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Quique Flores: “Tenho memórias extraordinárias do Benfica. Voltar seria um sonho”

Passados 13 anos da sua chegada ao Estádio da Luz, o técnico espanhol guarda o “carinho” dos adeptos, o “fascínio” por Eusébio e o “respeito” por Rui Costa. Em entrevista à Tribuna Expresso, Quique Flores elogia Rúben Amorim, que treinou no Benfica, tentou levar para o Atlético de Madrid e cujo sucesso enquanto treinador não o espanta. Fala, também, sobre Luís Filipe Vieira, que lhe "pareceu sempre um homem digno"

Pedro Barata

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Está sem equipa desde dezembro de 2019. Como é que tem sido este período?
Eu saí do Watford pouco antes de começar a pandemia e, por estar a treinar há muitos anos de forma praticamente consecutiva, tinha vontade de descansar durante algum tempo. Além disso, queria estar com os meus filhos aqui em Madrid durante a pandemia, não queria viver fora de Espanha neste período. Decidi que ia parar e que voltaria ao trabalho quando tudo estivesse um pouco melhor. Tive contactos, mas não quis ouvir ofertas. Não me sentia capaz de focar-me completamente no meu trabalho, devido à necessidade de estar longe dos meus filhos durante a pandemia. Preferia que a situação suavizasse um pouco. Agora já estou disponível para regressar.

Como é a sua vida quando está sem equipa?
Passo muito tempo com a família. Aproveito para ir ver os meus filhos jogar, que é algo importante porque eles gostam muito que eu esteja presente nos encontros deles [Um dos filhos tem 20 anos e joga no Adarve, da Segunda divisão B de Espanha, e outro tem 18 e está na equipa de juniores do mesmo clube madrilenho]. E dedico muito tempo à minha profissão, que é também a minha paixão. O futebol para mim é mais do que um trabalho e tudo o que esteja relacionado com futebol continua a fascinar-me. Nesta altura tenho tido tempo para fazer coisas para as quais não tenho tanto tempo quando estou a orientar uma equipa, nomeadamente estudar a fundo as inovações técnico-tácticas do jogo. Estudei algumas tendências novas no jogo…

Que tendências?
Sabe que, com as novas normas no pontapé de baliza, o jogo decorre sempre em 100 metros, não é como antes, quando tirávamos 15 metros a cada lado do campo. Além disso, estão a acontecer alterações importantes taticamente, tanto no ataque como na defesa, e claro que, enquanto eu estava a treinar, já ia incorporando essas inovações, mas estando fora tens muito mais tempo para observar, pensar e desenvolver essas ideias.

Quando não está a trabalhar e vê jogos, qual o critério que escolhe para eleger a que partidas assistir? Dá, por exemplo, prioridade a ver jogos de ligas nas quais acha que pode vir a trabalhar?
Eu vejo muito futebol, mas tento ver sobretudo as equipas de que mais gosto. Em linhas gerais, diria que em Espanha, dos 10 jogos de cada jornada, vejo uns seis, da Bundesliga costumo ver sempre o Bayern e o Dortmund, porque são equipas de que gosto. Na Premier League, diria que é como La Liga, assisto a uns seis encontros por jornada. Infelizmente, não posso seguir o futebol português com muita assiduidade. Gostaria de acompanhar o Benfica, mas através dos canais tradicionais a liga portuguesa não é transmitida em Espanha. Ainda assim, devo reconhecer que já fui a ligas que não acompanhava, como os Emirados Árabes Unidos ou a China, mas claro que antes de ir para esses países informei-me bem e vi muita coisa antes de chegar.

Tem-se falado muito no papel dos pais quando vêem os filhos jogar, desde logo porque há alguns que se metem demasiado nas partidas e isso gera queixas dos treinadores. Como pai e treinador, como é que vê essa questão?
Eu digo sempre aos meus filhos que posso falar-lhes muito pouco das questões táticas dos jogos deles, isto porque não sei o que é que pensam os seus treinadores ou o que é que lhes pedem. Quando eu vou, sucede com eles algo que já passava comigo: ficas com o jogo que acabaste de disputar na cabeça, é como se tivesses uma caixa registadora que te faz lembrar de cada detalhe. E então falamos de jogadas ou ações pontuais, eles falam do que viveram, eu digo-lhes qual foi a minha percepção e temos boas conversas. Mas não sou o treinador deles, isso é claro.

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