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“A história do Jorge Jesus não apostar nos jovens no Benfica é exagerada. Ele não quer é apressar as coisas”

Depois de mais de década e meia na formação do Benfica, onde trabalhou com jogadores como Rúben Dias, Bernardo Silva, Renato Sanches ou João Félix, Renato Paiva aceitou o desafio de viajar para o Equador e treinar o Independiente del Valle, um dos mais interessantes projetos da América do Sul, que chamou a atenção ao vencer a Taça Sul-Americana em 2019. Nesta segunda parte da conversa com a Tribuna Expresso, o treinador de 51 anos fala da formação do Benfica e de como não acredita que a filosofia tenha mudado, do cenário de contrastes que é o Equador e há até espaço para a aparição dos dois gatos que adoptou pouco depois de chegar ao novo país

Lídia Paralta Gomes

Andre Penner - Pool/Getty Images

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Com o trabalho que fizeste no Benfica, imagino que terias algumas opções para treinar em Portugal. Porque é que acabaste por tomar este caminho, digamos, alternativo?
Tive um convite mas como tinha contrato o presidente [Luís Filipe Vieira] não me deixou sair. E era um clube bom, um projeto bom, mas eu tinha contrato e o presidente dizia que eu fazia parte do projeto do clube. Fui tendo convites, é um facto. Mas também tenho de ter noção que saindo de uma equipa B do Benfica não tinha um currículo que me levasse a treinar uma Premier League, uma La Liga. E em Portugal, à partida, só para clubes do meio da tabela para baixo. Na formação eu tinha a oportunidade de lutar por títulos, há essa adrenalina. Na equipa B, na filosofia atual do Benfica, não há hipótese. O FC Porto foi campeão, é verdade, mas com uma filosofia diferente. Estive ali dois ou três anos que foram importantíssimos para o meu crescimento, mas que me custavam, porque na formação tens uma taxa de vitórias de 98% e de repente chegas à equipa B e tens uma taxa de vitórias abaixo dos 50%. Mas isto é assumido pelo clube, e bem. É uma filosofia importante, a ideia de fazer crescer os miúdos. Portanto, estava a sentir saudades e vontade de lutar por títulos. Quando me surge esta oportunidade, primeiro o projeto era encantador, tinha a minha cara na forma de jogar. E depois eu vi que tinha aqui hipótese de lutar por ser campeão nacional do Equador, com essa motivação de poder ser o primeiro a ganhar um campeonato pelo Independiente, e depois também a hipótese de jogar competições internacionais. Em Portugal, para jogar competições internacionais só tinha os três grandes, o Sp. Braga, um Vitória ou um Rio Ave numa boa época e com o meu currículo convenhamos que não era fácil. E ainda por cima, como me disse a minha filha, anos e anos, madrugadas atrás de madrugadas a ver a Taça Libertadores e a Sul-Americana... fez-se luz. Juntando, claro, não vamos maquilhar, à instabilidade dos projetos em Portugal e à estabilidade que este transmitia e ao fator financeiro.

Já se paga bem num clube como o Independiente?
Vim para cá ganhar o que só ganharia nesses três ou quatro clubes. Será menos do que o que se paga nos grandes, mas os outros daí para baixo não pagam o que nós recebemos aqui. E eu com 51 anos e uma filha obviamente que também tenho de olhar pelo meu futuro e pelo futuro da minha família. Foi um conjunto de fatores muito atrativos, com o senão de estar a milhares de quilómetros de casa, de estar na América do Sul, onde eu nunca tinha estado.

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