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O caça-talentos que dirigiu La Masia: “Um erro frequente é não aceitar o fracasso. Se impedes que o jogador fracasse, impedes que cresça”

Albert Puig, o treinador, caça-talentos e ex-responsável pela academia de futebol do Barcelona, aquela que aspira à inteligência e técnica fina dos seus futebolistas, falou ao Expresso e deixou algumas ideias sobre desporto e formação

Hugo Tavares da Silva

Albert Puig (à esquerda) no New York City

Icon Sportswire

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Como é que chega à segunda divisão japonesa [assinou pelo Albirex Niigata]?
Bom, estava em Nova Iorque, como adjunto [do New York City]. Estava há três anos e meio nos Estados Unidos, sou um homem um pouco inquieto, gosto de ter outras experiências. Desde que saí do Barcelona, em 2014, estive com a família em África, Aruba, Califórnia... Considerava que havia a possibilidade de fazer um bom projeto e informei o clube em agosto que não continuaria e comecei a focar-me. Tinha muita ilusão de ir para o Japão e experimentar ser treinador principal. O presidente [do Albirex Niigata] ligou-me, estivemos a conversar e chegámos a acordo. Depois, assinámos contrato e, nada, vou ter esta experiência no Japão.

No início do ano, três velhos conhecidos [Iniesta, Villa, Samper] conquistaram a Taça do Japão. Já falou com eles?
Ainda lhes vou ligar para os felicitar. O que sei é que toda a gente fala maravilhas do país. Muita gente tem este sonho de ir para o Japão.

Não sei se descobriu ou treinou Sergi Samper, mas sei que o fez com Riqui Puig, Ansu Fati, Kubo, Dani Olmo, Cucurella e Carles Aleña, por exemplo… O que procura num jovem? O que é talento no futebol juvenil?
O talento é fazer coisas diferentes com êxito. O talentoso prioriza ações diferentes, tanto técnicas como táticas, ao que estava pré-estabelecido. Tem uma capacidade muito importante de realizar ações em momentos diferentes. Quando um menino é capaz de realizar diferentes ações e de responder a diferentes estímulos, em que a mente dele está em processo criativo constante, é aí quando começa a descobrir o talento.

Tudo começa com o alerta de um olheiro regional ou o processo é diferente?
Há casos em que é um olheiro regional que te informa e vais lá observar. Noutras vezes é muito mais simples: eu era diretor [da formação do Barcelona] e em torneios detectava rapidamente o talento e, quando o detectava, havia que atuar com a máxima rapidez. Às vezes, em 24 horas fechávamos um talento para o Barcelona. A rapidez no futebol de base é fundamental.

Um clube como o Barça tem quantos olheiros?
Bom, tem muitos. Neste momento, não sei, terá um por região. Em regiões grandes, como a Catalunha, tem muitos mais. É uma rede que te está a informar constantemente dos jogadores. Os treinadores, neste caso do Barcelona, tinham outra função: tinham de ir ver cinco, seis jogos por fim de semana para procurar talentos na Catalunha.

Escreveu num texto que é um erro os “fanáticos da metodologia” acreditarem que podem criar talento...
Sim, sim. O talento tem uma evolução natural. Ou seja, no nosso trabalho, como treinadores, primeiramente temos de formar a pessoa. Se formas a pessoa, tens muitas possibilidades que possa conseguir êxito, tanto a nível desportivo como pessoal. A seguir, é ensinar-lhes o que é a linguagem do futebol, a linguagem conceptual do futebol. O futebol baseia-se em conceitos, numa linguagem. Ensinas isso ao jogador para que saiba interpretar e falar essa linguagem dentro de um campo de futebol. Depois, cada jogador tem as suas qualidades: há gente que é criativa e é talentosa, há outros que são mais obreiros. O teu trabalho é potenciar essas qualidades. O que disse é que a metodologia não cria um talento de forma natural. O que a metodologia faz é potenciar a altíssimo nível as qualidades do jogador. Mas o talento e essa criatividade adquirem-se de forma natural, muito cedo, jogando muito e livremente ao futebol.

Não gosta de demasiado cones nos treinos, certo? Por cá, quando vemos algo exagerado, brincamos e dizemos que parece um aeroporto...
Sim! (risos) Não digo que não gosto, o que acontece é que muitas vezes tem um sentido mais estético, para que alguém que esteja fora do campo olhe e diga "madre mía, que trabalho tão bom". Porquê? Porque há mil cones. O fundamental não é isso, mas sim o que estás a transmitir e a ensinar ao jogador, não a quantidade de cones, cores e coletes que possa haver no treino.

Icon Sportswire

Quais são os erros mais frequentes dos treinadores de futebol juvenil?
O erro mais frequente é não aceitarem o fracasso. O fracasso é a melhor maneira de aprendizagem no futebol infantil, então tens de aceitar que o fracasso é o que vai evoluir o jogador. Esse é, para mim, o grande equívoco. Ao quererem resultados, ao quererem um êxito rápido, impedem o fracasso do jogador. Se impedes o fracasso do jogador, estás a impedir que cresça, que progrida. Tem de cair para se levantar logo a seguir. Tem de aprender onde está o problema, tem de solucioná-lo. O fracasso é uma coisa muito boa para um jovem. Temos de aprender sobre fracasso, não é ganhar nem perder, é evoluir e crescer, sobretudo crescer.

Às vezes parece que não fazemos muito por eles relativamente a ensinar sobre tolerância à frustração e fracasso...
É uma sociedade que é cada vez mais do imediatismo, do êxito imediato. Se não há êxito imediato, não há êxito na sociedade. Não sei se foi a Internet, as tecnologias, mas tudo tem de ser já. E não: tudo tem o seu processo, tempo e adaptação. Então, hoje em dia, um treinador de jovens pensa que primeiro há que ganhar e que isso vai provocar um êxito nos jogadores e nele. Mas não. Era como te dizia: há que ter a paciência necessária porque, como uma planta, por muito que agarres uma mangueira e lhe metas água, ela não vai crescer mais. O que tens de fazer é meter água todos os dias, constantemente e com paciência, e vai crescer. Esse é a comparação que podemos fazer com um jogador de futebol.

Essa atitude de certos treinadores do futebol juvenil tem a ver com alguma pressa para chegar lá acima?
Claro, tem que ver com a pressa de quererem ser treinadores. Temos de considerar que há dois cenários: o ex-jogador tem a vantagem de, apenas por deixar o futebol e com o seu nome, haver presidentes que pensam que estes podem logo ser treinadores e saltam todas as categorias; e o que não foi jogador, que utiliza muitas vezes o futebol de base para ir conseguindo êxitos e subir os escalões. Há um equívoco. Por isso sempre disse que são duas coisas muito diferentes: quando estás no futebol de formação tens de ser professor, quando estás no professional é evidente que há rendimento, o que significa ganhar o jogo.

Não devíamos pagar melhor aos treinadores que estão na base? Afinal, é o primeiro contacto da criança com o jogo.
Absolutamente. Mas, infelizmente, o mundo não é justo e capitalizamos muitas outras coisas. Há muitos desportos minoritários de um nível de treino absolutamente brutal e pobres, por isso tens de trabalhar pela manhã para te alimentares. E outros [desportos], sendo de nível muito mais baixo, têm mais [dinheiro], porque têm repercussão social, e isto é a vida. Os jovens não têm uma repercussão social e económica tão forte e isso não deriva numa compensação económica. É triste porque deveria ser absolutamente assim: ao contrário. O mundo é como é e dificilmente vamos mudar isso.

Em que pilares deve assentar o futebol de formação? E pergunto especialmente para clubes normais (que não um Barça)?
Ensinar. Ensinar primeiro a pessoa e depois o jogador. Ensinar a linguagem do futebol. Primeiro cuidar da pessoa, depois ensinar-lhe a linguagem do futebol. E, podemos dizer, dar liberdade ao jogador para que fracasse, jogue, fracasse, tenha êxito e seja livre no jogo.

Enquanto foi coordenador (2010-2014), a La Masia viveu porventura a sua época dourada, mas o Albert queria também que os jovens tivessem certos comportamentos, valores e imagem. Era assim?
Sim, absolutamente. Como te disse: está muito por cima de tudo, o tema da educação. Pode parecer bonito, que são palavras bonitas e que não fazem sentido, mas não, não, não. Se cuidas a pessoa, vai ser muito melhor futebolista. Absolutamente. A sua vida será mais controlada, vai aceitar a vontade de aprender. A imagem, o respeito, tudo isso, o que te dará, em consequência de um bom trabalho de futebol, é crescer enormemente.

Catherine Ivill - AMA

Perdeu algum craque por não respeitar as regras?
Houve jogadores que não tinham um comportamento adequado e foram dispensados, sim. Não vou dizer nomes. Dentro de uns parâmetros, neste caso da La Masia, temos de seguir um processo e, para o Barcelona e para render mais na primeira equipa, serve mais um jogador que tenha certa disciplina e valores do que ter um com comportamentos estranhos.

Tinham até reuniões com taxistas que transportavam os miúdos. Porquê?
Porque analisei e os taxistas estavam muito tempo em contacto com o jogador. Entre treinos, estavam duas, três horas com o taxista, então a comunicação com eles era muito boa. Eles expressavam os seus sentimentos e frustrações e, pela confiança que tinham com o taxista, explicavam os seus problemas, algo que provavelmente lhes custaria dizer ao treinador ou a mim por, entre aspas, um certo respeito pela hierarquia. Os taxistas eram uma fonte de informação buenísima para, como te disse, cuidar a pessoa.

Taxistas como psicólogos. Interessante...
Sim, porque alguns deles percebiam a frustração depois do treino. Era informação muito boa para nós.

Não é raro ouvir-se ex-futebolistas dizerem que viveram numa bolha e que, com 30 e tal anos, ainda nem sabiam tratar de coisas no banco. Não deveria ser incutida mais responsabilidade social e cívica nos jovens?
Sim, sim, sim, sim. Correto. Penso que é uma falha dos clubes, dos meios de comunicação (que os evidenciam demasiado rápido), das redes sociais, de muitas coisas, não só apenas de um fator. O mundo é assim e temos de o mudar, temos todos de motivar principalmente o respeito, a educação, que é o mais importante do mundo, e não a confrontação nem a discussão nem a polémica. Se ensinarmos isso a todo o mundo, teremos um mundo bastante melhor.

Roberto Machado Noa

Esteve muitos anos na formação. Os pais podem chegar a ser um problema?
Generalizar está sempre mal. Conheci pais que são belíssimas pessoas, mas sim... muitas vezes disse que é um tema que não poderia solucionar com 40 anos de profissão. Uma vez, uma psicóloga, uma das melhores que conheci a nível desportivo, explicou-me: quando estás num banco de futebol de base, pensa que são os pais dos jogadores e não os jogadores que estão sentados. Quando dás uma instrução, estás a dá-la ao pai. O pai não tem conhecimento de cultura, nem de economia nem de estado social. É um tema complicado. A melhor maneira é geri-lo, falar muitas vezes, ter reuniões periódicas com os pais, explicar o que queres fazer no princípio. Ser coerente com o projeto que vais fazer e evitas ao máximo os problemas, sabendo que o pai é complicado e que é a continuação da pessoa [do filho]. Mas, sim, é um tema bastante complicado de resolver.

Esses pais estão a colocar os filhos nas academias cada vez mais cedo. Muitos deles, quando chegam aos 12, já levam 6 anos de futebol. Não há nenhum risco nisto?
O peso que a academia tem ou não, tem a ver simplesmente com o que lhe estás a transmitir como pai. Se ele está num Barcelona, numa equipa grande portuguesa, no Real Madrid, e transmites naturalidade e tranquilidade, porque não desfrutar da experiência? É uma experiência preciosa. Agora, se isso implica uma pressão brutal em casa, uma pressão sobre o rapaz, o que estás a fazer é comprometer sobretudo a infância e a felicidade do menino.

Os miúdos são competitivos por natureza. É necessário termos tantas classificações e tabelas com os melhores marcadores quando ainda são crianças?
A competitividade com naturalidade e explicações não tem nenhum problema. Não está aí o problema, está, sim, no que os adultos fazem com isso. Um jogador pode perder 10-0 e fica triste dois segundos. Se transmites naturalidade, tranquilidade e não se passa nada, o menino em três segundos já se esqueceu. Se foi esse o resultado, 10-0, ele chega a casa e continuas [a pressionar], continuas, continuas... Não foi o resultado de 10-0 que provocou dano, mas sim essa contínua pressão que se exerce sobre a criança.

As redes sociais amplificam tudo isto, não?
Claro, estamos num mundo desbocado nesse sentido. Absolutamente desbocado. As redes sociais são muito boas e, para outras coisas, muito más. Em certos casos podem fazer dano a pessoas jovens, como pode ser no caso que falámos.

Quando é que as coisas devem ficar mais sérias? Define alguma idade para que o futebol ou o desporto se tornem mais competitivos?
Não. A ver, competitivo... para que se entenda, às vezes a competição é vista como uma palavra má. É o uso que se faz. A competição é lutar contra o próprio. O futebol é um jogo, como um jogo de xadrez. E se um menino de cinco anos joga xadrez e quer ganhar essa partida? Muito bem, com as regras e respeitando e tal, podes ganhar o jogo. Tens de ser competitivo, contra ti mesmo, contra a tarefa, contra tudo, aprender e tentar ganhar. Se ganhas, boa. Se perdes, também. Deste tudo? Ganhas sempre. Ganhas sempre. O problema não é a competitividade, que é muito bonita. É normal, é a vida. O problema é o mau uso que se faz em consequência disto. A competição é muito boa, com cabeça e compreendendo os valores dela, que são, em primeiro lugar, competir contra si mesmo para tentar ser melhor. Melhor pessoa e futebolista.

Chegou a dizer que o nível competitivo na Catalunha é exagerado e elogiou os Estados Unidos. Pode explicar?
Sim, devido ao nível a que se exigem resultados. Uma coisa é a competitividade, outra é, como na Catalunha, estar tão tatificado [de tática]. Os treinadores de futebol de base estão, em muitos casos, a tatificar o jogador para ganhar, procurar sistemas... Isto é contraproducente. É demasiado. A Catalunha tem demasiada competitividade má nesse sentido. Transmitindo a palavra competitividade, há que entender o que significa.

Dean Mouhtaropoulos

Há uns tempos houve a polémica com Victor Valdés e a suposta imposição de todos terem de jogar em 4-3-3 no Barça. É algo inegociável? Não seria útil para os jovens aprenderem a jogar de outra forma?
Não sei o que aconteceu. O que o Barcelona tem de inegociável é o estilo de jogo. Os sistemas não são estilos. Esse estilo, a nível formativo, está muito bem assim, porque aprendes a linguagem do futebol.

Esteve 11 anos no Barcelona e saiu porque não estava de acordo com a última fase da formação do futebolista. O que defende?
Foi um conjunto de coisas. Levava quatro anos na direção, queria estar mais com a minha família, não estava de acordo com a gestão desportiva nesse momento. Renunciei ao meu contrato. Tinha liberdade.

E a tal última fase?
Dentro de um clube como o Barcelona tens de seguir os parâmetros desde os sete anos até ao final.

Hoje em dia parece haver uma urgência para um rapaz de 18 anos ser o Messias…
Sempre disse que não, o que há a fazer tranquilamente é ter paciência e fazer com que o jogador cresça. E, aos 23, 24, 25 anos, é que se pode avaliar o seu valor real. Os clubes têm de ter paciência e dar-lhes os instrumentos para se desenvolverem.

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Ainda defende que, num clube como o Barça, o diretor desportivo seja o diretor do futebol juvenil?
Sim, sim, sim. O diretor desportivo é que marca o estilo que defendem os sócios e a direção.

Porque diz que o Barcelona é como Harvard?
Porque o nível de formação que se ensina é altíssimo.

Treinou em Espanha, Gabão e Estados Unidos. Os miúdos são todos iguais? É possível ensiná-los da mesma maneira?
Sim, são exatamente iguais, a única coisa que tens de ter em atenção são os aspetos culturais. São miúdos, são pessoas. Não se deve pôr uma barreira, mas, sim, cuidar alguns aspetos culturais e entender. Noventa por cento é tudo igual: querem e amam este desporto.

É justo dizer que é um dos professores credenciados para ensinar o famoso jogo de posição?
Não, há muita gente. O que tenho é experiência, nem me corresponderia a mim dizê-lo, nem o considero. Há muita gente capacitada. Eu tive a grande sorte de ser o diretor da La Masia e de ir a outros continentes e respeitarem-me. Tenho de agradecer isso a Deus, tive sorte. Mas há outros melhores.

O que é o jogo de posição?
As palavras dizem-no: o jogo de posição é, simplesmente, estar muito bem posicionado para que haja uma grande circulação da bola e para chegar com as melhores condições à zona de ataque.

IAN KINGTON

Coincidiu com Pep Guardiola em Barcelona. É ele a personificação do ADN Barça?
Há muitos mas ele, evidentemente, revolucionou e deu um golpe de tuerca [reviravolta] ao estilo Barcelona com um modernismo brutal. É um dos génios futebolísticos deste século.

Como era Pep no dia a dia? Como trabalhava?
Paixão. Creio que a palavra que o define é paixão. E isso já engloba tudo...

Considera que o Barça está a afastar-se da sua natureza [a entrevista aconteceu antes da contratação de Quique Setién]?
Há que estar dentro para saber e, como sempre, escutar todas as partes. Evidentemente que gostaria que o futebol fosse mais dessa época [de Guardiola], mas há que entender as circunstâncias. Como adepto, gostaria de ver um Barcelona muito mais próximo dessas questões de antes do que de agora. Mas os êxitos são os êxitos e o Barcelona, nos últimos anos, teve muitos e chapeau.

É doloroso para si ver um Barça mais vertical?
Se for vertical com um sentido, é bonito. A palavra não é essa, se me dói... o Barça de Guardiola era hiper-vertical, vertical como nunca se viu. Tudo tinha um sentido, de circulação de bola.

TF-Images

Qual foi o maior talento que identificou e deixou escapar?
"E deixou escapar" (risos)... Bom, por exemplo, o Brahim [atualmente no Real Madrid]. Já estava assinado mas, num momento, houve uma situação em Málaga e aceitámos romper o contrato. Era um talento natural imenso desde pequeno, teria gostado muito de tê-lo em Barcelona.

Alguém próximo do Albert disse-me que tem uma história com Christian Pulisic…
Foi um jogador que um dia veio com a seleção dos Estados Unidos, num jogo de sub-13, e foi um miúdo que gostei. Falei com os treinadores, com o pai. Era um chico pequenito, fazia certas coisas de maneira diferente. Propus, porque não poderia jogar por nós por causa da FIFA [norte-americano e menor, impossibilitando a transferência para a Europa], a cada seis meses vir cá uma semana ou duas e continuaríamos a vê-lo. E assim foi, continuei a gostar dele, mas, de repente, chegou a sanção da FIFA [por irregularidades nas contratações de jovens jogadores] e o miúdo não pôde treinar mais. O pai encontrou uma solução com um familiar croata ou assim, para obter passaporte europeu, e assinou por uma equipa alemã [Dortmund].

Qual é o jogador formado em La Masia que mais lhe custa ver longe do Camp Nou?
Bufffff... Não sei. Desde que estejam a triunfar fico contente. Se não estão a triunfar e são boas pessoas, também estou contente. Não me custa nada. Dói ver que a vida não lhes sorriu, que não tiveram a sorte, por mil razões, de chegarem aos seus sonhos. Isso é o que mais custa.