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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Silêncio, que o momento foi em memória de Neno

O primeiro ato, na primeira vez que os jogadores da seleção pisaram um relvado em Budapeste, foi para homenagear Neno. O antigo guarda-redes que morreu na quinta-feira, mas perdurou na camisola que Rui Patrício segurou e a seleção aplaudiu antes do arrancar o treino inaugural dos trabalhos no estádio do Vasas. Diogo Pombo é o enviado especial da Tribuna Expresso ao Euro 2020, na Hungria

Diogo Pombo, enviado ao Euro 2020

Diogo Pombo

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A solenidade da entrada deteta-se ao longe. O grupo entra pelo lado oposto do Illovsky Rudolf, até o estádio, por momentos, parece um buraco negro de todos os sons que tudo engole e devolve silêncio, apenas silêncio, enquanto os jogadores da seleção nacional entram no relvado.

Entram com as caras fechadas e pesadas, caminham como uma seta na direção da bancada oposta, onde estão as canetas e os blocos de papel, os portáteis e teclados, os microfones e os tripés que sustentam as câmaras para as quais os futebolistas se comportam neste momento, o que pretendem que anteceda tudo.

O grupo arresta a marcha a uns 15 metros da linha lateral. Os corpos alinham-se de forma a que no meio esteja a virtude dos três guarda-redes, Anthony Lopes e Rui Silva ladeiam Rui Patrício, que fica ao centro a segurar a camisola que honra o virtuoso das balizas que partiu na noite de quinta-feira, já a seleção estava em Budapeste.

Diogo Pombo

O corpo de Adelino Augusto da Graça Barbosa Barros deixou este mundo, tinha 59 anos, mas a memória de Neno vive, o seu nome e o '1' estão nas costas da camisola segurada pelo atual guardião da baliza de Portugal. É a solene homenagem da seleção nas mãos de quem a defende em campo quando tudo o resto falha.

E o silêncio, o estádio enche-se.

Só é quebrado quando os alinhados em campo começam um aplauso conjunto, dura 20, 25 segundos, é correspondido na bancada e Neno agora é o som das palmas das mãos que o recordam e dão nova enchente ao recinto até ser ativado o piloto automático de mais um treino, o primeiro em Budapeste e no complexo desportivo do Vasas.

Lá vão os jogadores para um canto do relvado, juntam-se para, à vez, arrancarem em pequenos piques e ativarem os músculos antes de despertarem os reflexos em espaços curtos. Fazem três círculos, divertem-se em meiinhos e Fernando Santos vê-os de perto.

O selecionador tem os braços recolhidos no costado, a postura é a habitual e a de há cinco anos, em Marcoussis, até as mesmas chuteiras brancas e pretas nos pés como tinha no primeiro treino que seleção fez em França. Nesta estreia em trabalhos na Hungria não passeia lentamente para longe, aqui em Budapeste fica perto, a observar.

Os 15 minutos de amostra para os jornalistas não mostram mais, o tempo acaba e as bancadas ficam sem gente. O silêncio já se tinha ido, mas Neno ficou presente na seleção nacional.