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Euro 2020 - descrição

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O que aconteceu a Eriksen, visto por dois cardiologistas: “Como homem, está safo. Como atleta, tenho muitas dúvidas”

Victor Gil, médico cardiologista, diz que o jogador Christian Eriksen sofreu uma "paragem cardíaca" e que, se não houvesse uma equipa de reanimação no estádio, "muito provavelmente não teria sobrevivido". Para Miguel Mendes, o "homem está safo", mas "o atleta" muito dificilmente poderá voltar

Rui Gustavo

Os jogadores da Dinamarca e paramédicos a circundarem Christian Eriksen, durante as manobras de reanimação feitas no estádio Parken, em Copenhaga, após o jogador cair inanimado durante o Dinamarca-Finlândia

Lars Ronbog/Getty

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"Foi uma paragem cardíaca, é muito mais sério do que uma síncope, que pode ser provocada por uma simples baixa súbita de tensão."

Com a reserva de não estar a observar o doente diretamente, Victor Gil, cardiologista e ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, diz à Tribuna Expresso que o jogador Christian Eriksen, da seleção dinamarquesa de futebol, "muito provavelmente" não sobreviveria se não tivesse sido assistido por uma equipa médica que usou um desfibrilador para o reanimar.

Segundo este especialista, "como o jogador foi reanimado num tempo inferior a dez minutos, em princípio a recuperação será total, mesmo a nível neurológico". O médico, que já fez parte de uma equipa de futebol que prefere não identificar, não consegue garantir que Eriksen volte a jogar: "vai depender dos exames que forem feitos, como é óbvio".

Victor Gil explica que as situações que podem provocar uma paragem cardíaca num atleta de alta competição "são detetáveis" nos exames, mas nem sempre. "Os testes são muito fiáveis, mas não são cem por cento eficazes. Há situações que se manifestam fora dos exames e não são detetadas. Mas a esmagadora maioria dos casos são detetados e é por isso que há muitos atletas que têm de abandonar a alta competição sem uma razão aparente". Casos como o de Eriksen, "são uma exceção".

"Como homem, está safo. Como atleta, tenho muitas dúvidas"

Miguel Mendes, cardiologista especialista em fisiopatologia do esforço, atribui o que aconteceu ao jogador a "uma arritmia maligna muito grave, que provocou uma paragem cardíaca". A situação não é explicável, "nem pelo cansaço, nem por um golpe de calor".

Para este médico, que também já presidiu à Sociedade Portuguesa de Cardiologia, "tem de haver uma patologia por trás". E como Eriksen tem menos de 35 anos, "será um problema do músculo do coração, uma miocardiopatia provocada por uma doença genética ou por arritmias".

Miguel Mendes considera que "o homem está safo", e pela reação que vi não deve ter sequelas neurológicas"; mas "o atleta tenho muitas dúvidas". Porque "há uma patologia que não foi detetada e que agora terá de ser".