falta disso este ano, jogar não foi um mau programa.

COATES

O homem esteve tão rijo e seguro, que se fosse uma estátua não havia ninguém que o derrubasse.

RAFAEL CAMACHO

Rápido, ágil, astuto, corajoso. Conseguiu deixar o rapazinho que o tentava marcar tão sem noção em relação ao jogo, como o Rui Rio em relação a haver racismo em Portugal.

ACUÑA

Veio, de facto, um homem diferente da quarenta. Está mais calmo, aprendeu a meditar, faz ioga e já não quer bater nos adversários só porque estes o incomodaram com a sua existência porque também assistiu a uns workshops online de controlo de raiva. Até ver, ganhamos todos.

MATHEUS NUNES

Já começa a perceber como funciona o Sporting, o clube onde acontecem sempre coisas tão estranhas que parecem mentira, e por isso, sempre que possível é melhor confirmá-las. Foi o que fez no golo do Jovane. Estava lá para confirmar que era mesmo golo, pelo sim, pelo não.

WENDEL

Jogar com o Wendel em vez do Battaglia, foi como trocar chuva pelo sol, como ouvir samba em vez da marcha fúnebre, como comer ostras em vez de bolachas de água e sal. Bem, já perceberam. Agora façam vocês a vossa própria comparação.

VIETTO

Podia voltar a dizer que voltou a falhar golos, ou que não foi muito pragmático. Mas como fez um passe tão bonito que devia contar logo como golo (nós, sportinguistas, temos que nos agarrar a estas pequenas vitórias, à falta de melhor), nem sequer lhe vou apontar mais nada para não estragar.

JOVANE

Se é para o Jovane fazer este jogo escandalosamente bom, começo já uma petição para que, mesmo quando houver vacina para a COVID, continuarmos a jogar sem público para sempre. Sim, eu sei, ideia polémica. Mas pensem lá bem se com ele a jogar sempre assim, não estávamos a lutar, para aí, pelo 2º lugar em vez de pelo 3.º ou 4.º.

SPORAR

Aproveitou o passe inacreditavelmente bonito do Vietto para acertar 7 metros acima da baliza.

PLATA

Estava descansadinho no banco a jogar Fortnite quando, de repente, teve de entrar para o lugar do Vietto que se lesionou. Tanto do que pude ver, não jogou mal. E depois quando entrou também não.

GERALDES

Intrépido influencer de activismo no Instagram, entra em campo e mostra também com os pés que a cantiga é uma arma