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Diogo Faro

Imaginem a imagem acelerada de um rapazinho a rodopiar com a bola sobre si próprio, com a música do Benny Hill: isto é Plata, por Diogo Faro

O cronista da Tribuna Expresso começa por escrever que assistir ao Sporting - Vitória de Setúbal foi tão estimulante como olhar para um Picasso ou ouvir Beethoven. Obviamente, diz ele, está a brincar, porque até ia adormecendo ali a meio da segunda-parte

Diogo Faro

Gualter Fatia

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MAXIMIANO

Bem sei que já o fiz anteriormente, e também aproveitando não haver nada de especial para dizer sobre o Max, mas creio nunca ser demais reiterar a qualidade do futebol português. Ver um jogo destes é como ver Picasso salpicar a tela, como ouvir Beethoven a desenhar pautas ao piano, como auscultar Michelangelo esculpir pedra. Queremos mais, ver melhor, ouvir com mais atenção, sentir com… Estou a brincar. Cheguei a adormecer a meio da segunda parte e tudo.

COATES

Hoje resolveu que havia de fazer passes em profundidade. Que eu tenha contado, fez 34, todos eles tão profundos que vinham acompanhados de frases retiradas do site citaçõesprofundas.com.br.

EDUARDO QUARESMA

Não tendo grande trabalho defensivo, quis muito aprender com o Coates como é que se fazem passes em profundidade. Continua a querer visto que não aprendeu nada.

RISTOVSKI

Não é que às vezes não seja divertido, tanto para ele como para os espectadores, mas não sei se de vez em quando não podia fazer cruzamentos que não fossem directamente para a cara de jogadores adversários. É experimentar, pode ser que resulte.

ACUÑA

Engraçado como foi tão parecido com o Ristovski. Foi muito renhido o duelo que teve com este para ver quem é que acertava mais vezes com a bola na cara de jogadores do Setúbal. Eu sei que, se calhar, para eles estava a ser porreiro, mas agora, no próximo jogo, tentem também mandar bolas para a área.

MATHEUS NUNES

Se alguma de todas aquelas vezes que pegou na bola e começou a fintar pessoas por ali fora serviu de alguma coisa? Não. Mas muitas vezes o que importa é a viagem, não o destino. Pelo menos foi o que li ca contracapa de um daqueles livros de auto-ajuda que são todos cópias uns dos outros mas que as pessoas continuam a adorar.

NUNO MENDES

Neste jogo voltou a lembrar-me o William Carvalho. Saudades daqueles jogos em que se via que queria tanto estar ali a fingir jogar à bola, como levar um pontapé nas costas.

WENDEL

Começou bem, a tentar mexer com o jogo e a tentar fazer coisas mais ou menos divertidas que eventualmente resultassem em perigo para a baliza do Setúbal. Acabou a fazer um atraso tão mau para o Max que, por momentos, tremi ao imaginar como seria se na baliza tivéssemos o Stojkovic.

GERALDES

Dizia o comentador que Geraldes peca por rematar pouco, por querer fazer sempre mais um passe. Até pode ser verdade, mas pelos remates que ontem fez e que acertaram todos nos adeptos imaginários, talvez até seja melhor assim.

PLATA

A melhor descrição que posso fazer do jogo dele é pedir-vos que imaginem a imagem acelerada de um rapazinho a rodopiar com a bola nos pés sobre si mesmo e sobre os outros, sem grande rumo, e enquanto toca a música do Benny Hill.

TIAGO TOMÁS

Muito parecido com o Sporar na forma de jogar, no sentido de não ter criado perigo decente nenhuma vez. Mas, mal por mal, mais vale jogarmos com miúdos da formação, claro.

VIETTO

Há muito tempo que não o víamos jogar. E assim vamos continuar pelo menos até ao próximo jogo.

JOELSON

Claramente bom jogador e cheio de vontade de fazer coisas bonitas com a bola. Mas o jogo já estava tão mau quanto entrou, que foi como deitar molho de trufas num bitoque ressequecido.

PEDRO MENDES

À partida, aquele encosto de ombro que deu ao outro, mesmo antes de a bola entrar pela primeira e única vez na baliza do Setúbal, não era falta. Mas assim como assim, nesta maravilha espectacular da exibição desportiva, já nem é por aí que nos vamos ralar.

  • O antijogo só ganha se do outro lado não existir jogo

    Sporting

    O V. Setúbal foi a Alvalade à procura do pontinho e o Sporting teve bola, mas não teve criatividade, nem qualidade, nem discernimento para desamarrar-se da não-estratégia dos sadinos, em plena luta pela permanência. Claro que o jogo só podia acabar num nulo