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Amaro Antunes: "Sem o carregador de água, a equipa não funciona. O ciclismo é uma escola para a vida"

Em entrevista à Tribuna Expresso, o vencedor das duas últimas edições da Volta a Portugal fala sobre a importância do coletivo na modalidade, dos sacrifícios inerentes à vida de atleta e do objetivo de deixar a sua “marca” no ciclismo português. E também das duas francesinhas que comeu logo após a vitória na Grandíssima no mês passado, algo que se está a tornar numa espécie de ritual

Pedro Barata

Luc Claessen/Getty

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O ritual surgiu em 2020: Amaro Antunes, após vencer a sua primeira Volta a Portugal pela W52-FC Porto, comeu uma francesinha. Ora, este ano o algarvio de 30 anos repetiu o triunfo na mais importante competição velocipédica nacional e dobrou a parada gastronómica, comendo duas francesinhas de seguida. “Já lancei o desafio para comer uma terceira, se aparecer a terceira vitória. É até onde a barriga der”, diz, sorridente, Amaro.

Natural de Vila Real de Santo António, o festejo das francesinhas será um dos poucos momentos em que um atleta habituado ao rigor na alimentação se pode permitir um pequeno descuido. Em entrevista à Tribuna Expresso, Amaro Antunes, que nas próximas eleições autárquicas é candidato à Junta de Freguesia de Vila Nova de Cacela, fala sobre as chaves do sucesso num desporto “muito duro”, no qual o "coletivo é fundamental".

Como é o dia-a-dia de um ciclista nas semanas seguintes a vencer a Volta a Portugal?
É bastante agitado, mas é uma agitação por uma boa razão. É a altura em que sou solicitado por toda a gente, sobretudo pelos media. Mas é um motivo de orgulho e, ao fim ao cabo, é algo que me dá motivação para o futuro sendo, também, uma oportunidade para que se possa reconhecer todo o meu esforço.

Logo após o final da Volta esteve a visitar as zonas do Algarve afectadas pelos incêndios. Sendo que muitas dessas zonas são o seu local de trabalho, é algo que o afeta ainda mais?
É um sentimento de grande tristeza ver toda aquela área ardida. No dia em que voltei da Volta a Portugal, dirigi-me logo aos Bombeiros Municipais de Vila Real de Santo António para dar alguns alimentos que me tinham sobrado, como barras energéticas, dado que sei que esses nutrientes são uma forma de alimentação rápida para o corpo, que pode ser útil aos bombeiros. Tentei dar o meu apoio, porque acho que nestes momentos de infelicidade e tristeza é muito importante estarmos unidos e contribuir para melhorar a situação.

Como é que um algarvio se torna trepador como o Amaro? Não é propriamente uma região montanhosa...
É muito uma questão de genética. Temos casos de atletas que vivem no Alentejo e têm também características de trepador. No deporto a genética é muito importante, está relacionado com as chamadas fibras brancas, mas claro que é algo que, depois, temos de trabalhar. Eu tenho trabalhado, ano após ano, no sentido de tentar ser o mais completo possível, porque para vencer uma Volta a Portugal é preciso ser regular todos os dias, seja na montanha, no plano ou no contrarrelógio.

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