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“O Euro-2000 é o último torneio em que há liberdade para entender o futebol como arte”: a conversa com o autor do livro "Sueños de la Euro"

Editado em língua espanhola pela Panenka, uma revista que tem debaixo da pele o penálti de Antonin em 76, o livro "Sueños de la Euro" (Sonhos do Europeu de futebol) de Miguel Lourenço Pereira, jornalista e escritor português a residir em Madrid, fala sobre um torneio de futebol que foi mudando à medida que cambiava também o contexto político, económico e social do Continente. E, claro, sobre os heróis do torneio

Hugo Tavares da Silva

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O Campeonato do Mundo começou em 1930, no Uruguai, e o primeiro Europeu só aconteceu 30 anos depois. Porquê?
Curiosamente a ideia do Europeu é anterior à ideia do Mundial, é uma das histórias que conto no livro. No fundo, o Europeu é uma ideia de um homem, Henri Delaunay. Basicamente o sonho dele é o primeiro dos muitos sonhos que estão à volta do Europeu, daí o título ser "Sueños de la Euro" [Sonhos do Euro]. O Delaunay era o vice-secretário da FIFA, trabalhava juntamente com o Jules Rimet, numa altura que o Mundial de futebol realmente eram os Jogos Olímpicos e o prestígio dos Jogos Olímpicos que coroou esse grande Uruguai era basicamente aquilo que dava a ideia de título mundial. A ideia do Delaunay era criar oposição a esse Mundial, como já havia na altura a Copa América na América Latina, criando um Europeu. A primeira ideia de Jules Rimet era precisamente essa, mas, depois de uma série de exibições do Uruguai na Europa, as pessoas a nível europeu começaram a admirar muitíssimo o futebol sul-americano, então o Rimet mudou de ideias e decidiu apostar todas as fichas no Mundial e automaticamente o Delaunay teve de seguir a corrente e depois, claro, o que acontece a seguir são ditaduras fascistas nos anos 30, a Segunda Guerra Mundial nos anos 40, o início da Guerra Fria no início dos anos 50, uma série de eventos políticos que condicionaram muitíssimo pôr em prática a ideia de unir um Continente à volta de uma bola de futebol num torneio.

Na capa do livro pode ler-se que o Campeonato da Europa reconciliou um Continente. Podes explicar?
Sem dúvida. O futebol no fundo, como diz o Paul Auster, é o que tem impedido os europeus de andarem em guerra como sempre andaram entre eles. As competições europeias de clubes também, mas estas têm uma dimensão mais local, de bairro, mais pessoal, os Europeus representam as nações, criam um sentimento de unidade nacional e ao mesmo tempo permitiram aos distintos países europeus, em vez de lutarem num campo de batalha, lutarem no relvado, com regras, fair-play. Isso, de certa maneira, permitiu à Europa medir um pouco as diferenças sociais, culturais e políticas que existiam entre países, mas sempre de uma perspectiva positiva. Torneios como o Europeu, sobretudo torneios como o Europeu, alimentaram essa sensação de que somos diferentes, somos unidos, somos todos europeus, lutamos todos por um troféu em comum e vivemos todos numa realidade em que temos de partilhar diversas realidades, à parte de ter valores distintos e maneiras de estar distintas. Era uma Europa que vinha de uma Segunda Guerra Mundial altamente destrutiva, uma Europa que estava numa Guerra Fria muita tensa, que encontrou no futebol precisamente a forma de sarar essas feridas. De certa maneira o Europeu e o trabalho desenvolvido pelo futebol a partir dos anos 50 antecipou inclusivé, em muitas ocasiões, o que foi a união política económica e social europeia, na CEE primeiro e na União Europeia depois. Por isso, quando há união europeia e quando há episódios importantes na Europa, também isso envolve o futebol. Este é um livro também muito de política, muito de economia, de sociedade, não se fala só de futebol, nem de longe nem de perto. É um livro muito contextual e portanto tudo isso ajuda a explicar o porquê dos Campeonatos da Europa serem tão importantes para a história da Europa como a conhecemos nos últimos 60 anos.

Como foi a evolução deste torneio, quanto a formato e importância?
A nível de competição há uma diferença radical entre os Europeus de agora, da atualidade, com o início, que era um torneio de quatro equipas. O estado da economia na Europa ainda não era o que é. A UEFA foi formada poucos anos antes do início da competição, portanto não havia a organização como há agora. A fase inicial do torneio era uma final four. Nas primeiras duas edições só participavam 16 ou 20 das federações que a UEFA tinha na altura, que eram à volta de 30, numa fase de qualificação que não era tal porque se considerava que o torneio não tinha fase de qualificação, mas sim uma fase final, que é diferente, em que as equipas jogavam oitavos e quartos de final a duas mãos e depois jogava-se uma final four num dos países que se tivesse classificado. Foi um formato que continuou até aos anos 80, é uma parte muito importante da história da competição, onde se reuniam realmente as quatro melhores equipas da Europa naquele momento e estamos a falar da mais absoluta elite. Eram torneios sempre com equipas de grande dimensão, com grandíssimos jogadores, e chegar à fase final era realmente muito complicado. Por isso, esses países tinham um mérito tremendo em terem participado nessas fases.

A partir dos anos 80, chega a comercialização do futebol. A própria FIFA começa nessa dinâmica, a UEFA vai atrás, e vão-se expandindo. Primeiro no formato de oito equipas, que é aquele que mais ou menos faz com que o Europeu se torne mais popular, por haver mais participantes, por ter chegado a televisão a cores e por haver pela primeira vez um país-sede, que já existe antes da fase de qualificação, isso dá uma similitude muito grande com os Mundiais e reforça o papel emocional que têm os Europeus para os adeptos. E, depois, com a ampliação a 16 equipas nos anos 90, já entramos na era que todos conhecemos, de um torneio de elite mas aberto a muitíssimos mais países e realidades, em que a fase de grupos é muito competitiva mas há sempre margem para surpresas, e depois as fases a eliminar já estamos a falar de seleções mesmo muito top. É um processo evolutivo que também, no fundo, acompanha a ideia do processo evolutivo de todo o jogo no futebol europeu, um pouco à semelhança do que aconteceu também entre a Taça dos Campeões Europeus original e o seu desenvolvimento no formato de Liga dos Campeões.

Quantos jogos de Europeus viste?
Todos menos dois que não estão disponíveis, graças ao mítico Footballia e à coleção de jogos que tenho vindo a acumular ao longo dos anos. Há dois jogos do Euro-60 que não foram gravados na altura, não estão disponíveis, portanto não os pude ver completos. Vi resumos alargados, mas em relação aos outros a pandemia também ajudou a recuperar muito isso. O livro é um filho da pandemia de certa maneira, é um livro que eu já sabia que ia escrever. Quando comecei a escrever o "Noites Europeias", em 2012, sabia que tinha de contar essa mesma história mas em formato de seleções. Era algo que mais tarde ou mais cedo ia suceder. Depois, em plena pandemia, em pleno lockdown, há o anúncio do cancelamento ou adiamento do Euro-2020 e isso automaticamente faz disparar os alarmes e então enche-me de vontade de aproveitar a ocasião. É aí que falo com os amigos da [revista] Panenka para começar a fazer o intercâmbio de ideias. Daí sai a ideia do livro e para preparar o livro em condições obviamente era necessário voltar atrás no tempo, viajar e ver muito futebol, ler muito sobre futebol, recuperar informações sobre essa Europa para fazer um livro que não é um livro de resumos, de dados do Wikipedia, porque para isso hoje existe a Internet, mas mesmo assim é obrigatório ter o contexto sempre muito bem assumido e saber daquilo que se está a falar quando se escreve a história de uma competição tão importante e com tantos anos e tantas edições.

Quais foram esses dois jogos?
Jugoslávia-França, que é provavelmente um dos maiores jogos da história do futebol e dos mais esquecidos, porque o jogo termina com uma reviravolta da Jugoslávia mesmo no final contra os anfitriões, que eram os grandes favoritos na meia-final. E o jogo de terceiro e quarto lugares entre a França e a Checoslováquia, que é um jogo que quase não tem história absolutamente nenhuma. Na altura ainda se disputava o terceiro e quarto lugares. São esses dois jogos que não têm disponível a versão completa, existem resumos bastantes alargados, resumos de mais de uma hora que deixam entender perfeitamente o que sucedeu no terreno de jogo a nível dinâmico. Mas tudo o resto está disponível em algum sítio, seja no Footballia seja em fóruns ou naqueles colecionadores que vão gravando coisas, e isso permitiu fazer esse visionamento total da história desta competição.

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Depois de tanto futebol, que selecções mais te encantaram?
Para mim as seleções mais abrumadoras em qualidade estética de jogo, em dominância das competições que disputaram, são sem dúvida a Alemanha de 72, apesar de só ter disputado dois jogos porque naquela altura, lá está a final four, só eram disputadas meias-finais e a final. É uma seleção que entra quase campeã no torneio, era de tal forma tão grande, antecipa o futebol total que populariza a Holanda dois anos depois, de uma maneira muito fluída; a França de 1984: eu nasci uma semana antes de começar o Euro-84, não o pude viver mas sempre cresci com a fama dessa França de 82, 84 e 86. E realmente é uma fama merecida, pois é uma seleção que [em 84] faz uma fase de grupos perfeita com três vitórias, goleadas, jogando contra excelentes equipas, depois no jogo contra Portugal mostra uma tenacidade e uma capacidade de recuperação anímica e emocional tremenda. A final é o pior jogo mas continua a ser uma seleção muito superior a todas as outras a nível de futebol europeu na altura; a França do Euro-2000 também é uma seleção superlativa porque ganha aquela que é, para mim, a competição mais perfeita da história das seleções, sejam Mundiais, Europeus ou Copa América. O Euro-2000 resume em sintonia tudo aquilo que devia ser uma competição de elite de seleções de verão e que a França tenha sido capaz de ganhar esse torneio jogando contra Holanda, Portugal, Espanha e Itália... claramente coloca-a no panteão dessas grandes equipas; e, depois, obviamente a Espanha de 2012, que provavelmente foi a seleção mais autoritária da história do futebol, a partir da posse de bola, ainda que às vezes de uma forma mais defensiva, asfixiando as ideias de jogo do rival. Era muito difícil ver um jogo dessa Espanha e achar que não iam ganhar, tal era a capacidade que tinham para controlar os tempos de jogo. Podia não ser tão bonito mas sem dúvida que foi a mais autoritária das seleções que vi em Europeus em toda a história.

Porque dizes isso do Euro-2000?
Eu acho que resume o que eram as competições de seleções e o que deixaram de ser. A Liga dos Campeões, de certa maneira, matou aquilo que era a ideia das competições das seleções, que era juntar os melhores do mundo, ou neste caso do Continente, num cenário cíclico e durante gerações os adeptos de futebol só podiam ver os melhores do mundo juntos quando viam Mundial ou Europeu. Quando aparece a Liga dos Campeões isso desaparece porque eles estão lá a cada 15 dias. Os jogos são cada vez mais cíclicos entre os melhores e esses duelos míticos que se esperavam de quatro em quatro anos para ganhar forma ou de dois em dois passam a acontecer a cada semana, a cada quinzena, a cada trimestre. Isso tira um pouco de lustro à ideia das competições de seleções que também tinham outra coisa muito importante que a Internet destruiu: o desconhecimento. Muitas gerações aprenderam geografia graças aos Europeus e Mundiais. Muitas gerações chegavam a um Europeu e punham finalmente uma cara àqueles nomes que ouviam falar mas que não tinham possibilidade de ver porque não havia transmissão de jogos estrangeiros praticamente, e depois chegavam as coleções de cromos dos Mundiais e finalmente podias ver a cara desse futebolista jugoslavo, da União Soviética, da Checoslováquia, da Escócia... Não sabias quem eram, e a Internet obviamente fez com que esse misticismo desaparecesse. O Euro-2000 é o último grande torneio antes da irrupção da Internet nos anos 2000, é o último torneio antes do domínio absoluto das televisões por cabo, é o último torneio antes da Champions League se abrir a mais de três equipas por país, abrindo de certa maneira a porta a uma imensidão de talento que antes não existia. E ao mesmo tempo é o último torneio em que há figura do número 10, em que há uma liberdade tal absoluta para a criação, criatividade, para a forma de entender o futebol como arte. É o torneio de Bergkamp, Zidane, Rui Costa, Totti, Del Piero, Figo, Paul Scholes, Gheorghe Hagi, todos os melhores 10 dessa geração estão presentes e realmente dão alma ao que foi esse torneio. A partir de 2000 vamos ver sempre seleções muito mais táticas, muito mais organizadas, muito mais físicas, tanto em Mundiais como em Europeus, de certa maneira vão-se perder as características individuais dos países e vai-se homogeneizar muito mais a estrutura de jogo coletivo. Acho que o Euro-2000 marca mesmo esse virar, não só o virar de século no sentido cronológico mas também o virar de século no sentido de interpretar o futebol-espetáculo de uma maneira muito concreta.

Se calhar não é por acaso que tantos de nós olha para esse Portugal de 2000 como a seleção mais romântica e com o futebol mais fluído...
Sem dúvida, totalmente de acordo. A nível individual, acho que Portugal nunca teve uma seleção tão boa como essa, e houve grandes seleções portuguesas em 66, 84, 2004, 2006 - a campeã europeia tem menos talento mas tem outras virtudes. Os portugueses olham para essa geração com nostalgia mas também os italianos, mesmo tendo ganho o Mundial-2006, sabem que a seleção de 2000 era melhor. Os próprios franceses, sendo campeões do mundo em 98, sabem perfeitamente que a melhor seleção francesa dessa época é a de 2000. E realmente havia ali quilates de talento porque ainda não estavam tão atados por muitos fatores que foram condicionando o jogo. O mundo parou durante quatro semanas para ver arte, mais do que ver futebol e isso encapsulou muito bem o que é a ideia de um Europeu. A Europa, nesse momento, vivia em felicidade, não havia guerras, já não havia problemas económicos como no passado, estávamos a virar o milénio na antecipação do que viria a ser o euro. Era normal fazerem-se interrails, era normal fazer-se Erasmus. Tudo isso são projetos europeus que também estão explicados no livro, na parte de contextualização, e de certa maneira esse é o Europeu dos europeus. Os Europeus posteriores já são de outra dinâmica, começam a vir os sintomas da crise económica que depois explodem, e os Europeus anteriores eram de uma Europa dividida politicamente ou cheia de dúvidas. É mesmo o Europeu da Europa.

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Deve haver muitíssimas histórias desconhecidas para muita gente como a moeda ao ar nas meias de 68 ou a final desse torneio que teve de ser repetida… Queres destacar alguma história?
Sim, uma das coisas bonitas de fazer um livro assim, e já me tinha acontecido com "Noites Europeias" e "Sonhos Dourados", é realmente viajar pelas histórias que não são as mais conhecidas, tanto histórias do jogo em si como do contexto. Obviamente que o Euro-68 é muito especial por causa disso, por ser o único Europeu em que há um classificado com moeda ao ar e usa-se um replay na final, que era algo que na altura era muito habitual mas que para nós, nos dias de hoje, nos parece tão distante. Depois há obviamente episódios de maior contextualização, como por exemplo a história da República da Irlanda, que é um país que raramente as pessoas associam aos Europeus mas que em 1988 conseguiu um brilharete tremendo ao ganhar à Inglaterra, quando se estavam a ver na altura provavelmente os momentos mais críticos do terrorismo com o IRA e, de certa maneira, o Governo irlandês utilizou a seleção irlandesa e os adeptos irlandeses, que eram o oposto dos hooligans ingleses, como embaixadores políticos de uma ideia de Irlanda mais positiva do que a que havia. Depois, mais tarde, confessaram que grande parte do êxito nos acordos de paz nos anos seguintes deveu-se à boa publicidade que a Irlanda deu no Euro-88 e depois também nos Mundiais de 90 e 94.

Há episódios como o que o melhor jogador da história do futebol grego [Vasilis Hatzipanagis] não ter podido jogar pela seleção grega em 1980 porque tinha feito um jogo pela União Soviética, onde tinha crescido, pela seleção olímpica, e foi vetado e de certa maneira isso amputou um pouco o sonho dos gregos, que só voltariam a um Europeu em 2004 para má memória de Portugal. E obviamente histórias que circulam à volta da mítica figura do Panenka, e uma das razões pelas quais o livro é editado pela revista Panenka é porque o fundador da revista, a ideia base por trás da revista, também nasce nos Europeus com o mítico penálti do Panenka, que ninguém no mundo, salvo os checos, conhecia. Ele só o praticava na liga checa. Na altura não havia globalização e de certa maneira permitiu desequilibrar uma final que foi extremamente equilibrada, num torneio que foi bastante esquecido com o tempo mas que foi muito divertido, com quatro jogos, todos eles com necessidade de prolongamento. Uma Holanda com Cruijff bem diferente daquela versão que conhecemos do Mundial de 74. E o facto de ter nascido aí o mito do penálti à Panenka e de ter nascido aí a publicação da revista Panenka, que depois o livro seja editado também pela própria Panenka acho que é um fecho de ciclo particularmente bonito e simbólico.

Há para ti algum momento tão icónico num Europeu como aquele de Panenka?
O golo que mais celebrei na vida e que mais chorei na vida é o remate do Eder. Portanto, para todos os portugueses, se alguém disser "Europeu", Eder é o que vem à cabeça e, lá está, o título "Sonhos do Euro" também vem por isso, pelos sonhos. A grande diferença dos Europeus para os Mundiais, ou uma das grandes diferenças, que me faz a mim como adepto de futebol gostar mais ou pelo menos ter uma identificação emocional superior com Europeus do que a que tenho com Mundiais, é que nos Mundiais os favoritos ganham sempre. Há vários favoritos porque estão as elites europeias e sul-americanas, mas é muito raro haver uma surpresa como estamos habituados a ver nos Europeus, como a Checoslováquia em 76, a própria Grécia, Portugal, a Espanha de 2008, que não era favorita e depois criou um império à volta dessa vitória, a Alemanha de 96 não era uma seleção favorita, a Dinamarca de 92, que nem sequer estava qualificada... Todas essas histórias são sonhos inesperados, de protagonistas com os quais ninguém está a contar. Ninguém estava a contar que Charisteas fosse o homem do verão de 2004, da mesma maneira que ninguém contava que Vilfort fosse o homem do verão de 92 ou que Eder fosse o homem do verão de 2016. Todas essas narrativas fazem do Europeu uma competição de underdogs, uma competição de equilíbrio em que se valoriza mais a componente emocional do jogo do que propriamente a previsibilidade dos favoritos. O momento de Panenka é icónico, é um pouco o primeiro grande momento icónico da história dos Europeus, aquele que é precedente sobre tudo o que vai acontecer depois. Mas se tivesse de fazer um top-3 de momentos icónicos seria o penálti do Panenka, o remate do Eder e o golo do Van Basten, em 88, por aqueles que, como eu, cresceram com aquele Europeu e que depois iam para a rua tentar imitar esse remate impossível. Eu acho que temos o momento da imaginação absoluta, no caso do Panenka, o momento da arte quase de museu no remate do Van Basten e o momento da crença absoluta no remate do Eder. Eu acho que são três momentos icónicos que definem três formas perfeitas de ver o que significam os Campeonatos da Europa para a história do futebol.