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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

E o burburinho desapareceu

Espanha vence Eslováquia por 5-0, termina em segundo lugar do Grupo E e vai encontrar a Croácia nos oitavos de final, na próxima segunda-feira, em Copenhaga

Hugo Tavares da Silva

Fran Santiago - UEFA

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Em tempos, por ocasião de um churrasco com um jornalista, Diego Simeone sentou a família à mesa, com Gustavo Lopez, um ex-companheiro com quem dividia o quarto nas concentrações da seleção argentina, para falar de futebol. A certa altura, Simeone disse que não havia pior do que ouvir o burburinho nas bancadas. Não eram os insultos, os assobios, nada, eram os desabafos que saíam baixinho para os ouvidos da cadeira ao lado. A dúvida assombra.

A seleção espanhola entrou em campo esta tarde, em Sevilha, com milhões de burburinhos na alma. O avançado está bloqueado. O que entrou para ajudá-lo falhou um penálti. O meio-campo, que estava fino fino na primeira parte da jornada inaugural, já não era o mesmo. E a Espanha somou dois empates, com Suécia e Polónia.

Então, o selecionador, Luis Enrique, decidiu mudar.

Entraram César Azpilicueta, Eric García, Sergio Busquets e Pablo Sarabia. Bom, mas sobretudo, senhores, entrou Busi, Sergio Busquets, um homem que deve ficar a magicar o jogo em casa como a rapariga do xadrez de “The Queen's Gambit”, uma série da Netflix. O médio do Barcelona recuperou depois de contrair covid-19 e apareceu com a qualidade que habituou o mundo. Isto é, explicou, jogando, como se joga futebol.

A Espanha começou praticamente com um penálti a favor. Álvaro Morata estava pronto para fazer as pazes com as redes das balizas dos outros. Mas Martin Dubravka defendeu, prolongando a agonia do avançado da Juventus, que assim imitou o que Gerard Moreno fez contra a Polónia.

Mas o golo chegaria, desta vez com a contribuição do futebolista que negou pouco antes a alegria coletiva dos espanhóis: depois de uma remate à trave de Sarabia, Dubravka sacudiu a bola para dentro da baliza.

A Espanha ia-se soltando. Koke apresenta-se a um grande nível. E o 2-0 chegou, depois de um passe maravilhoso de Pedri, um craque que ficou muito feliz certamente com o regresso de Busquets, Gerard Moreno conseguiu antecipar-se ao guarda-redes e cruzou para o coração da pequena área. Ali, Aymeric Laporte meteu a cabeça na bola e tranquilizou uma nação inteira.

David Ramos

Os espanhóis estavam a divertir-se com a bola, com aquela qualidade no passe que conhecemos e reconhecemos, é a identidade, a apertar à frente. Do outro lado, a Eslováquia de Hamsik e companhia já não mordia, causou poucos problemas durante o jogo.

Depois de uma bela jogada em que se descobriu Alba (boa exibição) pela esquerda, Sarabia meteu o terceiro golo da tarde. Os adeptos sorriam como quem não tem problemas na vida. Ferrán Torres entrou aos 66’, por Morata, e marcou no minuto a seguir, comprovando que o universo pode ser muito cruel com um homem. O avançado do City encostou de calcanhar. Morata continua a sonhar com os golos.

A 20 minutos do fim, o genial Busquets deu o lugar a Thiago Alcântara. O médio do Barça mereceu uma ovação, tal como iam acontecendo à medida que a Polónia recuperava do 0-2 contra a Suécia (um sentimento que seria esvaziado pelo gordo tardio dos suecos, que ganhariam 3-2 e conquistariam o primeiro lugar do grupo).

Um minuto depois, Juraj Kucka marcou na própria baliza, havia manita para a Espanha. Segundo o Playmaker do zerozero, é o oitavo autogolo neste Campeonato da Europa.

Luis Enrique mexeu e a equipa encontrou-se, principalmente com o golo, que já sabemos que depende de tanta coisa, principalmente da confiança dos futebolistas, dos timings e da caprichosa bola.

A Espanha divertiu-se, divertiu, tranquilizou os compatriotas nas bancadas e nos cafés. Pela primeira vez este país, que ganhou três edições do Campeonato da Europa (1964, 2008, 2012), marcou cinco golos num Europeu.

Bueno, que dizer? Os rapazes são bons. E o burburinho desapareceu.