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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Euro2020. Portugal: manual de sobrevivência num Grupo da Morte

Portugal tem Hungria, Alemanha e França como companhia no Euro2020. Podia ser pior? Dificilmente. Mas a Seleção Nacional já esteve em situações apertadas em ocasiões anteriores. Como no Euro2000

Pedro Candeias

Em 2000, Portugal ultrapassou a Inglaterra, a Alemanha e a Roménia. Chegou às meias-finais

Lutz Bongarts/Getty

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Um texto sobre grupos da morte tem forçosamente um ângulo histórico: o que significam, quantos foram, quantos são e como raio chegámos até aqui; enfim, todos os passos habituais num artigo assim. Para simplificar, as datas serão dispostas cronologicamente, mas primeiro urge esclarecer a última dúvida – como fomos calhar no mesmo saco da Alemanha, França e Hungria?

Opção a): pá, foi azar.
Opção b): completámos a qualificação atrás da Ucrânia e fomos para o sorteio sem o estatuto de cabeça-de-série.

Daí, reuniram-se o vencedor do Mundial2018 e finalista vencido do Euro2016 (França), o vencedor do Euro2016 (Portugal), a mais poderosa das seleções europeias, com quatro títulos mundiais e três europeus (Alemanha); e a Hungria.

#JuntossomosoGrupodaMorte.

Não é inédito, já passámos por isto com resultados satisfatórios e surpreendentes. Antes, porém: história.

O Mundial1970 no México revelou ao Mundo um dos melhores conjuntos de sempre, talentoso, criativo, bonito, desinibido, liderado por Pelé, com Tostão (que recuperava de uma complicada cirurgia a um dos olhos), Jairzinho e Rivelino, o homem que inventou o elástico. O extraordinário Brasil treinado por Mário Zagallo.

No Mundial1970 estrearam-se também as substituições e apresentaram-se os cartões amarelo e vermelho – antes, os árbitros expulsavam os futebolistas ordenando-os que deixassem o campo – e o primeiro ver um foi o soviético Kakhi Asatiani no México - URSS, o jogo inaugural. Asatiani viria a ter um fim trágico, morto a tiro dentro do seu carro, em 2002, quando era vice-presidente de uma companhia privada de aviação da Geórgia.

O Mundial1970 foi também quando nasceu a expressão “Grupo da Morte”: Brasil, Inglaterra, Roménia e Checoslováquia compunham o fortíssimo Grupo 3 e alguns jornalistas mexicanos cunharam este bordão. A partir de então, os emparelhamentos entre seleções tituladas ou candidatas a qualquer coisa, ficariam conhecidas desta forma.

Houve alguns, é verdade, mas do meu ponto vista não tantos quantos os que a crítica gosta de apontar, sobretudo nos Mundiais. Isto, claro, apesar do Argentina, Inglaterra, Nigéria e Suécia (Mundial2002) e do duplo “Grupo da Morte” no Mundial2014 de péssima memória para Portugal, que deixou o Brasil sem pôr o pé na fase a eliminar: Espanha, Países-Baixos, Chile e Austrália (B); Uruguai, Costa Rica, Inglaterra e Itália (D).

É nos Europeus que a coisa realmente aquece, com desfechos bastante convenientes para a tese que estou a formular, que é esta: não nos desenvencilhamos mal em situações de aperto.

Vejamos: Alemanha, República Checa, Itália e Rússia (Euro1996), Alemanha, Inglaterra, Portugal e Roménia (Euro2004), Portugal, Espanha, Grécia e Rússia (Euro2004), Países-Baixos, Alemanha, Portugal e Dinamarca (Euro2012) e agora o Alemanha, França, Portugal e Hungria.

Nas três ocasiões em que ficou sediada em grupos complicados, a Seleção Nacional sobreviveu e chegou a uma final (Euro2004) e a duas meias-finais (Euro2000 e Euro2012), com exibições e golos espetaculares nesses trajetos notáveis.

Num exercício empírico coletivo, passámos por isso a acreditar que nos damos bem e nos excedemos contra grandes adversários, e que relaxamos demasiado com rivais menores. É a portugalidade de chuteiras, mas não faz mal. É uma teoria como outra qualquer, só que esta é boa.