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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Não há duas sem três? Eslováquia quer manter registo limpo em fases de grupos de grandes competições, mas tem pela frente Espanha e o calor

Eslovacos chegam à última jornada do grupo E numa surpreendente posição de vantagem: têm mais um ponto do que os espanhóis e um empate dá-lhes grandes possibilidades de seguir em frente. Para ver esta quarta-feira, a partir das 17h (Sport TV 1)

João Pedro Barros

Marek Hamsik, aqui com companheiros de equipa num treino no Estádio Olímpico de La Cartuja, é o capitão e principal figura da equipa

MARCELO DEL POZO

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A Eslováquia era o patinho feio do Grupo E do Euro 2020, em que Espanha era a clara favorita e Suécia e Polónia pareciam destinados a lutar pelo segundo lugar. Os astros ainda se podem alinhar dessa forma, mas a verdade é que a Eslováquia entra na última jornada (que se disputa esta terça-feira, às 17h de Portugal continental) no segundo lugar (3 pontos), à frente de Espanha (2 pontos). Tem missão difícil, mas tudo em aberto para se apurar para os oitavos de final, algo que a seleção capitaneada por Marek Hamšík conseguiu sempre na participação em grandes competições.

Poucos terão isso em mente – exceto os próprios adeptos eslovacos, claro –, mas foi o que aconteceu no Mundial de 2010 e no Europeu de 2016 (a equipa só existe desde a dissolução da Checoslováquia, em 1993, tendo a primeira tentativa de qualificação sido para o Euro 1996). Em ambos os casos, o país de leste estava longe de ser favorito: em 2010, na África do Sul, bateu a Itália por 3-2 (o grupo tinha ainda Nova Zelândia e Paraguai) e, em 2016, em França, arrancou um empate (0-0) frente a Inglaterra que lhe permitiu ser um dos quatro melhores terceiros classificados (deixando de fora a Rússia e com Gales no primeiro lugar).

Os apuramentos foram sempre conseguidos na última jornada e a ferros, uma curiosidade que o defesa Tomáš Hubočan (que fazia parte da equipa de 2016) notou, em declarações após a derrota de sábado frente à Suécia (1-0), em declarações citadas pelo jornal “Marca”: "Para nós é uma situação idêntica. Sempre conseguimos passar no último jogo do grupo com o resultado de que necessitávamos. Espanha, depois de dois empates, tem a faca na garganta. Sente pressão. Mas jogam em casa, terão o público a seu favor nas bancadas a dar-lhes força".

Há outro momento que os meios de comunicação eslovacos têm citado como inspiração para o encontro de mais logo: uma vitória por 2-1 frente a Espanha, em outubro de 2014, no caminho do apuramento para o Euro 2016 e que encerrou um ciclo de oito anos dos ibéricos sem derrotas. O árbitro será o mesmo: o holandês Björn Kuipers. Em relação a esse jogo, estão ainda na equipa eslovaca sete jogadores, enquanto de Espanha apenas restam cinco: Jordi Alba, Sergio Busquets (que deve regressar à equipa, após ter recuperado de infeção com covid-19), Koke, David de Gea e César Azpilicueta.

O fator calor

A equipa espanhola, além de teoricamente mais forte e de jogar em casa – faz os três encontros da fase de grupos em Sevilha –, quer tirar ainda vantagem das condições climatéricas. À hora do jogo, na capital da Andaluzia, os termómetros devem marcar à volta de 32 graus centígrados. Eram estas as condições com que a equipa da casa contava em toda a competição – na partida anterior, frente à Polónia, esteve bem mais fresco – e por isso os treinos na Cidade do Futebol de Las Rozas, nos arredores de Madrid, foram feitos geralmente durante a tarde, nas horas de maior calor.

Por sua vez, os eslovacos chegam a Sevilha vindos de São Petersburgo, na Rússia, onde disputaram os outros dois encontros do grupo. Apesar de também terem encontrado temperaturas altas na Rússia, o impacto térmico pode ser violento, como assinalou Hubočan, em declarações transcritas no andaluz “Estadio Deportivo”: "Dizem que em São Petersburgo há dois meses de bom tempo, durante o verão. Apanhámos essa época e é raro que tenha estado assim o tempo todo e precisamente na segunda quinzena de junho. Mas assusta-nos que em Sevilha vão estar quarenta graus e muita humidade", admitiu.

O médico principal da equipa também já delineou a estratégia: "Estamos a falar sobre isso e já conversei um pouco com os jogadores sobre a melhor maneira de lidar com isso. Ou seja, falámos da frequência da ingestão de bebidas, das escolhas que fizemos das bebidas isotónicas, porque é conveniente jogar com uma camisola mais leve para arrefecer o corpo... São alguns conselhos que nos podem ajudar", explicou, em declarações citadas pela “Marca”.

O calor também tem efeitos no estado do relvado, de que os jogadores espanhóis já se têm queixado, bem como o português Paulo Sousa, selecionador polaco. Há ainda mais zonas amarelas e secas do que nos outros dois encontros anteriores, apesar dos esforços dos tratadores de relva do recinto, conta a comunicação social espanhola.

Milan Skriniar, da Eslováquia, em ação no jogo da fase de grupos frente à Suécia (0-1)

Milan Skriniar, da Eslováquia, em ação no jogo da fase de grupos frente à Suécia (0-1)

Dmitry Lovetsky / POOL

As contas do grupo

Há múltiplas possibilidades para a definição do grupo e Eslováquia e Espanha tanto podem terminar em primeiro como em último. A Eslováquia pode apurar-se para os “oitavos” caso vença a Espanha ou até se empatar e a Suécia (quatro pontos) evitar uma derrota. Há igualmente a hipótese de perder e ainda assim passar como uma das melhores terceiras, o que quererá dizer que o terceiro do Grupo F (posição atualmente ocupada por Portugal) sofreria uma derrota pesada nesta última jornada.

Já a Espanha garante o apuramento caso vença a Eslováquia. Se empatar termina em terceiro lugar, isto desde que a Polónia não ganhe o seu jogo. Se os polacos ganharem e se acontecer um empate no Espanha-Eslováquia, Suécia, Eslováquia e Polónia ficam empatadas com quatro pontos e seguem todas em frente, eliminando a Espanha.