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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Eu acredito que as crianças são o nosso futuro

Criem-nas bem e deixem-nas liderar o caminho, já lá cantava Whitney Houston e esta Inglaterra parece querer levar a sério os ensinamentos da diva. Com muita miudagem do meio-campo para a frente os ingleses entraram a ganhar (1-0) naquele que será, no papel, o duelo mais complicado do grupo, frente a uma Croácia que continua a ter um Modric finíssimo, mas a qual falta uma verdadeira referência no ataque onde foi, sempre, inofensiva

Lídia Paralta Gomes

Shaun Botterill - UEFA/Getty

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Abre-se a rede social das mensagens em não mais do que 280 caracteres e depara-se com uma estatística daquelas que nos fazem pensar “que diabo, ele há estatísticas para tudo”. Dizia então o tweet que Phil Foden era o primeiro jogador nascido no século 21 a acertar uma bola num poste para Inglaterra num grande torneio, é daquelas que dá vontade de rir, mas um tweet jocoso às vezes é mais do que um tweet jocoso.

Porque a Inglaterra de 2021 é uma Inglaterra que entra em campo com um onze em que o jogador mais velho é Kyle Walker, de 31 anos, e onde há Mason Mount (22), Declan Rice (22) e Phil Foden (21), até Kalvin Phillips, já com 25 anos, mas um jovem em certa medida, e esta Inglaterra que nos ilumina os olhos, da linha defensiva para a frente, e foi essa Inglaterra que dominou os primeiros minutos do jogo com a Croácia, uma equipa diferente daquela que chegou à final do Mundial 2018.

Foi então Foden, cabelo oxigenado Gazza style e irreverência a condizer (que opções capilares são apenas isso, opções capilares), o primeiro menino a brilhar, logo aos seis minutos: recebeu de Sterling numa jogada rápida que começou num lançamento lateral, bola no espaço, toque para dentro, pé esquerdo, bola no poste e Wembley de pé, de mãos na cabeça.

Os outros apareceram sem terem exatamente de, digamos, aparecer: Rice excelente nos equilíbrio, Kalvin Phillips irrepreensível na reação à perda e ainda perto do golo num remate de ressaca ainda antes dos 10 minutos e a Croácia, basicamente, a ver a bola passar - se aquilo era uma amostra do que veríamos durante todo o jogo, os vice-campeões mundiais estavam metidos em trabalhos.

Chloe Knott - Danehouse/Getty

Mas não foi. Algures a meio da 1.ª parte os miúdos retraíram-se e a Croácia não foi exatamente capaz de aproveitar o momento, sempre com muitas dificuldades em encontrar homens no ataque, na área, na profundidade, enfim, que saudades deve ter Zlatko Dalic de um Mario Mandzukic. Só no início da 2.ª parte se viu mais Croácia, Modric a pegar no jogo, a fazer rolar a bola, mas sempre com dificuldades em encontrar soluções no caminho da baliza.

E, na melhor fase dos balcânicos, apareceu o golo inglês.

Dando um pontapé na monotonia mastigada em que se tinha tornado o jogo, Kalvin Phillips cavalgou, encontrou o movimento de rutura de Sterling e o remate do avançado do City, ainda que embrulhado, foi parar ao fundo da baliza.

Esperar-se-ia que o jogo se tornasse mais aberto com o golo de Inglaterra, não fosse este jogo o cabeça de cartaz do Grupo D, mas fora um lance na área com Kane e um livre direto de Mount, rarearam os momentos de perigo. A Croácia, a jogar boa parte do encontro com Rebic como falso 9, foi uma presa demasiado fácil até para uma Inglaterra que não é exatamente conhecida por defender eximiamente. O rendilhado do meio-campo nunca encontrou soluções na profundidade, nunca teve uma referência ofensiva e assim fica difícil marcar, mesmo que o pé de Modric continue afinadíssimo.

Para Inglaterra é a primeira vitória num jogo inicial de uma grande competição e Wembley continua a ser talismã: a equipa dos Três Leões nunca lá perdeu no Mundial de 1966 e no Europeu de 1996 e a série continua. Mais história? A entrada de Jude Bellingham a meio da 2.ª parte, tornando-se assim, aos 17 anos, no mais jovem de sempre a jogar num Europeu.