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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Com Memphis há mais blues

Mesmo com os Países Baixos já apurados, o avançado recém-transferido para o Barcelona não descansou frente à Macedónia do Norte e ainda fez um golo e uma assistência numa nova parceria no ataque com Malen, que pode trazer coisas boas à equipa de Frank de Boer. A Holanda venceu por 3-0 é um dos possíveis adversários de Portugal caso a seleção nacional passe aos oitavos de final

Lídia Paralta Gomes

KOEN VAN WEEL/Getty

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Chegar à última jornada de uma fase de grupos com o privilégio conquistado de não ter de se preocupar com nada - porque a qualificação e o 1.º lugar estão assegurados - permite essa coisa rara que é ter-se uma espécie de wildcard para tentar algo de novo a meio de um Campeonato da Europa.

E sem mudar em demasia aquilo que é o seu sistema, Frank de Boer fê-lo no encontro frente à Macedónia do Norte, ao começar o jogo com Donyell Malen na vez do matacão Wout Weghorst, rapaz de quase dois metros da cabeça aos pés. E o que poderia bem ser um jogo apenas para cumprir calendário, poderá ter mostrado a luz aos Países Baixos.

Porque com Malen, o ataque dos Países Baixos torna-se mais móvel, mais rápido. E Memphis Depay é capaz de agradecer.

Recém-contratado pelo Barcelona, o avançado entendeu-se às mil maravilhas com o novo companheiro, aproveitando os espaços que a Macedónia do Norte invariavelmente foi deixando, ao entrar em campo com um onze mais virado para a frente do que nos dois primeiros jogos, uma despedida corajosa da equipa dos Balcãs, que fez no Euro 2020 a sua estreia em grandes competições.

Olaf Kraak - Pool

E os primeiros lances de perigo foram mesmo da Macedónia do Norte, que marcou cedo, aos 9’, num lance em que tentou aproveitar a profundidade entre a defesa a três dos Países Baixos e só não conseguiu porque Trajkovski estava ligeiramente adiantado. Aos 21’, o mesmo Trajkovski rematou ao poste num remate frontal, após passe de Goran Pandev, a fazer o último jogo pela sua seleção, com a mesma visão de jogo e varinha mágica do primeiro.

E seria neste ligeiro ascendente balcânico que surgiria o primeiro golo dos Países Baixos, um contra-ataque perfeito conduzido a velocidades mais ou menos ilegais por Malen, que combinou com Depay e depois fez o cruzamento, dando de novo para Depay marcar na área. Simples, talvez até um pouco cruel para os macedónios, mas ali estava escarrapachado aquilo que a rapidez de Malen pode fazer por esta Holanda.

Logo de seguida Dimitrievski evitou mais um golo do defesa-artilheiro Dumfries, em novo ataque rápido e de processos simples, com a equipa de Frank de Boer a sair para o intervalo já no controlo da situação, perfeitamente confortável no seu jogo, mas nem por isso com vontade de gerir, apesar das duas substituições feitas pelo treinador no início da 2.ª parte.

Porque os primeiros 15 minutos após o intervalo terão sido os mais potentes da Holanda, com De Ligt quase a marcar de cabeça após um canto e, depois, com Memphis Depay a brilhar. É dele o cruzamento para o 2-0, golo de Wijnaldum aos 51’ e aos 58’ é ele que recebe o passe interior de Malen para o remate que Dimitrievski ainda conseguiu segurar, mas que Wijnaldum encostou na recarga.

Naquele momento, a Arena de Amesterdão era a Beale Street de Memphis e com Memphis bem e com a cabeça no sítio, há sempre mais blues nos Países Baixos.

ANP Sport/Getty

A partir daí, com 3-0, o resultado estava feito, em mais um jogo em que Frenkie de Jong cobriu o meio campo e os atacantes holandeses tiveram sempre grande facilidade em aparecer na área. Entrado para os aplausos para Depay, Weghorst ainda enviou um potente remate à barra, aos 67’, e a partir daí a Macedónia do Norte tentou por tudo o seu bolinho de honra, nunca tendo a permissão da defesa dos Países Baixos para o fazer. Da parte da equipa da casa, já a cabeça estava na fase a eliminar, onde Portugal pode ser um dos adversários.

Bonito ainda o momento da saída de Goran Pandev, com direito a pasillo dos colegas, que perdem aqui a referência máxima do futebol do jovem país, que teve ainda assim o privilégio de se despedir ao levar a sua equipa a um grande palco.