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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Egészségedre! Hungria cancela passeata gaulesa e está na bulha no Grupo F

Depois de uma boa primeira parte, com inúmeras ocasiões de golo por parte dos franceses, foi a Hungria que marcou, por Fiola, já em cima do intervalo. Griezmann empatou e igualou Alan Shearer como terceiro melhor marcador da história dos Campeonatos da Europa, com sete golos

Hugo Tavares da Silva

Tibor Illyes - Pool

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Anda esta gente da camisola branca-elegante a tocar na bola como os deuses para empatar um jogo com um chutão do guarda-redes. Foi isso que aconteceu no França-Hungria, em Budapeste, quando a rapaziada da casa surpreendeu a Europa inteira e colocou-se na frente do marcador antes do intervalo.

Didier Deschamps, que ganhou o Europeu como jogador em 2000, colocou na esquerda Lucas Digne, o lateral canhoto do Everton. Do outro lado, Marco Rossi fez também só uma alteração: Loic Negó, nascido em Paris, entrou no 11 da Hungria.

Os húngaros começaram atrevidos, mais até do que com Portugal, inflamados pelo sol e pela energia que vem do lado de fora. A Puskás Arena esteve ao rubro. Mas rapidamente, com salpicos de classe de Kanté, Karim Benzema, Antoine Griezmann e do irrequieto Kylian Mbappé (que jogada quando deixou três para trás e rematou cruzado, para fora), os francês empurraram os generosos e solidários futebolistas de vermelho e branco.

A primeira parte foi um festival de golos falhados. Houve beleza na maneira de jogar, pela descoberta de caminhados variados. Houve dribles, liberdade, entendimentos de quem se entende, houve também mais preponderância, é certo, dos avançados e de Kanté, que é muito mais do que um homem que pedala e pedala e pedala. É fino, sereno.

Pogba e Rabiot, que chegou a soltar o cabelo e deu uns ares de Ginola, estavam e estariam discretos, culminando na substituição de ambos na segunda parte. Paul Pogba tem muitas valências e virtudes, mas uma delas, porventura a melhor, não foi possível devido ao posicionamento da defesa da Hungria: bolas redondas nas costas da linha defensiva.

Peter Gulacsi ia enchendo a baliza. Negou, durante a partida, golos que pareciam certos a homens como Mbappé e Benzema, que também acabaria substituído, mais por obrigação de mexer-se nas coisas do que por incompetência do avançado. E até uma bola inacreditável em que Griezmann tinha a baliza escancarada e, apesar do fora de jogo, o guarda-redes se esticou, paralelo à relva, e defendeu. Enorme, o guarda-redes do Leipzig (e como ele festejou no final do jogo). Esses momentos, claro, enchem a alma dos companheiros e permitem a tal crença que engradece os que têm menos recursos

Alex Pantling

A Hungria, já sem a referência e camisola 9 Ádám Szalai (lesão), ia tentando o rigor defensivo que mostrara contra Portugal, mas os franceses têm outra qualidade e iam entrando por todos os lados. Mas, lá está, só contam as que entram e a de Fiola, Attila Fiola, entrou, aos 45’+1. Pavard e Varane perderam os seus duelos e a Hungria chegou-se à frente no marcador. Roland Sallai, do Friburgo, ia mostrando-se a bom nível, assim como Adam Nagy, o médio do Bristol City, que quer jogar e dar soluções.

A segunda parte trouxe Ousmane Dembélé, a quem bastaram dois minutos para, como se não tivesse articulações ou pecados nas pernas, fintar dois rivais e chutar a bola ao poste. Foi Rabiot que saiu. Deschamps colocou em marcha uma espécie de 4-2-4.

Numa altura em que a França não estava assim tão bem, embora estivesse a pressionar a defesa húngara, um chutão de Hugo Lloris acabou nos pés de Kylian Mbappé. O número 10 cruzou, um defesa magiar cortou, mas a bola sobrou para Griezmann, que fez com facilidade o empate.

O golo do avançado do Barcelona permite-lhe igualar Alan Shearer como terceiro melhor marcador da história dos Campeonatos da Europa, com sete golos. À frente do gaulês está um compatriota, Michel Platini (9), e Cristiano Ronaldo, que neste Europeu já celebrou o 10.º e 11.º golos nesta competição.

Tolisso, Giroud e Lemar, este pelo tocado Dembélé, entraram para agitar as coisas, mas ninguém conseguiu desatar o nó. O último lance aconteceu depois dos 94', um cabeceamento de Varane para fora.

Apito final da Puskás Arena: egészségedre!, que é como quem diz "saúde" ou "cheers" quando os copos e as garrafas se esfregam e chocam. Os húngaros celebraram com o seu povo, que enchia aquelas bancadas, com vénias, abraços e sorrisos. Estão felizes.

Está consumada a grande, enorme, surpresa do Euro 2020. A Hungria, que muitos já colocavam de lado nas conversas das contas, mete-se assim na luta pelas vagas nos oitavos de final. Portugal e Alemanha, as outras equipas do Grupo F, entram em campo às 17 horas.