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O melhor guarda-redes da 2ª Liga espanhola é português. E subiu para a La Liga: “Já me imagino a defender remates do Messi”

Aos 22 anos, já depois de se ter estreado na Liga portuguesa, Rui Silva trocou a Madeira por Espanha. Esta época, conquistou a titularidade no Granada, que garantiu a subida à Liga espanhola, e foi considerado o melhor guarda-redes da 2ª Liga, sofrendo apenas 27 golos em 40 jogos: "Tenho 25 anos e vou chegar ao topo do futebol. A La Liga é um campeonato de eleição. Quando era miúdo via os jogos na televisão e agora vou poder estar nesses palcos"

Mariana Cabral

Rui Silva está no Granada desde 2016/17, depois de ter passado quatro épocas e meia no Nacional da Madeira, onde começou a ser profissional de futebol

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As pessoas em Portugal já se tinham esquecido de ti?
Sim, penso que sim. Saí já há dois anos e meio e acho que é normal. Cheguei a Espanha e nos primeiros seis meses não joguei. Caímos para a 2ª Liga e estive praticamente um ano sem jogar, basicamente. Fiz cinco jogos. Caí um pouco no esquecimento, ainda para mais jogando numa 2ª Liga. Os jogos também não davam na televisão, só começaram a dar aqui em Portugal acho que em janeiro, portanto é diferente dar na televisão ou não dar.

Esta foi a tua primeira época como titularíssimo.
Sim, foi o ano em que fiz mais jogos desde que sou profissional, fiz 40 jogos. Foi um ano muito importante para mim, para o meu crescimento. Foi duro, porque estive um ano e meio praticamente sem jogar e, claro, quando um guarda-redes não joga, isso gera sempre algumas dúvidas, algumas indecisões... Mas o meu lema é "as oportunidades são para se agarrar" e acho que agarrei todas as oportunidades que me deram. Este ano foi muito importante para mim.

Um guarda-redes tem de ser sempre mais forte em termos psicológicos, comparando com os jogadores de campo?
Olha, acho que um guarda-redes, a nível psicológico, tem de estar mesmo muito bem preparado. A questão mental é essencial, porque é muito difícil jogar. Às vezes tens dois ou até três guarda-redes com enorme qualidade no plantel e só pode jogar um, e tens de respeitar as decisões do treinador e, acima de tudo, tens de respeitar o teu colega. Penso que sempre fiz isso com os meus companheiros e isso é algo muito importante, porque um plantel precisa de ter um grupo saudável, quando isso acontece facilita o teu crescimento, o do teu colega e o crescimento da equipa. É a posição mais ingrata do futebol, tens de ser muito forte. Podes fazer um grande jogo e estares a ser o herói da equipa, mas depois no último minuto cometes um erro e já és o vilão. E a partir daí vão todos falar desse erro no último minuto e não vão valorizar os outros 89 minutos que fizeste. O guarda-redes tem de ser fortíssimo psicologicamente.

O Rui Patrício, por exemplo, já revelou que teve ajuda especializada de uma psicóloga. Também procuraste alguém para te ajudar nesse aspeto?
Honestamente, não, mas ponderei procurar alguém, numa altura em que as coisas não me estavam a correr tão bem e não estava a jogar. É claro que quando não jogas passam-te muitas coisas pela cabeça: "Não sei o que estou aqui a fazer... Posso esforçar-me o máximo que consigo e nunca vou ter uma oportunidade..." Há muitas coisas que nos passam pela cabeça nesses momentos. Houve uma altura em que ponderei procurar essa ajuda, mas penso que sou uma pessoa forte psicologicamente e, felizmente, tive a ajuda da minha namorada. Claro que é diferente, ela não é psicóloga, mas apoiou-me muito. No início desta época ainda ponderei, porque havia muita pressão em cima de mim, quando soube que ia ser aposta do clube, sabia que não podia facilitar. Era um ano importante para mim, um ano importante para o clube. Um guarda-redes que está um ano e meio praticamente sem jogar, quando começa a época, claro que existem dúvidas. Mas as coisas foram saindo de forma natural e comecei a ganhar confiança, fui fazendo bons jogos e senti... Não é que não precisasse, porque o apoio é sempre importante, mas quiçá mais para a frente.

Com essa pressão toda de início, conseguias estar tranquilo fora do treino, dormir descansado?
Penso que dormi bem [risos], mas havia sempre noites em que custava mais, porque ficava a pensar como é que ia ser. Já não sentia aquele nervosismo antes dos jogos há muito tempo, entendes? Como já estava há muito tempo parado, já não sentia aquela adrenalina há muito tempo. Pensar "amanhã começa, amanhã há jogo", já não sentia isso há muito tempo, por isso ao início foi mais complicado descansar em condições para me focar só no jogo, porque pensava em muitas coisas ao mesmo tempo. Claro que a pressão é uma pressão boa, por isso é normal que isso aconteça. Felizmente consegui ultrapassar bem isso e abstrair-me dos pensamentos de "não posso errar, não posso falhar".

Esta época, Rui Silva cumpriu 40 jogos pelo Granada, bem mais do que na época passada, em que só foi utilizado em cinco ocasiõess

Esta época, Rui Silva cumpriu 40 jogos pelo Granada, bem mais do que na época passada, em que só foi utilizado em cinco ocasiõess

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Imaginando que a tua equipa está a atacar, está com a bola controlada no meio-campo ofensivo, e tu estás lá atrás. Estás a pensar em quê?
[risos] Quando temos a bola estou a pensar que devemos fazer golo, não é? [risos] Eh pá, durante o jogo tenho a particularidade de falar muito comigo mesmo. Tento motivar-me para conseguir estar sempre concentrado, porque acho que é praticamente impossível conseguir estar os 90 minutos sempre concentrado, mas um guarda-redes tem de fazer esse exercício mental. Precisa de estar constantemente concentrado, porque a qualquer momento há um contra ataque, há uma bola em que tens de intervir e tens de estar concentrado. Tento falar muito comigo para me concentrar melhor.

Mas vi um vídeo teu no teu Granada em que dizias que achavas que tinhas de melhorar a comunicação com os colegas.
Sim, sim. Também faz parte do crescimento. Penso que acabei o ano muito melhor nesse aspeto, já conseguia controlar tudo e falar com a defesa, com os meus companheiros, dar indicações - isso é muito importante, porque vemos o jogo a partir de trás e podemos fazer ajustes, corrigir posicionamentos e assim. Acho que já melhorei muito nisso.

Mas já os mandas para o c****** ou não?
[risos] É verdade, quando tem de ser, tem de ser. E não podem levar a mal, porque depois quem sofre o golo sou eu. Eu é que vou ficar aziado com eles, por isso, quando tem de ser, tem de ser.

Há pouco falávamos do momento em que a tua equipa está em criação - que tipo de referências posicionais tens nessa altura? Estás confortável fora da área?
Geralmente nós jogamos com a defesa subida e eu sou um guarda-redes que gosta muito de jogar fora da baliza. Sinto-me bem assim. Felizmente até hoje não sofri nenhum dissabor. Este ano tentaram duas ou três vezes [risos], mas felizmente consegui chegar a tempo de evitar o golo. São riscos que os guarda-redes têm de correr e nós, jogando da forma que jogamos, eh pá, temos de assumir esses riscos. Claro que agora na 1ª Liga deverá ser diferente, porque a qualidade aumenta e provavelmente teremos a defesa mais baixa. Mas, na 2ª Liga, encarávamos sempre os jogos para ganhar. Não estou a dizer que não vamos querer ganhar na 1ª Liga, claro, mas será diferente, teremos de ter outras precauções. Mas esta época assumi um papel mais de líbero e sinto-me confortável aí. É mais fácil para chegar às bolas nas costas da defesa e tirar. Senti-me bem, também porque a equipa permitia isso e tinha confiança em mim para fazer isso.

Esse aspeto do controlo da distância para a linha defensiva, assim como o jogo de pés, são alguns dos aspetos mais importantes para o guarda-redes moderno, que já não é só o defensor da baliza?
Claro, esse conceito do guarda-redes ser só para defender a baliza acho que já mudou hoje em dia. Acho que tenho evoluído no jogo de pés, particularmente em Espanha, porque aqui somos muito solicitados nisso, mesmo a nível de treino, porque o treinador exige muito que os guarda-redes também joguem. Portanto, isso de jogar como líbero é muito importante. Além de fazer com que estejamos constantemente concentrados, o jogar fora da área mantém-nos sempre no jogo. Ou seja, não me sinto só como mais um, sinto-me como se fosse um jogador de campo, estou à vontade para jogar aí, com o apoio do treinador de guarda-redes e do próprio treinador. Assumimos isso e queríamos assumir este risco. Quando jogas assim, claro que tens sempre a possibilidade de sofrer um golo do meio-campo, mas gosto muito de jogar assim.

Já viste as novas regras relativas aos pontapés de baliza e livres dentro da área?
Sim, sim.

Facilita ou dificulta o trabalho para o guarda-redes?
Sinceramente acho que pode dificultar mais, porque tira-te algum espaço na área e o guarda-redes com espaço obviamente tem mais tempo para decidir. Mas faz parte das regras, temos de respeitar agora.

Falavas do treinador de guarda-redes. Um guarda-redes está mais próximo do treinador de guarda-redes do que do treinador principal?
Ah, sim, muito mais. Claro que o treinador principal dá sempre feedbacks e passa-te confiança e tudo mais, mas com o treinador de guarda-redes é diferente, podes falar mais abertamente, com mais tranquilidade, e ele passa-te mais informações, enquanto o treinador principal foca-se mais nos jogadores de campo, entendes? Com o treinador de guarda-redes ganhas mais essa confiança e muitas vezes é ele que passa informações ao treinador principal. Este treinador, este ano, além de me ajudar a ganhar muita confiança, ajudou-me muito em vários aspetos do meu jogo. Deixava-me sempre tranquilo, falávamos muito os dois sobre a forma mais fácil e correta de abordar os jogos e senti-me muito bem.

Quem é?
Juan Carlos Fernández. Penso que este ano até foi o primeiro ano dele como profissional.

O Granada terminou a 2ª Liga espanhola em 2º lugar e garantiu a subida à La Liga na próxima época

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Como é a relação com os outros guarda-redes? Quando chegaste ao Granada tinhas aí o Guillermo Ochoa.
Ele era top. Foi uma relação muito boa. Eu vinha do Nacional, cheguei a Granada e ele recebeu-me de uma forma que eu sinceramente não esperava, foi incrível, muito humilde. Claro que já o tinha como uma referência, já o conhecia e já o admirava, e quando cheguei gostei muito de trabalhar com ele. Ele falava sempre comigo, corrigia o que tinha para corrigir, dava-me indicações, era um profissional ao mais alto nível, que trabalhava muito.

Há uma ligação especial entre os guarda-redes no balneário ou sente-se rivalidade?
Sempre tive boas relações com os meus colegas de posição, tanto no Nacional como nas seleções jovens, como aqui no Granada. Claro que, por exemplo, no ano passado tinha aqui o Javi Varas, que tinha 35 anos, e eu com 24, portanto a diferença de idades já é alguma. Falava bem com ele, mas não tinha assim tanta confiança para brincar e assim essas coisas. Mas sempre tive boas relações com todos.

Foi uma surpresa para ti ser considerado o melhor guarda-redes da 2ª Liga espanhola?
Honestamente, sim. É um bocado difícil responder a essa pergunta. Trabalhei sempre no máximo, quando não joguei, para que quando tivesse oportunidade, aproveitasse. Mas a única coisa que queria este ano era voltar a disfrutar de jogar. Claro que um guarda-redes - não só um guarda-redes, mas principalmente um guarda-redes - cresce muito quando tem ritmo e quando tem constância de jogo, porque se jogares um ou dois jogos e depois fores suplente 10 ou 15 jogos, nunca vais conseguir ter continuidade. E eu precisava muito dessa continuidade. Este ano as coisas começaram a correr bem e o que eu queria era fazer bons jogos e, se possível, conseguir a subida de divisão, que era algo extraordinário, e ser o melhor guarda-redes também é extraordinário. Ao início, juro por tudo que não pensava mesmo, honestamente, nisso. Mas faz parte do processo, vai acontecendo com naturalidade quando trabalhas bem e és profissional, e nisso penso que sou - e muito. Penso que isso é típico, não é do jogador, é do cidadão português: querer sempre mais. Acho que somos um povo muito trabalhador e ainda por cima estando fora do país queremos mostrar isso ainda mais. Claro que estou muito feliz por ter sido o melhor guarda-redes da Liga, mas mais ainda por ter subido de divisão.

Quando o Ronaldo jogava em Espanha, dizia-se que os espanhóis não gostavam muito dos jogadores portugueses.
Sinceramente nunca senti isso, felizmente. Não sei se é verdade ou não. Mas acho que somos um povo muito trabalhador, que quer sempre mais, que quer demonstrar a qualidade que tem, e acho que isso é muito bom. Podes apanhar alguém no balneário que não veja as coisas desta forma e possa ter alguma inveja, não sei. Mas eu nunca passei por isso aqui.

O ambiente do balneário espanhol é semelhante ao português?
Sim, isso é semelhante em todo o lado. Mas eu também sou uma pessoa um bocado introvertida e ao início - agora já não, agora já me sinto bem - custou-me um pouco entrar nas brincadeiras de balneário. Muitas vezes diziam piadas que eu não entendia. Em Portugal tinha o meu grupo de amigos, sabia até onde podia ir, o que dizer e não dizer, picar ou não picar... Aos poucos fui ganhando essa confiança e já me sinto bem, já entendo as piadas [risos].

Rui Silva começou no futsal, no Brás Oleiro, passando depois para o futebol, no Maia, mas foi para a Madeira ainda como júnior

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Foste o melhor guarda-redes da 2ª Liga e o Oblak foi da 1ª Liga. É uma referência para ti ou tens outras?
Gosto muito dele como guarda-redes, mas não é bem como uma referência para mim. Aprecio mais outras qualidades, porque, por exemplo, gosto muito de jogar com os pés e o Oblak aí... Já não gosto tanto. Prefiro o Ter Stegen, que é a minha referência. Para mim é o guarda-redes completo.

Essa preferência é por teres começado a carreira como avançado?
[risos] Também pode ser por aí. Na escola não queria ir à baliza, queria era marcar golos. Eu dizia aos meus amigos: "Eh pá, no final do dia já vou à baliza no treino, por isso aqui deixem-me aproveitar e marcar uns golos".

Quando é que passaste para a baliza?
Comecei a jogar futsal, numas captações aqui num clube da minha terra. Eu queria era jogar à frente, só que, pela minha idade e pela minha estatura, porque eu já tinha uma estatura um pouco elevada para a idade que tinha... Então, pronto, por alguma pressão de colegas meus e do treinador, porque faltava alguém para baliza, lá foi o Rui experimentar a baliza. E pronto, acabei por ficar como guarda-redes. Começou aí a minha carreira.

Porque eras alto?
Sim, por ser alto e porque ninguém queria ser guarda-redes, pronto. Quando jogava com os meus amigos na rua eu até ia à baliza, mas o que preferia era marcar golos. Acho que tinha aptidão para as duas coisas [risos]. Mas os meus colegas espetaram-me um bocado um faca, a bem dizer, porque disseram ao treinador que eu tinha de ir para a baliza.

A questão da altura é assim tão importante para um guarda-redes?
É assim, é diferente. Um guarda-redes mais baixo normalmente tem mais agilidade, vai com mais facilidade ao chão... Se calhar depois custa-lhe mais noutras coisas, como no jogo aéreo, por exemplo. O guarda-redes alto pode ter facilidades no jogo aéreo mas depois pode ter menos agilidade e flexibilidade. Eu, sendo alto, aprecio mais os guarda-redes altos [risos].

Estás pronto para defender os remates do Messi?
Quando chegar à pré-época vou preparar-me psicologicamente para isso [risos]. Estarei preparado. Tenho 25 anos e vou chegar ao topo do futebol. A La Liga é um campeonato de eleição. Quando era miúdo via os jogos na televisão e agora vou poder estar nesses palcos. Vai ser muito gratificante para mim e para a minha carreira. E já me imagino a defender remates do Messi [risos]. Ou tentar, pelo menos.

Como é que surgiu o Granada na tua carreira?
Foi fruto do meu trabalho, dos jogos que em Portugal, porque comecei a jogar na 1ª Liga ainda muito jovem, tinha 20 anos, na altura. Não com tanta regularidade quanto queria, mas penso que fiz uma boa quantidade de jogos e demonstrei o meu valor. Na época em fui para Granada acho que estava a fazer uma época muito boa, embora estivéssemos na altura em penúltimo, penso eu.

Rui Silva estreou-se na Liga portuguesa em 2013/14, pelo Nacional da Madeira

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MIGUEL RIOPA

Saíste do país muito novo e também foste muito novo para a Madeira.
Foi o sonho de jogar de futebol. Surgiu a oportunidade de ir para a Madeira, felizmente numa altura crucial, porque tinha acabado o secundário, que era algo que os meus pais queriam muito que eu fizesse. E depois veio a outra fase, porque eu queria ser profissional de futebol e os meus pais sempre me apoiaram, nunca me cortaram as pernas. Fiz 18 anos e surgiu o convite do Nacional. Sei que dei um salto muito grande, porque ainda tinha idade de júnior mas já tinha contrato profissional. Foi muito bom para a minha carreira.

Gostaste de viver na Madeira?
Sim, gostei muito. Ao início, claro, custou-me muito, chorava todos os dias. Ainda por cima vinha de uma altura - lembro-me perfeitamente - em que tinham acabado os exames nacionais e vinham aí as férias grandes. E eu não tive essas férias. Acabei os exames e passado uma semana tinha de começar a pré-época no Nacional da Madeira, já ia começar a ser profissional. Depois estava habituado a ter um treino por dia e chego à Madeira e eram bidiários e tridiários... [risos] Foi bom, porque os dias assim passavam mais rápido, mas custou-me muito. Não só a nível físico, mas também a nível emocional. Está a viver na academia do clube e chorava todos os dias com saudades dos meus pais e da minha namorada. Mas, com o tempo, fui entendendo que um jogador profissional não tem só regalias e tem de passar por estas adversidades para conseguir ser alguém no mundo do futebol.

Quanto tempo demoraste até ires beber uma poncha?
[risos] Umas duas semanas, acho eu. Lembro-me que tivemos uma folga no final da segunda semana, penso, e fui até ao Funchal com alguns colegas beber uma poncha. Também para me adaptar um pouco à ilha, porque ainda não conhecia nada.

O professor Manuel Machado, que se diz que é muito palavroso, era o teu treinador na altura.
Sim, durante quatro anos. Ele connosco era diferente. Claro que tinha sempre lá aquele vocabulário dele, mas connosco falava tranquilamente. Foi uma pessoa muito importante para o meu crescimento, deu-me muitas oportunidades, foi com ele que me estreei na 1ª Liga. Muito do que sou hoje, devo-o a ele, porque foi muito importante para a minha evolução.

Na próxima época vai estar na Liga espanhola. O que imaginas mais para a tua carreira?
Como te disse antes, nós portugueses nunca nos conformamos e eu quero sempre mais. Consegui ter estes dois prémios, subir e ser o melhor guarda-redes da 2ª Liga, e agora o objetivo passa por fazer uma grande época na Liga espanhola e conseguir a manutenção com o Granada. Depois o futuro a Deus pertence e não penso muito nisso. Já estou numa grande Liga e tenho também o sonho de jogar na Liga dos Campeões e de chegar à seleção nacional. Mas são sonhos que, passo a passo, com naturalidade, poderão acontecer, se Deus quiser.

Dizias há pouco que jogavas na rua, quando eras novo. Quem imaginavas que eras?
[risos] Quando era miúdo adorava o Manchester United. Quando vi na televisão a Premier League ficava fascinado. Também foi na altura em que o Ronaldo foi para lá, se calhar também foi por aí, e sempre gostei muito do Manchester United, que é um clube histórico.

Mas ainda não imaginavas nenhum guarda-redes.
Não, não era por aí. Era pelo clube em si. Mesmo quando jogava na Playstation só queria jogar com o Manchester. Ganhei um grande amor ao Manchester United.