Tribuna Expresso

Perfil

Diogo Faro

A covid que meta a mão na consciência e que tenha noção do que está a impedir os sportinguistas de ver ao vivo (por Diogo Faro)

O Sporting eliminou o Paços de Ferreira da Taça de Portugal, com uma vitória confortável, por 3-0, e Diogo Faro, na sua análise humorística, só lamenta não poder estar presente no estádio nestes tempos em que só distribui elogios

Diogo Faro

MANUEL DE ALMEIDA

Partilhar

ADÁN

A única vez no jogo inteiro em que teve de intervir a sério, ia partindo três costelas. A melhor defesa que fez não conta oficialmente porque foi assinalado fora-de-jogo. Ser guarda-redes é mais ingrato que ser ghost writer do José Rodrigues dos Santos.

COATES

A classe deste senhor quando lança a bola por cima de toda a gente para o desvio do Nuno Santos, que deixa no Tiago Tomás para o primeiro golo, faz muitos centro-campistas invejarem os pés deste central.

FEDDAL

Está cheio de confiança no seu jogo e isso nota-se. Não tanta confiança como o Costa tem no Cabrita, claro, mas isto também já pulveriza a escala de confiança e nem pode ser exemplo.

LUÍS NETO

Todas as épocas gosto de ter pelo menos um jogador no plantel em quem possa bater em todos os jogos. Esta época começou por ser, merecidamente, o Luís Neto. Mas jogo após jogo está a deixar-me sem grandes razões para continuar a implicar com o homem. Ligeiramente indelicado da parte dele esta falta de consideração pelo meu trabalho.

PEDRO PORRO

Estamos a falar de um lateral que com um rodopio sobre a bola deixou três jogadores do Paços abraçados uns aos outros sem saber para onde é que ele ia. E ele ainda seguiu com a bola e quase marcou. Reitero, um lateral. Tendo em conta os últimos anos do Sporting, perdoem-me se não estava preparado para isto.

NUNO MENDES

Já tinha saudades de ver jogar o melhor lateral esquerdo da História do Sporting. Talvez de Portugal, e um dia em breve, do mundo inteiro. Mesmo que tenha tentado dar uma cueca numa zona perigosa. Ele pode tudo.

JOÃO MÁRIO

Se fosse tão fácil para ele ser entrevistado em podcasts como é pôr a bola onde quer, neste momento já estava no nº1 do iTunes.

PALHINHA

Que massacre que foi para o Paços. Foi a parar ataques, foi a destruir canelas, e foi ainda a fechar o jogo com o terceiro golo. Se eu fosse comentador de bola e, passe o pleonasmo, adorasse pequenos trocadilhos, diria que o Palhinha foi Palhão. Ainda bem que não sou.

TIAGO TOMÁS

Que maravilha de golo. O arranque àquela velocidade, o remate colocado de pé esquerdo, o ar do guarda-redes do Paços de quem nem sequer percebeu o que estava a acontecer, um bocado como o ar do Jorge Jesus a não perceber o que é o racismo.

TABATA

Na única vez em que conseguiu receber a bola sem que um jogador do Paços lhe tentasse partir as pernas em quatro sítios diferente, meteu-a no ângulo num golo de me fazer ficar só a bater palmas para a televisão. A covid que meta a mão na consciência e que tenha noção do que está a impedir as pessoas de ver ao vivo.

NUNO SANTOS

Podemos falar da assistência que fez de cabeça ou daquela recepção de bola com o pé esquerdo, em que a bola vem de longe e ele com um toquezinho suave a deixa domesticada aos seus pés. Ou de quando deu um toque para levantar a bola e faz um passe no ar à meia volta. Ou de quando aos 90 minutos ainda fez um sprint a passar por 2 ou 3 jogadores do Paços de ar incrédulo. Enfim, foi um exagero. Calma, Nuno, tenta dar hipótese aos outros.

ANTUNES

Bom rapaz, bom lateral. Mas a substituir o Nuno Mendes vai sempre parecer uma sardinha enlatada ao pé de um lombo de bacalhau com broa.

SPORAR

Ele já andava angustiado o suficiente por não andar a marcar, e de repente está no banco a ver o Tiago Tomás fazer aquilo. Dias difíceis. Mas estamos contigo, Sporar. Calma que ela entra.

Se não há um, há outros. E eles vão mesmo todos

Sem Pedro Gonçalves, castigado, o Sporting nem pareceu sentir falta do seu melhor jogador, protagonizando uma excelente exibição perante o Paços de Ferreira e vencendo por 3-0, na estreia a titular - com um golo - de Tabata