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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Fernando Santos: "Se estiver ao nível normal, Portugal tem tudo para jogar com a França. Temos de fazer o que fizemos em 90% dos jogos"

O selecionador nacional salientou que, "no mínimo", Portugal terá de igual a França no que "todas as equipas do mundo podem fazer - trabalhar bem, ser organizado e solidário no jogo". Fernando Santos falou na antevisão ao último encontro da fase de grupos (quarta-feira, 20h, RTP1) e lembrou uma coisa: "Não podemos fazer contas, os jogadores sabem disso. Só dependemos de nós"

Diogo Pombo

UEFA

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A equipa afundou contra a Alemanha. Está corrigido?

"Isso foi uma parte do que disse, não podemos cortar a meio. O que disse foi que, a seguir ao jogo, todos os que fazem parte do grupo de trabalho sentimos a derrota e afundámos no sentido positivo do termo - não vínhamos alegres nem satisfeitos, não estava tudo bem.

Mas também disse que a equipa, no dia a seguir, já estava reagir e em curva ascendente. Era uma questão de tempo. Temos jogadores muito experientes, em equipas de topo, há sempre momentos de equipas que jogam no topo em que não ficam bem com a derrota. Mas estão habituados a reagir, é algo muito comum nos nossos jogadores, porque estão habituados a jogar ao domingo e à quarta-feira".

A falta de agressividade (faltas) foi trabalhada?

"Não é ao nível do treino que se melhora essa agressividade, são parâmetros estratégicos. Só se formos fazer um treino de boxe ou com os Rangers, há uns anos até fazia isso. Jogámos no sábado, um calor incrível, temos tido 34.º e 35.º, temos é de recuperar os jogadores.

Analisámos bem o jogo, todos fizemos essa introspeção e penso que todos chegámos a uma conclusão semelhante: a matriz de Portugal não esteve no jogo com a Alemanha. Houve coisas positivas, sim, houve vontade e tal, mas uma equipa que sofre quatro golos é porque alguma coisa não está a correr bem.

Todas as equipas que querem ganhar coisas têm de defender bem e atacar bem, se não fizerem ambas não vão conseguir. Temos de fazer o que fizemos em 90% dos jogos, não é mais do que isso".

A forma de atacar da França

"Serão abordagens diferentes em termos estratégicos. Contra a Hungria eles atacavam com quatro, jogam com dois na frente e incorporação dos laterais. Contra a Alemanha, eles jogavam com dois da frente na mesma, mas só com dois médios. Sabíamos que, no mínimo, tínhamos de garantir igualdade numérica, temos bons jogadores para isso e para não termos que ter superioridade.

A França terá um ataque diferente. Os médios da Alemanha raramente atacavam a profundidade. A França joga com três avançados móveis, com médios que atacam bem a profundidade e, portanto, não temos a questão de na última linha haver superioridade numérica do adversário, quanto muito haverá igualdade.

Se tivermos níveis de concentração e melhorarmos a intensidade, e, depois, quando tivermos bola, sairmos a jogar e obrigar o adversário a deslocar-se e a desgastar-se... Temos de fazer o que as equipas grandes fazem - atacar bem, defender bem".

O que será diferente na estratégia (e as contas)?

"Esquecer a Hungria é esquecer contra quem jogou no último jogo. O resultado foi 1-1 e isso abriu-lhes a porta do jogo com a Alemanha, ainda conta para o apuramento. Não podemos fazer contas, os jogadores sabem isso.

Sabemos, obviamente, que só dependemos de nós e já sabíamos antes destes resultados acontecerem. Não era algo de que tivéssemos de estar à espera. Partimos para este jogo sempre na condição de dependermos de nós próprios. Sabendo isso, agora temos de fazer o nosso trabalho em campo em todas as variantes - estratégicas, mentais, solidariedade, etc.

Esperamos da França uma grande equipa, a pegarem em cima e a não darem espaços, a jogarem muito concentrados. Mas dependemos de nós, isso é importante".

Vai fazer alterações?

"O Nuno Mendes não treina há sete dias, está fora de questão. Ele ontem fez um aquecimentozinho e pronto. Gostávamos muito de poder contar com ele, como com todos.

Talvez vou mudar todos [ri-se]. A questão não passa por aí. Mas o cansaço natural, o calor, é preciso perceber que este Campeonato da Europa teve paragens a meio do jogo, até a própria organização percebe que não está a ser fácil, até estamos a treinar à tarde para poupar os jogadores ao desgaste.

Agora, consoante as nossas análises, vamos tentando perceber o estado dos jogadores. Mas há uma questão fundamental, que é o estado mental. Hoje de manhã até tentei ir dar uma corrida de manhã, mas estava um calor monumental. Agora, se estivesse lá o meu filho, claro que iria logo".

A análise aos franceses

"Não comparo ataques, o jogo não será três contra três, é onze contra onze. Se a França defendesse mal ou não tivesse médios tão intensos, com tanta capacidade, que disputam todas as bolas no limite e chegam a todas, nem tivesse dois jogadores na linha defensiva super rápidos... Claro que toda a gente sabe que o Benzema, o Mbappé e o Griezmann são bons jogadores, mas estão dentro desse padrão.

O que vai importar é equilibrarmos o que todos podem fazer. Todas as equipas do mundo podem fazer uma coisa - trabalhar bem, serem organizados e solidários no jogo. Sabemos que a França vai fazer isso e, no mínimo, igualar a França nisso. Depois sim, tentarmos fazer mais. Vamos ter que estar fortíssimos em todos os parâmetros de jogo, sem exceção".

Os jogos anteriores contra a França

"Os dois jogos que foram avaliados [em outubro e novembro], mais estes do Europeu, vimos que o Mbappé jogou mais por fora mas a aparecer muito por dentro. É preciso que os jogadores percebam que há comportamentos diferentes, mas, de resto, continua forte nos mesmos parâmetros de jogo.

Contra a Alemanha, até houve a novidade de o Griezmann jogar quase toda a segunda parte como lateral direito, a servir contra-ataques, e fê-lo bem, dando uma lição de pragmatismo a muitos bons jogadores. Mas o que nos serviu de base foi, essencialmente, esses dois jogos [de outubro e novembro]. Foi mostrar-lhes isso, dizer que o tínhamos de fazer.

Nesses dois jogos, o de Portugal teve a ver com o posicionamento que não tinha sido adequado. Mas, em termos do fundamental para estes jogos - o compromisso com o jogo a todos os níveis -, Portugal esteve nos dois jogos. Desde que Portugal esteja no seu nível normal, tem tudo para jogar com a França.

Ao contrário de 2016, em que a França entrou um bocadinho a achar que 'pronto, são os portugueses', nestes últimos dois jogos já não foi isso".