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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Sete Câmaras ainda devem 55 milhões pelos estádios do Euro 2004

Leiria é a autarquia mais endividida num campeonato em que apenas Porto e Lisboa estão no verde. Há contas para saldar até 2030

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A estátua de Rui Patrício, junto ao Estádio de Leiria

Paulo Cunha

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55 milhões de euros. É este o valor acumulado das dívidas do Euro em sete Câmaras Municipais que apoiaram a construção de estádios para o Europeu de Futebol de 2004 em Portugal, diz o "Jornal de Notícias" na sua edição deste domingo.

Nas contas feitas a partir dos Relatórios de Gestão e Contas de 2020 das nove Câmaras envolvidas no Euro 2004, apenas Lisboa e Porto estão no verde. Nas restantes sete, o valor da dívida no fecho do último exercício soma 55.204.225 euros, com Leiria a responder sozinha por mais de 1/3 deste valor: 20.000.108 euros.

Elaboradas no momento em que se disputa mais um europeu de futebol e Portugal acaba de se juntar a Espanha numa candidatura ibérica à realização do Mundial de 2030, estas contas mostram que Braga é a cidade mais próxima de Leiria no ranking dos maiores devedores, com €14,5 milhões, com Coimbra a aparecer na terceira posição (€11 milhões). Em Guimarães, a dívida é de €3,4 milhões, superior às de Aveiro (€2,7 milhões), Faro e Loulé (€1,7 milhões cada).

Em causa, diz o JN, estão “empréstimos e derrapagens” nas contas do últimos Euro, “ainda nos oito dígitos para alguns municípios, 17 anos depois”. E há contas para pagar até 2030.

Na verdade, no caso de Braga, as contas ainda nem estão fechados. “O recinto bracarense foi o que teve maior custo por lugar, a maior fatura e a maior derrapagem de todos”, sublinha o jornal sobre este projeto que começou com um orçamento de €37 milhões, mas depois do executivo liderado pelo socialista Mesquita Machado ter decido fazer uma obra “melhor e maior” e chamar o arquiteto Souto Moura, viu a previsão dos custos saltar para os €79 milhões e subir até aos €153 milhões ao longo da obra “devido a acréscimos de preço só contabilizados no ano de 2018, pelo Tribunal de Contas”.

Mais: a fatura imputada ao estádio de Braga ainda pode subir, uma vez que estão em fase de execução duas sentenças que podem chegar aos €9,5 milhões, em benefício do consórcio de construtores e a própria autarquia, diz o jornal, que admite que no final, feitas todas as contas, o custo da "Pedreira", onde joga o S.C. Braga, poderá atingir os €200 milhões.