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Há um português campeão arménio: "Quando me convidaram para o Ararat, fui ao Google Maps, porque não tinha mesmo noção onde era a Arménia"

Ângelo Meneses tem 27 anos e um marco no CV que poucos jogadores portugueses podem reclamar: é campeão da Arménia, país que o defesa central nem sabia bem onde era quando para lá foi, no início da época, jogar na pré-eliminatória da Liga dos Campeões - algo que vai repetir-se no início de 2020/21. Para já, depois da "ressaca" de "vodka e conhaque" dos festejos do título, vai de férias, mas só na Arménia, já que a pandemia impede grandes viagens, e também vai estar a torcer pelo Famalicão, onde passou os últimos três anos num balneário "perito em armar barraco"

Mariana Cabral

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Como foram os festejos do título, em tempos de covid-19?
Foram os mais felizes possíveis, tendo em conta a pandemia que estamos a viver, ou seja, foram os festejos possíveis. Festejámos no campo e os adeptos estavam do lado de fora do estádio, festejámos à distância. Depois de levantarmos o troféu, tivemos um jantar com a equipa, jogadores e staff técnico, toda a gente que é testada e estava bem. Estivemos numa quinta aqui perto, mas sem as nossas esposas e assim, elas não podiam, por uma questão de precaução.

Porque não foram testadas?
Exato. Por precaução, entenderam que era melhor não levarmos as famílias. Mas foi um bom jantar, com um bocado de álcool à mistura, como é normal nestas alturas e nestes países soviéticos [risos].

O que se bebe aí, vodka?
Sim, é vodka. E conhaque. Também têm muita cerveja arménia, mas nunca provei, porque não gosto, mas eles dizem que é boa. Mas o que há mais é vodka e conhaque [risos].

Não houve covid-19, mas houve ressacas.
[risos] Sim, ontem foi dia de ressaca. Faz parte dos festejos, foi bom.

HrachKhachatryan

Como foi o jogo? Tinham perdido há dias contra o mesmo adversário, o Noah, na final da Taça (5-5 no prolongamento e 7-6 nos penáltis).
Sim. Sabíamos que tínhamos uma dupla possibilidade, porque o empate também servia para sermos campeões, mas tínhamos jogado contra eles na Taça quatro dias antes e tínhamos perdidos nos penáltis. E depois de estarmos a ganhar 4-1, ao intervalo. Deixámo-nos empatar, fomos a prolongamento e a penáltis, e perdemos. Então fomos para este jogo já em estado de alerta, porque facilitámos na Taça e não podíamos facilitar no campeonato, de maneira nenhuma. Se calhar também estávamos um bocadinho mais nervosos, porque tínhamos perdido a Taça e eles ficaram mais motivados. Mas acabou por correr bem, fizemos dois golos na primeira parte e depois na segunda parte não se repetiu o que aconteceu no outro jogo [risos].

A final da Taça terminou com um 5-5, antes dos penáltis. Os jogos costumam ser assim tão abertos?
As equipas aqui às vezes partem-se. É assim, temos um género de uma 2ª Liga portuguesa, com jogos muito competitivos, em que há duas ou três equipas que jogam melhor e têm mais estrangeiros, por isso têm mais qualidade. Depois as outras equipas são mais agressivas, com mais jogadores russos e arménios, jogam mais no contra-ataque. Mas os jogos acabam por partir porque as equipas não são tão fortes taticamente. Se há um golo, as equipas partem-se muito facilmente e acaba sempre por haver mais dois ou três, os jogos partem-se. O campeonato é muito assim.

Notaste muitas diferenças na forma de jogar, quando chegaste à Arménia?
Quando cheguei cá, no início da época, os primeiros jogos que fiz foram das pré-eliminatórias da Liga dos Campeões e da Liga Europa, portanto não notei grande diferença logo ao início. Por exemplo, nesses jogos, que são de maior nível, tivemos um desempenho excelente, fomos até à última pré-eliminatória da Liga Europa, estivemos quase a entrar na fase de grupos. No campeonato, sentimos mais dificuldades porque os jogos são mesmo assim como te disse, as equipas são muito agressivas, dão a vida, tentam levar as coisas para o jogo físico - um género de uma 2ª Liga portuguesa. Os jogos são mais imprevisíveis. Fui notando essas diferenças e tive algumas dificuldades no início do campeonato, porque é um estilo diferente, mas adaptei-me.

Aqui em Portugal o padrão habitual é as equipas pensarem primeiro na organização defensiva e só depois no ataque...
[interrompe] Exato.

Sendo mais frequentes como sistemas o 4-3-3 e o 4-4-2, mas agora também estão a surgir apostas em três centrais. Aí como é?
Aqui as quatro primeiras equipas gostam de jogar, gostam de começar a construir por trás e assim, e até têm uma boa dinâmica. No campeonato temos 10 equipas e já há quatro ou cinco que também jogam com um sistema de cinco defesas. Quando cheguei aqui até me admirei, porque em Portugal não se vê muito - agora já se vê mais. Mas também é verdade que muitas equipas quando jogam contra nós, porque somos a melhor equipa e temos mais bola, normalmente jogam com cinco defesas e no contra-ataque.

E como joga o Ararat?
Normalmente jogamos em 4-3-3 e, dependendo da equipa adversária, o treinador às vezes inverte o triângulo do meio-campo, ficamos em 4-2-3-1. Só agora no final do ano, nos últimos dois jogos, é que mudámos e jogámos em 4-4-2. Mas habitualmente é o 4-3-3.

Como defesa central, o que preferes?
Sou central e gosto de jogar, tenho boa qualidade de passe e gosto de perceber o jogo e ver que um treinador privilegia isso, o querer sair a jogar de trás e assim. Sinceramente gosto mais do 4-3-3, acho que tenho mais linhas de passe por dentro, dá para meter mais passes interiores.

Já agora, quem é teu central de referência?
Tenho alguns. Neste momento, acho que o melhor é o Van Dijk, mas eu revejo-me e gosto mais do Varane. Gosto do estilo dele, é alto e esguio, como eu, gosto bastante dele.

Ângelo Meneses (à direita) a disputar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, frente ao AIK

Ângelo Meneses (à direita) a disputar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, frente ao AIK

Michael Campanella

Quando te convidaram para o Ararat, foste ao Google Maps ver onde era?
[risos] Fui, fui mesmo ver, porque não tinha mesmo noção onde era a Arménia. Já tinha ouvido falar, obviamente, mas pouco. A única coisa que sabia era que tínhamos um jogador armeno em Portugal, o Ghazaryan [ex-jogador do Marítimo e do Chaves, agora no AEL Limassol do Chipre]. Ah e conhecia o Mkhitaryan [jogador da Roma] [risos]. Fui logo ver onde era a Arménia e depois procurei coisas sobre o clube, se tinha alguém que falasse português. Havia um jogador que jogou em Portugal, o Alphonse, que foi do Feirense. Liguei para ele, para perguntar algumas coisas, saber como era o clube... Depois também falei com o Ghazaryan, uma pessoa muito simpática, que falou comigo na boa. Perguntei-lhe pela cidade e pelo país, e ele deixou-me completamente à vontade, porque me disse que a capital era muito desenvolvida, que era top, tinha todas as condições. E de facto quando cheguei cá comprovei isso, tanto a cidade como o clube são realmente muito bons.

Que condições é que têm aí?
Temos condições excelentes, mas o centro de estágio não é do clube, é da seleção. Mas nós treinamos sempre lá, portanto usufruímos de tudo o que tem o centro: 12 campos de relva natural, piscina interior, piscina exterior, ginásio, hotel... A nível de apartamento, também é bom, moderno, fui eu que escolhi quando cheguei cá. Estou cá com a minha namorada e estamos bem, estamos a gostar.

Que diferenças notas em relação a Portugal?
Claro que há diferenças em relação a Portugal, cada um com a sua cultura, não é? Mas estamos surpreendidos, porque é um país que não conhecíamos e que está a superar as expetativas.

Por exemplo?
É um país ainda muito ligado à União Soviética e ainda tem características disso, os prédios mais antigos, alguns carros... A maneira de ser deles, que é parecida com os russos, as pessoas são mais frias, mais caladas. Mas aqui onde estou, na capital, é muito diferente, porque vemos uma coisa ou outra, mas já está tudo muito remodelado, já é uma grande capital, do género de Lisboa ou Porto, com muitas coisas, muitos centros comerciais, muitos restaurantes... Tem tudo. Mas quando saímos da cidade e vamos jogar a um clube mais longe, aí sim, já se nota mais pobreza.

Ângelo com Sara Silva, a sua namorada

Ângelo com Sara Silva, a sua namorada

O balneário também é diferente?
Temos muitos estrangeiros na nossa equipa, por isso há ali muitas diferenças de culturas, mas nota-se mais a diferença para os russos, e mesmo para os arménios, que ao início não são tão afáveis. Não são como o português, como o latino, que acolhe bem, que fala logo, que entra na brincadeira. Eles ao início são mais observadores, gostam de perceber as pessoas, é uma cultura diferente. Mas nada com que não seja possível conviver.

Portanto aí não há daquelas brincadeiras de cortar as cuecas dos colegas, por exemplo.
[risos] Não, não, aqui não. Ainda por cima no ano passado estava no Famalicão e tínhamos um grupo que fazia isso, era perito nessas cenas de armar barraco no balneário [risos]. Aqui não tem nada a ver.

Conta lá o que faziam no Famalicão.
[risos] Ah, não, fazíamos tantas coisas... Tínhamos um grupo fantástico. Já muita gente falou sobre isso, inclusivamente o mister Carlos Pinto [ex-treinador do Famalicão], que disse que foi dos melhores grupos que apanhou. É verdade, tínhamos um grupo incrível, éramos uma verdadeira família e isso ajudou-nos muito na nossa subida de divisão.

Foi o primeiro ano do 'novo' Famalicão, por assim dizer.
Sim, foi o primeiro ano com o novo dono do clube, com a entrada do doutor Miguel Ribeiro. Já se notava aí que o clube estava a ir para uma dimensão muito boa, estruturada, para um patamar acima.

Tu és de Famalicão e do Famalicão?
Sim, sim, ambos. Saí do Famalicão e continuo a torcer por eles.

Esperavas esta estreia do Famalicão na I Liga?
É assim, não vou mentir: não acreditava que o Famalicão, logo no primeiro ano, estivesse a lutar pela Liga Europa. Tinha quase a certeza absoluta que o Famalicão ia fazer uma época super tranquila e sabia que tinha e tem um projeto que se vai afirmar nos próximos anos no futebol português, como um Braga ou um Guimarães, no mesmo patamar dessas equipas, porque tem uma estrutura com capacidade para isso. Mas claro que não estava à espera da luta pela Europa. Mas, do que temos visto do campeonato português, o Famalicão é o grande merecedor de ocupar a vaga que falta para a Europa, o 5º lugar.

Se jogasse na Arménia, o Famalicão era campeão?
Sim, sim, era campeão.

E se o Ararat jogasse em Portugal?
Acho que nós aí em Portugal lutaríamos pela manutenção e acho que conseguiríamos. Temos uma boa equipa. Aliás, nas pré-eliminatórias da Liga Europa demos uma réplica excelente. Acabámos por perder com uma equipa do Luxemburgo, o Dudelange, e as pessoas dizem: "Ah, é do Luxemburgo...". Mas essa equipa há dois anos consecutivos que vai à fase de grupos da Liga Europa e este ano ganhou ao APOEL, por exemplo, e no ano passado ganhou ao AC Milan. Não é uma equipa fácil.

Michael Campanella

Foi fácil chegar aí e estreares-te logo nas pré-eliminatórias Liga dos Campeões e na Liga Europa?
Não vou mentir, quando vim para cá, uma das coisas que mais me aliciou foi isso, foi poder jogar as competições europeias. Nós também apanhámos na Liga dos Campeões o AIK de Estocolmo, da Suécia, o que nos possibilitou jogar num estádio com 70 mil pessoas, contra uma boa equipa. Pronto, é um nível acima, no caso da Liga dos Campeões, que nos provoca dificuldades, porque as equipas são melhores, mas é sem dúvida uma alegria enorme dizer que joguei na pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Na Liga Europa igualmente, mas se calhar o nível das equipas não é tão bom. Mas nós apanhámos o campeão da Geórgia, uma boa equipa, mas também podíamos ter apanhado, sei lá, o Wolverhampton ou a Lazio, e isso seria na mesma quase como jogar Liga dos Campeões [risos].

Agora vão jogar novamente a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Vão ter férias?
Sim, o clube deu-nos 10 dias de férias. Mas nós não vamos poder sair da Arménia, como é óbvio, por causa desta situação do covid. No meu caso, vou ficar por cá com a minha namorada e vamos para um hotel no centro da cidade, é assim que vamos passar as nossas mini férias, porque não podemos sair daqui [risos]. Depois voltamos aos treinos para começar a preparar a pré-eliminatória. Ainda não sabemos qual será o adversário nem se vão ser jogadas as duas mãos, como habitualmente, ou se será apenas um jogo. Ainda está tudo assim um bocado na indecisão, vamos aguardar.

Não há por aí um sítio bonito para irem de férias?
Há, há. Isto não tem praia nem nada [risos], mas tem um lago enorme, com muitos quilómetros, e há lá hotéis. Só que é a 1h30 daqui e nós vimos que o tempo não ia estar bom, por isso decidimos ficar por cá e visitar alguns sítios. É um país montanhoso, mas tem vários sítios para visitar, muitas igrejas e catedrais.

O Monte Ararat, na Arménia

O Monte Ararat, na Arménia

Sergei Fadeichev

As pessoas aí falam bem inglês?
Depende dos sítios. Se for nos restaurantes, no centro da cidade, a maior parte fala. Não é um país muito turístico mas já começa a estar mais desenvolvido, por isso nos restaurantes eles falam quase todos inglês. Agora, perto de casa, nos supermercados, eles têm muita dificuldade em falar inglês. Mas vamos com o Google tradutor na mão e com gestos e tudo se resolve [risos]. Só há mesmo uma exceção, em que não dá para falar quase nunca: com os taxistas. Aqui na Arménia quase toda a gente anda de táxi, é mesmo muito barato. Aliás, quando chegámos, eu até perguntei como era, porque queria carro, mas o diretor desportivo disse-me que toda a gente andava de táxi, até porque não é muito fácil andar de carro na cidade. E tinha razão, porque realmente há muita confusão de trânsito e eles são malucos a conduzir.

Por exemplo?
Sei lá, são várias situações engraçadas, eu é que agora não me estou a lembrar. Eles fazem coisas inacreditáveis aqui. Por exemplo, já vi um gajo fazer a rotunda para a esquerda, ia em contramão [risos]. Foi muito esquisito. Nos táxis é mesmo demais, é uma paródia andar de táxi na Arménia. São malucos, só apitam, passam as pessoas pela direita, pela esquerda, tudo como querem.

Reconhecem-te na cidade?
Aqui onde moro, ao pé de casa, sim, porque eu moro perto do centro de estágio. Agora, no centro da cidade, não. As pessoas não ligam muito. Só quando foi a Liga Europa, aí assim, porque foi um marco para o país, estivemos mesmo quase a conseguir a entrada para a fase de grupos. Nós até jogávamos no estádio da seleção e tínhamos sempre 14 mil pessoas a ver, o estádio estava sempre cheio. Nessa altura, houve vezes que saí à rua e reconheceram-me, mas não foi nada de especial. As pessoas aqui nem ligam muito ao futebol.

Acho que aí é mais xadrez e luta livre.
Eles gostam muito de luta livre, sim, há um arménio que é campeão daquilo. Mas na Liga Europa houve mesmo muito interesse, mesmo de quem não era adepto do nosso clube, porque era um marco histórico para o país. Estava um ambiente fantástico, foi mesmo espetacular.

Já tiveste aí algum problema, tendo eles uma cultura diferente?
O temperamento deles é muito diferente do nosso... [risos] Não há discussão, partem logo para a violência [risos]. Também há aqui outro português, que joga noutro clube, e quando jogamos um contra o outro ele também me diz: "Eh pá, os gajos aqui quando há um stress encostam logo a cabeça uns nos outros". Pronto, explodem mais rápido, não é tanto para falar, é logo para partir... [risos] Se calhar levam a mal alguma coisa que nós em Portugal nunca na vida levaríamos, o chamar a atenção a alguém, por exemplo. Aqui podem levar isso como ofensa.

Comunicas bem em campo?
Sim, sim. Os arménios têm a língua deles, o arménio, mas todos falam russo. O nosso treinador é arménio mas dá as palestras em russo, porque todos percebem. Depois temos um preparador físico que fala russo e inglês e é ele que traduz. Mas entendemo-nos, já sei dizer muitas coisas em russo: direita, esquerda, frente, atrás, homem... Esse tipo de coisas. Como central já tenho as palavras mais importantes todas certinhas [risos].

Os festejos do título

Os festejos do título

HrachKhachatryan

Tens mais um ano de contrato?
Sim, tenho mais um ano de contrato e pronto, depois vamos ver como correm as coisas. Vamos tentar entrar na fase de grupos da Liga Europa, isso seria ótimo para mim, para a visibilidade e para tentar outro campeonato por aqui, tipo Rússia ou Turquia, um campeonato mais competitivo. Se não, continuo por aqui.

As condições financeiras são muito melhores do que em Portugal?
É assim, para mim são muito melhores, de certeza [risos]. Para os outros não sei, mas pelo que oiço falar sobre Portugal, penso que sim. Nem todos os clubes em Portugal pagam muito bem. Mas este é um clube que paga bem e é super sério, assim vale a pena.

Já houve colegas a ligarem-te a perguntar se podem ir para aí?
Já [risos]. Aliás, não posso dizer quem é, mas vem para aqui um jogador que estava em Portugal, na 2ª Liga. Ligou-me a perguntar por informações e vem para aqui. Aliás, já está cá, mas ainda não assinou com o clube.

Michael Campanella

Como é que começaste a jogar?
Comecei tinha sete ou oito anos. Sempre gostei muito, mas foi o meu pai que me levou para o futebol. Ele jogou, era guarda-redes, mas não foi nada muito sério.

Ele é do Famalicão também?
Sim, por isso é que me levou para jogar na formação do Famalicão [risos]. Depois lá percebeu que eu tinha jeito e deixou-me andar. Depois o FC Porto foi lá buscar-me e fiquei lá quatro anos. Depois passei para o Leixões, também quatro anos, e foi lá que acabei a minha formação. Não fiquei lá no primeiro ano de sénior porque as condições que me ofereciam na altura não eram nada de especial e ia estar longe de casa. Nessa altura apareceu o Famalicão, que estava no CNS [Campeonato de Portugal], e fui para lá. Fiz um bom campeonato e fui contratado para o Rio Ave, na altura em que estava lá o Nuno Espírito Santo. Depois fui emprestado à Oliveirense e assinei por eles, depois passei para o Penafiel, por um ano, e depois passei três anos no Famalicão, antes de vir para a Arménia.

No FC Porto quem tiveste como colegas?
Tive o Fábio Martins, o André Gomes - que foi dispensado do FC Porto no mesmo ano do que eu -, o Tozé, o Gonçalo Paciência, que era mais novo mas vinha muitas vezes à nossa equipa... Acho que foi por aí.

Qual foi o treinador que te marcou mais?
Foi o Nuno Espírito Santo, no Rio Ave, sem dúvida.

Mas nem chegaste a jogar.
Pois não. Como é que eu podia jogar, havia o Roderick, o Rodriguez, o Marcelo, o Nivaldo... Só centrais de qualidade. Mas foi um ano incrível, foi quando o Rio Ave foi à final da Taça de Portugal e da Taça da Liga. Sem dúvida, foi o treinador que mais me marcou. Era top. Notava-se que tinha ali qualquer coisa melhor do que os outros todos.

Em que sentido?
Na maneira de lidar com os jogadores, a forma de treinar... Tinha uma equipa técnica top com ele também. Gostava da metodologia de treino, da forma como falavam com os jogadores, da forma como ele liderava o grupo... Foi marcante.

Não pretendes voltar a Portugal?
Neste momento não tenciono voltar para Portugal, não é isso que tenho no meu pensamento. Só se fosse uma coisa que fosse muito boa para mim. O meu objetivo para este ano é tentar entrar nas competições europeias e depois lançar-me para um campeonato mais competitivo, como Rússia ou Turquia. É esse o objetivo, vamos ver.