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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Tudo o que precisa de saber sobre os oitavos de final do Euro está aqui - Parte II

Depois dos confrontos de sábado e domingo, os oitavos de final seguem na segunda e terça-feira, com direito a um Inglaterra - Alemanha em pleno Wembley

Lídia Paralta Gomes

picture alliance/Getty

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Croácia - Espanha

28.06 - 17h
@ Estádio Parken, Copenhaga

Começou lenta a Croácia no Europeu, com uma derrota frente à Inglaterra, bradando-se aos céus quem iria marcar os golos que Luka Modric, Mateo Kovacic e Marcelo Brozovic construíam na linha média, mas que se tornavam inconsequentes num ataque órfão de um Mario Mandzukic. Frente à Rep. Checa, a opção em Rebic como vagabundo lá na frente voltou a redundar numa mão de quase nada e só com a chamada de Nikola Vlasic e de Bruno Petkovic ao onze no derradeiro e decisivo jogo com a Escócia se auscultaram vislumbres daquela seleção que há três anos na Rússia chegou à final do Mundial. Ainda assim, a qualificação da Croácia para os ‘oitavos’ do Euro 2020 tem um nome e apenas um: Luka Modric. Frente à Escócia escreveu uma das grandes exibições individuais do torneio, colorida com um golo de trivela à entrada da área, só ao alcance de um par de génios do futebol. Esta é a última oportunidade da Croácia, que faz quase tudo bem até chegar à área - a partir daí as coisas complicam - e Modric, no alto dos seus quase 36 anos, sabe disso.

É provável que há uma semana Espanha não fosse favorita neste encontro, depois de dois empates embaraçosos frente a Suécia e Polónia, mas a exhibición frente à Eslováquia e consequente vitória por 5-0 já terá sido uma melhor radiografia daquilo que pode valer a equipa de Luis Enrique. Morata continua com uma nuvem negra atrás de si, mas há Gerard Moreno, o avançado que marca e dá a marcar, há a magia do miúdo Pedri e, sobretudo, há agora o cérebro de Sergio Busquets, regressado à equipa depois de recuperar da covid-19. É certo que houve alguma sorte à mistura nos golos - o lance do autogolo de Dubravka é, digamos, bizarro - mas mais do que o resultado, já houve fluidez, ideias, aquela qualidade de passe e toque de bola tão espanhóis e, de repente, a Espanha volta a ser uma das equipas a ter em conta quando falamos desse palavrão chamado “título”.

França - Suíça

28.06 - 20h
@ Arena Nacional, Budapeste

Esta França é, até ver, um caso bicudo. Porque parece ainda não ter aparecido na sua plenitude o poder de fogo e a flexibilidade que o trio Mbappé, Griezmann e Benzema dão na frente, os ataques vertiginosos e tudo isso que faz dos campeões mundiais em título muito provavelmente a equipa - pelo menos no papel - mais temível deste Europeu. Ainda assim, a qualificação para a fase a eliminar foi tranquila, no 1.º lugar de um grupo com Alemanha e Portugal, ainda que com apenas uma vitória, precisamente no primeiro jogo, com os germânicos, onde nem sempre foram a melhor equipa em campo. É possível que, frente aos suíços, que desiludiram na primeira fase, França possa ter o seu jogo mais tranquilo desde que começou o Europeu.

Porque a Suíça viu-se e desejou-se para passar aos ‘oitavos’ - fê-lo sendo um dos melhores terceiros - oferecendo ao País de Gales o papel de segunda equipa do Grupo A depois de não conseguir bater os galeses na 1.ª jornada da fase de grupos. Perdulários no ataque (Seferovic e Embolo são os mais culpados) e muito erráticos na defesa, fragilidades que se viram principalmente no jogo frente a Itália, valeu aos helvéticos o talento individual de Xherdan Shaqiri, viciado em marcar golos enormes nas grandes competições, para bater a frágil Turquia e assim colocarem-se em posição de conseguir a qualificação para a fase a eliminar. Frente aos franceses, erros básicos de posicionamento defensivo como aqueles que aconteceram com os italianos, serão, muito provavelmente, fatais.

TF-Images/Getty

Inglaterra - Alemanha

29.06 - 17h
@ Wembley, Londres

É o jogo de maior cartaz destes oitavos de final do Euro 2020 mas com duas equipas ainda envoltas em dúvidas. A Inglaterra e sua armada juvenil (Mount, Rice e Foden, entre outros) prometeram qualquer coisinha nos primeiros minutos do jogo com a Croácia, mas o encontro de râguebi com a Escócia (0-0) deixou Gareth Southgate no centro das críticas, acusado de não arriscar, de ter jogado para não perder frente aos vizinhos, de não tirar o melhor de Harry Kane na frente. No jogo com a República Checa, a chegada de Jack Grealish e Bukayo Saka ao onze trouxe mais criatividade e Kalvin Phillips tem sido um dos melhores médios do Europeu, uma espécie de pêndulo no centro, o homem dos equilíbrios. Talvez se deva muito a ele o facto de esta equipa, que aterrou no Euro 2020 com nomes para o ataque capazes de criar ondas de suor nas testas dos adversários, chegar na verdade à fase a eliminar sem golos sofridos - ingleses e italianos foram os únicos a consegui-lo.

Já a Alemanha apurou-se para os oitavos graças a um golo de Leon Goretzka já aos 84’ - com direito a coração para os adeptos húngaros -, no culminar de uma fase de grupos de altos e baixos e em que estiveram fora do Euro durante boa parte da última jornada. Portugal sofreu na pele (e muito por culpa própria) aquilo que uma estratégia perfeita da Alemanha pode causar e os estragos que acontecem ao dar-se espaço a Kroos, Gundogan e aos laterais. Mas os germânicos também mostraram algumas debilidades no processo defensivo, em conter ataques rápidos - frente à seleção francesa, e apesar da boa reação na 2.ª parte, a derrota só não foi mais pesada à conta de uns foras de jogo milimétricos. Contudo, frente à inexperiência inglesa, a bem mais adulta Alemanha poderá encontrar os espaços que tanto gosta para jogar. Apesar dos percalços da 1.ª fase, a equipa de Joachim Low parece favorita em Wembley.

Suécia - Ucrânia

29.06 - 20h
@ Hampden Park, Glasgow

É o duelo mais anticlimático destes oitavos de final mas não deixa de haver mérito na forma como as duas equipas aqui chegaram. Desta Suécia, que terminou a fase de grupo à frente da Espanha, não se esperem salamaleques e rococós: é uma seleção pragmática, compacta, que defende bem, confiando depois na inspiração de Alexander Isak e Emil Forsberg para resolver lá na frente - Forsberg leva já três golos no Europeu, dois dos quais frente à Polónia, numa vitória que alavancou os suecos para o 1.º lugar do Grupo E. A experiência e a frieza pode ter um papel fundamental, nomeadamente frente a equipas flutuantes.

Como é o caso da Ucrânia. Apontados como um potencial dark horse deste Europeu, a equipa treinada por Andriy Shevchenko divagou entre os momentos de grande qualidade, de futebol bonito, rápido e atrevido, com fases de descontrolo total, nomeadamente na hora de defender. Travar o talento de Zinchenko e Malinovskiy a meio-campo foi uma estratégia não poucas vezes ganha pelos adversários - nomeadamente a Áustria -, e dar liberdade a estes rapazes pode ser a morte do artista. Além que, em dias bons, Yarmolenko e Yaremchuk metem medo na frente. Com duas derrotas na fase de grupos, frente à Holanda e Áustria, estão nos oitavos ao serem os piores entre os quatro melhores terceiros classificados.

  • Vêm aí os oitavos: o que podemos esperar? - Parte I
    Euro 2020

    Terminada a competitiva e benevolente fase de grupos, o Euro 2020 começa agora a aquecer, finalmente com jogos a eliminar: País de Gales-Dinamarca, Itália-Áustria, Países Baixos-República Checa e Portugal-Bélgica são a primeira fornada, já no sábado e domingo