Euro 2016

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Vicente del Bosque

O pacificador consensual

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Foto David Ramos

Herdou das mãos de Luis Aragonés uma Espanha campeã da Europa e tornou-a campeã do mundo (2010) e bicampeã europeia (2012). Assim se explica que tenha resistido à eliminação precoce no Mundial de 2014 (não passou da fase de grupos) para liderar a tentativa de fazer história em França: nunca um país conquistou a competição em três edições consecutivas.

Socialista assumido - talvez influenciado pelo pai que esteve preso durante a ditadura de Franco por defender os ideais de esquerda -, estende muitas vezes a sua faceta de conciliador à atividade política. Tão depressa pede tolerância para com os catalães que clamam pela independência como analisa o desempenho dos principais políticos com um toque apaziguador.

É essa a estratégia que também segue na seleção, com resultados visíveis. Apesar de fortemente conotado com o Real Madrid, onde construiu quase toda a sua carreira no futebol (cinco vezes campeão nacional como jogador e duas Ligas dos Campeões obtidas na pele de treinador), promoveu com sucesso um espírito de união entre os jogadores do Real e do Barcelona. Nem o furacão José Mourinho, na sua passagem pelos merengues, fez ruir essa conquista.

Del Bosque está longe de ser um mago das táticas, mas a facilidade no trato com as estrelas da bola faz dele um selecionador quase incontestado num país com várias sensibilidades, tanto no futebol como na política.