Tribuna Expresso

Perfil

Entrevistas Tribuna

Exclusivo. Paulinho: “Não costumo ser muito garganeiro à frente da baliza, se tiver que dar ao lado, dou. Não deve haver egoísmo”

Tem 18 golos esta época, não há português que marque mais em Portugal. Há muito que a Seleção não tem um avançado canhoto e Paulinho espera, e acredita, que será o próximo

Diogo Pombo

Quality Sport Images/Getty Images

Partilhar

Achas que ainda se joga esta época?
O mais importante é que os jogadores são pessoas e tem que haver segurança. Se houver, acho que os campeonatos se devem terminar. Toda a gente quer ver futebol e jogar, independentemente de os estádios estarem cheios ou vazios. Mas é importante que os responsáveis do futebol português nos deem condições e segurança para isso.

O Braga cativou parte dos salários. Como foi a negociação?
Bastou uma reunião por teleconferência entre todos. O presidente falou connosco, disse-nos o que se passava, mostrou-nos a realidade do futebol no país e no mundo, e nós, logicamente, somos pessoas sensíveis. Temos noção do que é um clube de futebol, de que as receitas televisivas são importantes, e chegámos a um consenso ao fim de uma só reunião. Ficou tudo resolvido.

Em Inglaterra tem havido muitas críticas aos futebolistas por não aceitarem reduzir os salários.
Cada clube é um caso. Se vemos a maior liga do mundo, onde as receitas são incríveis, a passar por dificuldades, imagina em Portugal. Logicamente que, no meio disto, há clubes que, de facto, são bem organizados, mas não são capazes de viver sem receitas televisivas. É normal. Mas de certeza que também há clubes que estão a passar por uma fase ainda pior, porque se calhar não estão tão bem organizados, o que talvez demonstre um bocadinho o estado do futebol português. Ninguém estava preparado para isto, mas o importante é toda a gente chegar a um consenso. Nós, os jogadores, temos noção das dificuldades, sabemos que o Braga também faz tudo para nos ajudar. Mas, em Portugal, tirando cinco ou seis, os clubes não devem pagar muito. Já passei por essa realidade. Se entrarem em lay-off, se calhar muitos jogadores vão passar por dificuldades, por não terem condições e organização nas vidas deles.

És de Barcelos e nunca jogaste num clube que estivesse a mais de 50 quilómetros de casa. Isto foi propositado?
Por acaso não. Fiz a formação toda no Santa Maria, também fiz lá o primeiro ano de sénior, na terceira divisão, e depois, a um sábado à noite, tenho as coisas todas organizadas para, no domingo de manhã, viajar para Portimão e ir jogar para o Portimonense. Mas foi quando o professor Neca me ligou para ir para o Trofense. Acabei por ir e, como sou aqui de Barcelos, o Gil Vicente estava atento à situação, acabou por me contratar e depois vim para o Braga. Mas nada disto foi planeado quando era miúdo. Agora, acaba por ser normal. Se um vizinho ao nosso lado está bem, sabemos disso mais rapidamente do que uma pessoa que vive mais longe. Isso também acontece nos clubes de uma realidade mais pequena.

Para ler o artigo na íntegra clique AQUI