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Rui Vinhas, o homem que acabou a Volta com o ombro deslocado e o sobrolho rasgado: “Os médicos disseram que eu era maluco”

Se Raúl Alarcón conquistou a Volta a Portugal 2018, isso deveu-se em grande parte ao esforço de Rui Vinhas, que passou por uma odisseia de superação, depois de embater num carro e continuar a pedalar, mesmo contra os conselhos dos colegas da W52-FC Porto e dos médicos

André Manuel Correia e Rui Duarte Silva

Rui Vinhas, ciclista da W52-FC Porto

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Há odisseias de superação a gravitar a história da Volta a Portugal, protagonizadas por fugitivos do pelotão do anonimato, sobre-humanos a trepar a montanha dos heróis. Na luta pela amarela, andam sempre no vermelho. O ciclista Rui Vinhas, da equipa W52 - FC Porto, vencedor da Volta a Portugal em 2016, é um desses homens, que uma bicicleta derrubada elevou. A missão, este ano, passava por trabalhar para os chefes de fila, até embater num carro, durante a quinta etapa. Com o ombro deslocado e o sobrolho rasgado, Vinhas manteve a perseverança, intocável sob as escoriações em todo o corpo. Baixinho e leve, lavado em lágrimas, suportou, como um gigante, o enorme peso da dor durante os 120 quilómetros restantes da ligação entre Sabugal e Viseu. Os médicos lembraram-lhe o que aconteceu com Joaquim Agostinho. Os colegas, em choque, pediram-lhe para desistir. Nada o travou. Vinhas continuou. Até ao fim. Tudo para ajudar o “irmão” Raúl Alarcón a conquistar, pelo segundo ano consecutivo, a prova-rainha portuguesa da modalidade.

Como está a correr a recuperação?
Está tudo a correr bem, tirando as dores que tenho no ombro. A médica mandou-me repetir os exames. A luxação demora algum tempo a recuperar, mas as escoriações estão a sarar e na próxima semana já estarão resolvidas.

Contava receber o apoio de Pinto da Costa? Foi importante?
Apareceu no hotel, no dia de descanso, depois de uma noite em que não consegui dormir devido às dores. Levantei-me cedo, porque estava cheio de fome. Quando me apercebi, ele entrou, descontraído, pela porta dentro. Arrepiei-me todo. Deu-me um abraço, sentou-se ao pé de mim a tomar o pequeno-almoço e incentivou-me. Disse-me que sou muito humilde, mas ele não fica nada atrás. Durante o contrarrelógio final, em Fafe, sabendo que eu não estava na luta por nada, pediu para ir no meu carro de apoio. Não é todos os dias que se vê um presidente assim.

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