Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Euro 2020 - descrição

Euro 2020 - descrição

Euro 2020

O grande capitão Kjaer, o regresso da Bella Itália, a Polónia e 'aquele' golo de Schick (o melhor e o pior da 1.ª jornada da fase de grupos)

Passou a correr, não foi? A 1.ª jornada da fase de grupo do Euro 2020 já lá vai e a Tribuna Expresso elege a figura, a desilusão, a surpresa, o que tínhamos saudades e um momento desta primeira leva de jogos do Europeu

Lídia Paralta Gomes

Craig Williamson - SNS Group/Getty

Partilhar

A figura

Difícil não relembrar o que se passou no Parken, em Copenhaga, logo ao segundo dia de Europeu. Eriksen caiu no chão inanimado ainda durante a 1.ª parte do Dinamarca - Finlândia e a pronta reação do pessoal médico salvou a vida ao médio do Inter. Houve quem durante estes dias tivesse marcado golos bonitos, quem tivesse batido recordes (olá Cristiano!), houve quem tivesse feito história pelo seu país, mas não há figura maior esta semana do que aqueles bravos jogadores dinamarqueses e a sua frieza para num dos piores momentos das suas vidas exporem-se eles para proteger um colega e amigo.

E nesse grupo de valentes, o espírito de liderança está personificado no capitão Simon Kjaer, o central trota-mundos (aos 32 anos já jogou em seis ligas - está agora no AC Milan), o primeiro a reagir e a colocar Eriksen em posição de segurança, antes de fazer parte do escudo de jogadores que protegeu o jogador dos olhos do Mundo e antes de ele próprio, com Kasper Schmeichel, acalmar a companheira de Eriksen. Um capitão, na verdadeira ascensão da palavra.

Lars Ronbog/Getty

A desilusão

Continuando no Dinamarca - Finlândia, a UEFA não fica bem na fotografia. É certo que os jogadores dinamarqueses e finlandeses terão em conjunto decidido voltar a campo, mas a UEFA, como mediadora, deveria ter optado por proteger os atores e não colocado o ónus da decisão nos ombros de 21 homens que tinham acabado de quase perder um colega em campo.

Nos dias seguintes, multiplicaram-se as declarações de jogadores dinamarqueses e membros do staff da seleção nórdica, arrependidos por terem dito que sim ao retomar do jogo, mas é difícil imputar culpas a alguém obrigado a tomar decisões no meio de uma situação traumática.

A UEFA tinha de ter feito o seu trabalho, e não fez.

No plano meramente desportivo, as duas equipas que, no papel, seriam as mais fortes do Grupo E, Espanha e Polónia, saem desta primeira jornada com resultados abaixo do esperado.

Os campeões europeus de 1964, 2008 e 2012 remataram muito e dominaram a Suécia, mas a eficácia nunca surgiu, naquele que foi o único jogo sem golos da 1.ª jornada da fase de grupos. Já a Polónia, treinada por Paulo Sousa e liderada pelo atual detentor do prémio The Best da FIFA, Robert Lewandowski, caiu perante a Eslováquia (2-1), a seleção menos cotada do grupo, depois de uma exibição, digamos, desbotada.

Stanislav Krasilnikov/Getty

A surpresa

E nem vamos mais longe: a Eslováquia foi mesmo a surpresa da primeira ronda de jogos. Com um coletivo forte e unido, a pressão constante acabou por deixar a Polónia, favorita no jogo, sem reação. Mesmo que a expulsão de Krychowiak, numa fase em que os polacos cresciam, tenha ajudado ao resultado final, os eslovacos pareceram sempre mais equipa, destacando-se a exibição do avançado Duda e do central Skriniar, do Inter, autor do golo da vitória.

O que tínhamos saudades

O estádio cheio durante o Hungria - Portugal trouxe reminiscências daquilo que era o futebol pós-pandemia, algo que já todos tínhamos saudades - a Puskás Arena será o único estádio do Euro que terá sempre lotação total.

Por outro lado, é sempre bom voltar a ver a Itália a regressar em forma às grandes competições, depois do quase escândalo que foi falhar o Mundial de 2018. A vitória por 3-0 frente à Turquia, no jogo de abertura do Euro, em Roma, diz-nos também que a equipa treinada por Mancini pode mesmo ser uma das favoritas ao título.

O momento

O grande golo de Yarmolenko no Holanda - Ucrânia parecia na dianteira para levar a taça de golo da jornada. Até que apareceu Patrik Schick. O jogador da República Checa, que tem tido uma carreira irregular depois de muitos lhe augurarem voos altos, entrou com tudo neste Euro: grande exibição na vitória frente à Escócia, com dois golos e o último uma obra de arte.

Tentar marcar de longe com o guarda-redes fora da baliza é muitas vezes um ato de fé, um aqui-vai-disto, mas neste caso Schick calculou tudo: a força a colocar, o efeito para tornar impossível a defesa, o tempo exato. Um grande golo