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Pia Sundhage: "Costumo dizer que se querem jogar no Brasil, têm de jogar como se estivessem a dançar samba"

Aos 60 anos, Pia Sundhage largou o frio da Suécia para abraçar o calor do Brasil, depois de um convite "irrecusável" para liderar a seleção feminina brasileira. Em estágio em Portimão, a ex-selecionadora dos EUA e da Suécia explicou à Tribuna Expresso o que quer para o Brasil, que está a preparar a participação nos Jogos Olímpicos - "o que tento fazer é dar alguma organização sueca a estas jogadoras tecnicamente tão evoluídas, e também tento passar a perseverança norte-americana" -, e deixou elogios ao futebol feminino em Portugal, que diz ter dado "muitos passos em frente" nos últimos anos

Mariana Cabral

MAURO PIMENTEL

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Falamos em inglês ou em português?
Ah, infelizmente ainda não falo português. Dá-me mais quatro anos e talvez chegue lá [risos].

Mas já a ouvi a cantar em português.
Sim, é verdade, mas foi só um bocadinho, nada de mais.

Que tal foi o estágio em Portimão?
Foi uma semana fantástica. Correu tudo muito bem. Claro que é difícil passar por estes tempos de pandemia, mas temos feito tudo o que temos de fazer, em termos de protocolo, e depois tivemos ótimos treinos, o hotel é fantástico, a comida é muito boa e acho que as brasileiras gostam do facto de poderem falar português por aqui [risos]. Acho que é a principal razão para que todos se sintam muito confortáveis aqui. Foi tudo quase perfeito.

Houve seis jogadoras convocadas que jogam aqui em Portugal: Dani Neuhaus (Benfica), Rayane (Braga), Ana Vitória (Benfica), Nycole (Benfica), Mylene (Famalicão) e Raquel Fernandes (Sporting). Viu-as jogar na Liga BPI?
Olha, sou uma sortuda, porque a minha treinadora adjunta, Lilie Persson, que continua na Suécia, vai seguindo tudo o que acontece na Europa, portanto é ela que me dá informações sobre os jogos que elas jogam. Acho que é muito interessante, porque nos bons velhos tempos, quando eu jogava na Suécia ou quando treinava a Suécia, olhávamos para a seleção feminina de Portugal e pensámos "não, não, nem sequer é um adversário a sério". Fomos à Algarve Cup várias vezes e a verdade é que não queríamos jogar contra Portugal porque não era uma seleção suficientemente competitiva. E isso não foi assim há tanto tempo. Mas vejamos como estão as coisas hoje: há jogadoras portuguesas competitivas e clubes que têm jogadoras internacionais que jogam nas suas seleções. Claro que as jogadoras que mencionaste são novas, ainda têm um futuro pela frente. Mas gosto muito do que aconteceu em Portugal, porque o futebol feminino deu muitos passos em frente e o desenvolvimento parece estar a fazer isto [faz um gesto ascendente com a mão].

Vimos muitos vídeos nas redes sociais do vosso estágio e parece que agora o vosso aquecimento é dançar. É assim?
[risos] Os brasileiros estão sempre a dançar. Fico realmente muito fascinada com o nosso aquecimento, porque há sempre muitos passos rápidos. Costumo dizer que se querem jogar no Brasil, têm de jogar como se estivessem a dançar samba. Têm um ritmo incrível. Eu gosto muito de música, mas é muito difícil para mim conseguir acompanhá-los. É uma lição que ainda tenho de aprender, mas gosto muito desta cultura.

Gosta mais de samba ou bossa nova?
Bom... Gosto de rock and roll [risos].

Já está no Brasil há mais de um ano. Que balanço faz até agora?
Tem corrido bem. Até agora jogámos 11 jogos. Os resultados têm sido bons, mas o que mais destaco é o conhecimento que tenho adquirido sobre as jogadoras brasileiras, porque tenho visto muitos jogos no Brasil e o Brasileirão feminino tem melhorado muito, e a verdade é que a liga é muito importante também para a evolução da seleção. Acho que, neste momento, estamos numa altura muito interessante, porque temos jogadoras a jogar na China, nos EUA, em toda a Europa e no Brasil. Portanto temos a oportunidade, de alguma forma, de ir comparando as várias ligas e quando juntamos todas essas jogadoras vemos que são muito dinâmicas. O que tento fazer é dar alguma organização sueca a todas estas jogadoras brasileiras tecnicamente tão evoluídas, e também tento passar a perseverança norte-americana, para que todas trabalhemos juntas em tudo. Estou mesmo muito feliz por ter tido a oportunidade de trabalhar na seleção brasileira. Este é provavelmente o maior desafio que já tive na minha carreira e adoro isso.

Acho que a avaliação que se costuma fazer na Europa sobre o futebol brasileiro, tanto no masculino como no feminino, é que há um talento individual incrível, mas depois em termos de organização, ofensiva e defensiva, acabam por pecar um pouco. Sente isso?
Sim. Acho que tentam jogar com as suas forças e de facto uma dessas forças é a técnica. E outra é a grande emoção que têm no jogo. Quando isso é levado como algo positivo, são imparáveis. A questão é que quando as coisas não correm tão bem, essa parte mais emocional começa a ser muito negativa. Por isso é que digo que sim, posso ajudar a equipa com mais organização. Tendo crescido na Suécia, sabemos bem como organizar praticamente tudo, às vezes até demais [risos]. Mas mesmo sabendo isto, não é fácil mudar as coisas. Obviamente as brasileiras estão habituadas a determinadas coisas, mas penso que, passo a passo, conseguimos aceitar as mudanças. O que posso dizer é que gosto muito do que vejo aqui. Esta pode ser uma equipa muito forte se soubermos aproveitar bem as nossas forças.

Há muitas diferenças entre treinar os EUA, a Suécia e o Brasil, no que diz respeito à sua ideia de jogo e à sua forma de treinar?
Sim, absolutamente. Há duas coisas que tento sempre fazer: primeiro, olho para as forças da equipa. Se olharmos para a seleção sueca, como já disse, a capacidade de organização é fantástica, basta ver como chegámos até à final dos Jogos Olímpicos em 2016 [a Alemanha venceu a Suécia por 2-1], através da organização, particularmente defensiva, sempre muito boa. Na seleção dos EUA, uma das grandes forças delas é a perseverança, são fortíssimas no trabalho e no apoio às colegas, com paixão. Agora, cabe-me a mim ressalvar as grandes forças do Brasil e tentar esconder as fraquezas. Depois há outra coisa importante: há uma razão pela qual mantive o staff que já estava aqui na seleção - fiz o mesmo na Suécia e também nos EUA, até um ponto. Porque são estas pessoas que conhecem bem as jogadoras brasileiras. Quando cheguei cá, há um ano, eu não conhecia bem as jogadoras. Portanto, para eu poder fazer o meu trabalho da melhor maneira possível, preciso de um staff que me ajude. Tive muita ajuda em relação à cultura, em relação às jogadoras e em relação à história. Depois a parte divertida é a forma de jogar: tive a felicidade de ter estado na Suécia e nos EUA - e também estive como treinador adjunta na China - e agora estou aqui. Ou seja, aprendi e aprendo todos os dias com elas e tento ensinar um pouco de todas.

Aude Alcover

Mas em termos da sua ideia de jogo preferida, imagino que seja muito mais difícil conseguir implementá-la em seleções tão diferentes.
Sim, sem dúvida. Se estiveres num clube, tens um impacto enorme nas jogadoras e na equipa, na forma de jogar que pretendes. Estás com elas todos os dias, o que não acontece numa seleção. Só as tenho alguns dias e depois voltam para os clubes, porque o que é essencial é perceber quais são as prioridades, portanto tenho ajustar o que achar necessário. Claro que tenho a minha ideia de jogo preferida, mas essa forma de jogar não terá sucesso se não tiver em consideração que tipo de jogadoras tenho na seleção em que estou. Penso que quando treinei a seleção dos EUA consegui ter um impacto maior, especialmente no primeiro ano, porque ainda não tinham uma liga e então elas eram praticamente nossas, como num clube, estivemos juntas em mais de 200 dias. Comparando isso com a Suécia é completamente diferente. E aqui também. Numa seleção tens de ter as tuas prioridades bem claras e olhar para as coisas que funcionam bem. E isto não é sobre mim, não tem a ver com a minha forma de jogar preferida - claro que há sempre bases nas quais acredito e que se mantêm, mas acredito que deve ajustar algumas coisas no estilo de jogo para combinar com os contextos. Claro que agora, no Brasil, é fácil, porque gosto da maneira como as jogadoras jogam [risos].

De que tipo de jogo é que gosta?
Gosto muito de um jogo que assuma riscos no meio-campo. Se temos jogadoras tecnicamente evoluídas... Por exemplo, a Luana e a Formiga são jogadoras muito boas, que sabem ler muito bem o jogo e são boas com a bola, então quero ditem o ritmo do jogo. Elas têm de saber jogar uma com a outra de tal forma que tenham sucesso tanto a atacar como a defender. Costumamos usar uma expressão que é "provocar a linha". Sabemos onde está a baliza, mas queremos lá chegar de formas diferentes. Se temos jogadoras rápidas, podemos utilizá-las e seguramente serão úteis no ataque. Mas, no final de contas, o que mais me fascina são as jogadoras que jogam no corredor central, que capacidades é que têm aí. Tive nessa zona do campo jogadoras como a Carli Lloyd e a Shannon Boxx, nos EUA, e a Caroline Seger, na Suécia. Estas jogadoras eram muito importantes para a equipa, tinham muita influência a guiar os ataques.

E onde é que Marta se insere?
A Marta pode jogar em qualquer lado [risos], o que acho que é muito fixe, sinceramente. Se ela jogar mais à frente, tem determinadas funções, se jogar mais pelo corredor lateral, terá outro papel. Ainda não temos algo totalmente definido. Acho que, nos Jogos Olímpicos, ela irá jogar em várias posições, o que pode ser chave, em termos táticos, dependendo da equipa contra a qual jogarmos, porque o objetivo é que ela consiga mostrar as suas qualidades, de determinada forma, contra aquela equipa em específico. Há muitos fatores que temos de ter em consideração antes de tomar uma decisão dessas.

Ouviu o emocionante discurso de Marta após a eliminação do Brasil do Mundial 2019?

Sim, claro que ouvi. Já estou aqui há um ano e tenho visto o que se tem tentado fazer para que o futebol feminino no Brasil evolua. Há mudanças. A Marta é uma pessoa muito emocional e acho que, no futuro, ela irá olhar para trás e perceber que as coisas realmente têm vindo a evoluir. O que a CBF tem feito com o Brasileirão feminino é nesse sentido e eu tenho uma chefe nova, a Duda [Luizelli]... A primeira vez que fui ao Brasil soube que o presidente da CBF tinha tomado uma decisão: queria mudanças. E, passo a passo, as coisas têm mudado. É claro que nada é fácil para as jogadoras, estamos a falar de culturas diferentes, mas tenho sentido essa vontade. Há quase um movimento conjunto de todos, as coisas estão a acontecer. Creio que a Marta já não terá um discurso daqueles depois dos Jogos Olímpicos, porque as coisas estão a mudar, no bom sentido.

Já podemos dizer que o Brasil quer conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos ou é cedo para colocar essa pressão na equipa?
Acho que a pressão nunca é demasiada. Lembro-me de ouvir a Abby Wambach dizer que era um privilégio jogar sob pressão. E ela também costumava dizer que se fosse fácil ganhar os Jogos Olímpicos, toda a gente tinha medalhas de ouro em casa, mas não é o caso. Não acredito que haja demasiada pressão e fico feliz por haver pressão. O que me interessa e o que é importante é a estrada, é o caminho que vamos percorrer. Se começamos a falar numa medalha de ouro uma, duas, três vezes, para algumas será inspirador, mas para outras será confuso, porque vão pensar: "Ok, mas como é que chegamos lá? Que futebol é que vamos jogar?" É o caminho conjunto que percorremos que faz a diferença. Posso dizer isto: independentemente do que acontecer nos Jogos Olímpicos, garanto que há mudanças positivas no futebol feminino brasileiro neste momento.

Stuart Franklin - FIFA

Quando entrevistei Sarina Wiegman (AQUI), selecionadora da Holanda, ela disse-me que preferia ganhar 4-2 do que 2-0, porque acha que o futebol feminino ainda precisa de cativar mais adeptos, através de um jogo mais ofensivo. Partilha esta visão?
Adoro ouvi-la a dizer isso. Faz-me lembrar um pouco do que pensava quando era jovem: "Quero é marcar golos!" Para mim, sinceramente, é igual. Claro que gosto que a minha equipa tenha uma personalidade mais atacante, mas na altura certa, no momento certo. Seja por 1-0 ou por 4-2, posso dizer que gostamos muito de atacar e queremos ganhar a bola o mais frente possível.

Recentemente a Netflix publicou um documentário chamado "The Playbook", com as lições de vários treinadores. Viu?
Vi.

Uma das treinadoras que contou a sua experiência foi Jill Ellis, ex-selecionadora dos EUA. Quando vi o documentário, pensei que a Pia também pudesse estar ali...
[risos] Obrigada pelo elogio.

Sente que hoje em dia já é uma referência para outras mulheres que queiram ser treinadoras?
Eu espero que sim. Gostaria de ser uma espécie de exemplo, uma embaixadora do futebol feminino. Quando comecei a jogar, em miúda, nem sequer havia futebol feminino, eu jogava com rapazes. Depois, com o passar dos anos, tive oportunidade de jogar pela seleção e eu sonhava em ser jogadora profissional, mas tal coisa nem existia. Depois também sonhei ser treinadora profissional, mas isso também não existia. Depois fui passando por vários países, enquanto treinadora, e consegui fazê-lo. É claro que houve muitos obstáculos pelo caminho e quando és mulher no mundo do futebol... Quando era miúda e se ouvia a palavra "futebol", isso era sinónimo de futebol masculino. Só. Hoje em dia o futebol já é futebol masculino e futebol feminino. Sempre lidei com todos esses obstáculos, trabalhei com muitas pessoas que partilhavam essa paixão pelo futebol feminino e sempre ficámos muito felizes por irmos evoluindo. Porque isto não é sobre mim. É sobre o que defendo e o que gosto, que é futebol, mais concretamente futebol feminino. Quando algo não me corre bem, penso sempre que posso fazer um pouco mais, posso tentar arranjar uma outra solução e tentar melhorar as coisas para a próxima geração. Hoje em dia temos jogadoras profissionais e algumas delas fazem bom dinheiro. Elas podem tentar ser as melhores jogadoras possíveis, porque já não precisam de ter outro emprego quando jogam. Consegues imaginar... Se me tivessem dito isto quando eu tinha 18 anos, teria rido na cara de quem mo dissesse [risos]. "És maluco ou quê?" [risos] Mas é isto que acontece hoje e isso é muito fixe. Sinto-me muito orgulhosa disso, dessa luta. Pensar no que era o futebol quando tinha 6 anos e agora pondo um zero à frente do 6, já com 60... [risos].

Pia Sundhage foi considerada a melhor treinadora do mundo em 2012 (e Abby Wambach, dos EUA, a melhor jogadora)

Pia Sundhage foi considerada a melhor treinadora do mundo em 2012 (e Abby Wambach, dos EUA, a melhor jogadora)

Christof Koepsel

Li que antes aceitar o convite do Brasil, estava a pensar reformar-se. É verdade?
Sim, é. Tinha mais dois anos. Estava com as sub-17 da Suécia, uma geração que queria mesmo levar ao Europeu da categoria, era um desafio grande e adorava-o. Mas acabei por não fazer isso, porque me ligaram do Brasil. E é impossível dizer não à seleção do Brasil.

E, agora, como vê o futuro: quer continuar muitos anos no Brasil?
Bem, o meu contrato acho que termina a meio dos Jogos Olímpicos [risos].

Isso é um problema.
[risos] Na verdade sinto que praticamente nem comecei, porque com a pandemia tudo mudou. Portanto quero muito continuar no Brasil. Depois, claro, também depende dos nossos objetivos nos Jogos Olímpicos, porque muitas vezes a avaliação dos treinadores sabemos que depende dos resultados. Mas estou muito contente com as mudanças por aqui. Vamos ver o que acontece nos Jogos Olímpicos.

Gosta de viver no Brasil?

Não é só gostar, é gostar mesmo muito [risos]. É um luxo para mim, porque tenho uma boa casa no Rio [de Janeiro], nunca mais tive frio [risos] e as pessoas também são muito carinhosas. Sou muito feliz no Brasil.

E parece que as pessoas aí também a adoram.
​​​​​​​Isso é ótimo, porque quer dizer que assim vão adorar o futebol feminino.

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