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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Aquela correria explica tudo

O capitão da seleção portuguesa fez o primeiro golo do jogo, depois de uma corrida impressionante, e fez a assistência para o golo de Jota. Apesar da qualidade com bola, na ausência dela chegou perto do meio-campo e tentou ajudar a estancar a sangria. A Tribuna Expresso escolhe o melhor cromo de cada jogo de Portugal no Euro 2020 e, contra a Alemanha, foi novamente Cristiano Ronaldo

Hugo Tavares da Silva

Tiago Pereira Santos

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Às vezes nem é preciso falar de futebol, da bolinha que salta de pé em pé, sedutora viajante. Quando um homem, já com tanta rodagem e a mochila cheia de lembranças e amores, corre daquela maneira para a frente depois de cortar a bola num canto, deixando todos para trás, sabemos que estamos perante algo especial. Uma mentalidade insaciável.

Cristiano cortou de cabeça e desatou a correr. A bola, ainda surpreendida certamente, sobrou para o mais leve e inspirado Bernardo Silva, que com a bonita canhota encontrou Jota pela esquerda. A receção do avançado do Liverpool foi perfeita, ótima, útil, a pedir alegria, e a generosidade saltou do bolso desta vez. Cristiano estava à espera e empurrou para a baliza de Manuel Neuer. O número 7 de Portugal celebra assim o 12.º em Campeonatos da Europa, um recorde que se vai distanciando do antigo proprietário, Michel Platini (9).

Dito isto, esta vossa Tribuna Expresso vem atribuir o prémio de figura do jogo, do lado lusitano, a Cristiano Ronaldo. Outra vez. Se no primeiro jogo até esteve em termos de exibição abaixo de homens como William, Danilo, Pepe e até de Rafa, mas os golos importantes e dignos de menções históricas lhe valeram a distinção, desta vez foi outra coisa.

Cristiano teve ambição, o golo já descrito denuncia-o, teve qualidade, foi talvez mais 9, mais posicional do que nunca, por isso serviu de pivô e tocou algumas bolas com os colegas, uma ferramenta que poderá ser muito útil a Portugal, e foi solidário. Defendeu perto dos médios, pedalou, saltou nos duelos, fez o que faz uma equipa que está a sofrer: sofreu.

Alexander Hassenstein

Na única altura cinzenta da Alemanha, a seguir ao 1-0, que talvez provocou alguma dúvida nos alemães, Ronaldo teve até um momento mágico, daqueles que podiam passar em loop o dia todo, todos os dias. Tocou por cima de Rudiger, foi atrevido e meteu as mãos por baixo da bola, como se fosse Houdini, e tocou de calcanhar enquanto mirava alguém enamorado na bancada. Estava bem, notava-se que estava feliz.

Cristiano fez mais do que o golo, para além de ter ambição, ter qualidade, ser solidário e mágico ao mesmo tempo, fez também a assistência para Diogo Jota, no 4-2. Esteve dentro do jogo, mas, com tão pouca bola, era expectável que estivesse ausente. Mas sejamos justos, já que por vezes também gritamos às montanhas das sete cores no norte da Argentina sobre o seu ego, e que se diga: houve postura de capitão, aquele sentimento de “sou mais um”. Esteve ao lado dos outros, na tristeza e na doença que é não ter a bola.

De acordo com os dados do Sofascore, Ronaldo tocou na bola 45 vezes, acertou 89% dos passes, dois deles decisivos, completou três dribles com sucesso (100%), ganhou oito dos 10 duelos pelo chão, triunfou em três dos cinco duelos aéreos. Até os números falam bem dele.

Desta vez, os outros foram melhores, muito melhores, é certo, mas, tal como referimos no outro texto sobre a figura do jogo, a ameaça que representa Cristiano ainda anda por aí, aos 36 anos, e isso é incontornável.