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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

De tanto levar frechada do teu olhar, o Álvaro lá marcou. Mas a Espanha continua sem ganhar

Álvaro Morata, debaixo de fogo, fez o golo da Espanha, com assistência de Gerard Moreno, que falharia um penálti. Robert Lewandowski empatou, de cabeça, na segunda parte. Espanha só tem dois pontos, Polónia de Paulo Sousa em último do grupo

Hugo Tavares da Silva

Julio Munoz - Pool

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Na telefonia podiam ter cantarolado, nos últimos dias, a senhora Elis Regina e o senhor Adoniran Barbosa, com a canção “Tiro ao Álvaro”. O debate sobre o 9 da seleção tem sido alimentado pela imprensa espanhola, o que levou Luis Enrique, o selecionador, a avisar: “Será Morata mais 10” contra a Polónia, a aflita Polónia que perdeu com a Eslováquia na jornada inaugural.

Se há debate, há ideias, há outras opções. O que estava em cima da mesa, então? Gerard Moreno, o avançado canhoto do Villarreal que se fartou de marcar golos esta época. A surpresa, que foi mais surpresa depois daquele anúncio na véspera, chegou quando faltava uma hora para o arranque: Gerard Moreno também estava de início, saltava Ferrán Torres. Ou seja, Morata a 9, Moreno partindo da direita para o centro, como faz no seu clube.

A Espanha, que teve sempre muita bola durante o jogo, embora nem sempre a frescura mental para encontrar os melhores caminhos, começou melhor, principalmente com a combinação Marcos Llorente, Koke e Moreno. Era um triângulo das Bermudas ao contrário, ali nada desaparecia, só aparecia ouro, a promessa de invenção de jogadas para golo. E foi assim que nasceu o golo da Espanha, aos 25’: Gerard Moreno puxou para dentro, para o pé esquerdo, meteu uma bola rasteira venenosa e Morata acertou no “álvaro”. O futebolista, que nem festejou logo, desconfiado claro, foi agradecer ao treinador. O orgulho de um avançado, e como abana, é das coisas mais sensíveis que existem no mundo.

Karol Swiderski foi o primeiro a ameaçar do outro lado, e depois foi a vez de Piotr Zielinski, que chutou ao poste. A Polónia, que não tinha a bola em 78% do tempo, ia-se levantando e ia-se espreguiçando no campo.

Bastaram nove minutos da segunda parte para Robert Lewandowski finalmente molhar a sopa. Aymeric Laporte não se colocou devidamente, perdeu a posição depois de um toque do avançado polaco do Bayern Munique e pediu falta. Nada feito, o árbitro deu o OK: 1-1.

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Logo a seguir a Kacper Kozlowski se tornar no mais jovem futebolista de sempre a jogar um Europeu, a Espanha ganha uma grande penalidade, aos 56', depois de Gerard Moreno ser pisado. O número 9, que só o é nas costas, pegou na bola para assumir a responsabilidade. A prestação ia sendo impecável, dando muitas soluções aos colegas, abrindo na direita no início das jogadas e depois, quase como se nada fosse, surgia na posição para finalizar na área. Moreno correu para a bola, bateu com a canhota e bola no poste. Na recarga, para resolver ou complicar o debate, Morata chutou para fora com a baliza deserta. Os dois avançados, no coração do nervoso debate, falharam e foram atingidos com uma “frechada” na confiança.

Segundo o Playmaker do Zerozero, falharam de penálti para a Espanha, em Europeus, Dani (1980), Carrasco (1984), Michel (1988), Raúl (2000), Sergio Ramos (2016) e, esta noite, Gerard Moreno.

A Espanha foi batendo à porta, com menos tino e fineza, faltava se calhar a inteligência de Thiago para descobrir espaços. Morata quase foi o herói, depois de Sarabia amortecer uma bolinha na pequena área praticamente: o corpo de Wojciech Szczesny foi imenso e cancelou o conto de fadas. O triângulo da primeira parte já não existia, Koke e Moreno já haviam saído. Na esquerda, só raramente Pedri, muito mais discreto do que no jogo contra a Suécia, encontrava Jordi Alba. Os minutos passavam e a preocupação aumentava. Até que o último apito soou.

Os polacos, treinados por Paulo Sousa, sorriam e celebravam. Os espanhóis demonstram algum desconforto, são já dois empates e sinais pouco animadores. A Espanha está na terceira posição do Grupo E, com apenas dois pontos, atrás de Suécia e Eslováquia, com quatro e três pontos, respetivamente. A Polónia, em último, tem um ponto e ainda pode sonhar com o apuramento.