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Leonardo Jardim: "Não gosto muito do show off que existe à volta do futebol. Há profissões mais importantes para a sociedade do que a nossa"

O treinador português aceitou o convite para treinar o Al-Hilal, campeão da Arábia Saudita, depois de um ano e meio longe dos bancos, em que aproveitou para acompanhar a família e cumprir outro sonho: fazer vinhos no Douro. Aos 47 anos, continua a preferir a discrição ao mediatismo do futebol. E diz que nada o vai fazer mudar.

Lídia Paralta Gomes

Alexandre Dimou/Getty

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Está no Al-Hilal desde junho. Já podemos falar de primeiras impressões?
É um desafio planeado já há algum tempo. Há dois anos fiz uma viagem ao Catar, China e Riade para conhecer, porque a minha perspectiva era quando o meu filho acabasse o 12.º ano vir para um destes países treinar. E agora surgiu a oportunidade de vir para trabalhar na Arábia Saudita. Tem sido fantástico, nos vários níveis, não só a nível de futebol, mas também em termos culturais e comportamentais, a trabalhar num cenário diferente daquele cenário habitual na Europa, principalmente pela questão da religião, com as paragens para as rezas e também devido às condições climatéricas, porque faz muito calor. Em relação ao futebol, temos um campeonato competitivo, porque todas as equipas têm sete estrangeiros.

Horários muito diferentes, suponho.
Trabalhamos mais à noite e a vida cá também se desenvolve mais à noite. Acorda-se tarde e vai-se dormir tarde. Nos treinos teve de haver uma adaptação, treinar às sete, oito da noite, chegar a casa à uma da manhã depois dos treinos. Inicialmente foi o mais difícil de organizar, mas agora quer staff como jogadores estão em sintonia, percebemos que é melhor ir a favor da vaga que é treinar tarde, recuperar bem e acordar tarde, em vez de eles dormirem tarde e terem de acordar muito cedo.

Essa adaptação demorou?
Eu adaptei-me rápido. Mas isso também é uma das características dos portugueses, temos uma grande capacidade de adaptação. Por isso é que somos capazes de trabalhar no futebol e em outras áreas por esse mundo fora. Não somos de queixarmo-nos muito. Existem diferenças grandes, mas o plano também era este: já tinha treinado em Portugal, na Grécia e em França e queria novas experiências. Gosto de conhecer novas culturas, sociedades que olham para a mesma coisa de forma diferente.

Não lhe faltam jogadores que já passaram por Portugal, Marega, Vietto, Matheus Pereira, Carrillo. Mas como é o jogador saudita? Quem por aí passa diz que têm qualidade mas que lhes falta dar o salto na questão do profissionalismo.
Há muitos jogadores com valor e eu estou na equipa que tem mais internacionais. Toda a gente fala desse tal salto, mas não nos podemos esquecer que estes campeonatos e estes países, devido às condições climatéricas, não podem ter jogos com a intensidade que há na Europa. Nós agora na Liga dos Campeões jogámos com uma humidade altíssima e trinta e muitos graus. E isso não existe na Europa. Na Europa com 20 graus os jogadores já dizem que está calor. Não se pode comparar na intensidade. Mas há boa qualidade técnica.

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