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Richard, o azeri que nasceu no Brasil e cresceu em Barcelos: “E a comida boa? Bacalhau, sardinha, francesinha. Sou apaixonado por Portugal”

Richard Almeida de Oliveira nasceu em São Paulo, onde começou a jogar, ainda adolescente, no Santo André. Uma viagem dos portugueses António Fiúza e Paulo Alves ao Brasil mudou-lhe a vida: veio para o Gil Vicente, em 2010, destacou-se e, dois anos depois, acabou por se mudar para o Azerbaijão, país que o pai teve de procurar no Google. Aos 32 anos, é internacional pelo Azerbaijão, apesar de não ter sido convocado para defrontar Portugal (19h45, RTP1): "Aceitei ser naturalizado e não 'peguei' nenhum dinheiro por isso, fui de coração, para representar o país e agradecer"

Mariana Cabral

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Primeiro, desculpa por te ter contactado no dia do teu aniversário. Festejaste com a família?
Tranquilo, sem nenhum problema, você não sabia. Comemorei junto com a minha família, a minha esposa, as minhas filhas, a minha sogra, uns amigos da minha equipa com a família deles... Correu tudo bem, graças a Deus, foi bom.

Como está a questão da covid-19 no Azerbaijão?
Eles abriram praticamente tudo já, mas ainda temos de ter distanciamento sanitário, nos restaurantes, nos lugares fechados como os bancos... Acho que é como Portugal também. O número de infetados acho que já esteve por volta de 700 mas está caindo agora, para 400. Como aqui é um país de 10 milhões de habitantes, conseguem controlar bem a situação da covid. Como é lógico, a gente não pode brincar com isso, porque essa doença mata e, poxa, muita gente está morrendo. Não só aqui no Azerbaijão mas no mundo todo, no Brasil, principalmente, está morrendo muita gente... Aqui conseguiram controlar muito bem e ainda bem. A vacina já chegou, estão naquela faixa etária mais velha ainda, mas já estão a vacinar, depois chegará para os mais novos.

Gostas de viver aí?
Olha, o meu dia a dia e da minha família é acordar cedo e fazer a nossa vida. Aqui não são totalmente muçulmanos, é 50%, há muitos russos, ucranianos... O dia a dia é bom, é um país que eu e a minha família amamos. A minha esposa gosta, a minha filha está bem na escola, é um país sensacional. Todo o mundo te respeita, todo o mundo gosta de ajudar as pessoas, principalmente as pessoas que vieram de fora, como nós. São pessoas amigáveis, sentimo-nos abraçados por eles. Não só eu, mas outros estrangeiros também. É um país muito bom para viver, não tem criminalidade, é calmo e tranquilo, e isso para mim é o mais importante, é o que eu mais prezo: a segurança da minha família.

Como é que foste parar aí?
Quando vim para cá, por incrível que pareça, estava com uma oferta do Legia, da Polónia, quando o meu empresário era o José Caldeira, de Portugal. Agora estou com outro, português também, que é o João, uma pessoa sensacional. Na altura ele recebeu a oferta do Legia, foi no meu segundo ano de Gil Vicente, quando acabou a temporada e fui para o Brasil de férias. Ele disse: "Richard, tenho aqui uma proposta de uma equipa da Polónia para você." E eu quis ir, penso que era dois ou três anos de contrato. Então aceitei. Fui dormir. No dia seguinte, acordei e havia uma oferta do Qarabag, do Azerbaijão. Na época, em 2012, o Qarabag ainda não era o que passou a ser, essa potência, entendeu? Quando cheguei cá, o Qarabag ficava em 3.º, 4.º, 5.º... Mas graças a Deus tive oportunidade de vir para cá.

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