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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Ainda existem Laranjas Mecânicas no tempo do 5G?

Os Países Baixos já não tem os Gullits ou os Van Bastens dos anos 80, mas não deixam de ser uma equipa forte e com futebol positivo. Veremos até conseguem chegar. A redação do Expresso conta-lhe uma história por grupo, todos os dias

João Silvestre

Christopher Lee - UEFA/Getty

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Quem, como eu, se habituou a acompanhar Europeus e Mundiais sucessivos sem presença portuguesa – exceção feita aos Euro 1984 e 1996 – até à chegada do século XXI, sabe que tínhamos obrigatoriamente de ter a ‘nossa’ equipa. No meu caso houve várias. Em função de jogadores, de formas de jogar e, em idades mais tenras, da cor do equipamento. Foi a Argentina de Maradona nos Mundiais em 1986 e 1990, o Brasil campeão de 1994 e a Holanda do trio milanês de Gullit, Van Basten e Rijkard. Os três do AC Milan que conseguiram dar a primeira vitória à seleção do seu país que lhes escapava desde os tempos de Johan Cruyff.

O Euro 1988 foi o Europeu da armada holandesa. A verdadeira laranja mecânica em versão anos 80. Com o trio fantástico que ganharia duas Taças dos Campeões Europeus em 1989 e 1990 (os leitores benfiquistas que me desculpem por este pedaço de história). Nessa final contra a União Soviética – sim, ainda havia URSS e Muro em Berlim – marcaram os suspeitos do costume: Gullitt e Van Basten (reveja aqui o resumo desse embate no Estádio Olímpico de Munique a 25 de junho de 1988).

Passaram três décadas, a Holanda já não é a mesma. Mudou até definitivamente de nome para Países Baixos, mas há um fio condutor que liga estas duas seleções: a forma de jogar. O tempo passa, os jogadores mudam e a filosofia mantém-se. Futebol de ataque, jogo positivo, posse de bola. Os protagonistas são outros, é certo, e a mística também. Mas a qualidade está lá e hoje, frente à Áustria pode carimbar já a sua passagem aos oitavos de final. Não é vista como favorita. Mas nunca se sabe. Logo veremos até onde pode ir. Desta vez, não contem comigo para torcer por eles.