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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Fernando Santos: "Nem a Bélgica vai marcar nenhum jogador meu homem a homem, nem eu o vou fazer. Temos de ter atenção ao conjunto"

Na antevisão aos oitavos-de-final contra a Bélgica (20h, TVI), o selecionador nacional avisou, mais uma vez, para os pontos fortes coletivos do adversário, que "marca muitos golos e raramente os sofre", como Portugal, mas alertou, mais uma vez, para o perigo que virá Kevin de Bruyne se a seleção nacional lhe de tempo e espaço para pensar com bola

Diogo Pombo

Fran Santiago - UEFA

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Trocar um forno por outro não é apenas e só isso, em Sevilha o calor é mais seco, o sol mais tórrido e talvez por isso o estádio em La Cartuja pareça tão queimado, tão incaracteristicamente futebolístico quando se sai do autocarro que dá boleia até às proximidades e, o resto, que se faça a pé.

O bege tingido de deserto, árido no olhar, cobre toda a estrutura do recinto olímpico que, visto de fora, está como se fosse um mero edifício; é como se aqui repousasse o resultado de uma obra erguida para servir de escritórios, acolher corpos encamisados e engravatados, não humanos equipados e com chuteiras.

As primeiras palavras de Fernando Santos em Sevilha são ditas no interior do estádio inaugurado em 1999, de propósito para os Mundiais de Atletismo e, por isso, tem uma pista de atletismo à volta do relvado que a UEFA cobre com uma carpete azul, escarrapachando o símbolo do Euro 2020 atrás das balizas. Nesse logótipo está a taça ao centro, a que Fernando Santos quer arrebatar a 11 de julho - para lá chegar, esta "é a primeira final e as finais ganham-se, não se jogam".

Os portugueses que jogam com belgas nos clubes

"A mim, compete fazer a abordagem em termos estratégicos e o que é a qualidade do jogo nos vários momentos do jogo, e também onde terá menos qualidade, onde estarão os aspetos menos fortes a explorar. Depois, entre eles, já sabem quem remata melhor, etc. Agora, puxar um jogador para uma palestra e pedir-lhe para falar no jogador A, B ou C, não seria adequado.

Sabemos que não podemos conceder espaços ao adversário pela qualidade que tem, que não podem jogar sem a nossa interferência; são jogadores que têm boa meia-distância; que o seu jogo muda consoante jogarem em 3-4-3 ou 3-4-1-2, essa abordagem é que tenho de fazer para que os jogadores possam estar preparados, dar-lhes a perceber os tais pontos menos fortes.

Neste jogos grandes e numa final como é esta, que é a primeira final para estarmos na final, o que temos de fazer é, na realidade, não dar espaço. A equipa que souber defender melhor e gerir melhor a posse da bola é a equipa que vai ganhar este jogo".

A largura do jogo da Bélgica

"A minha expetativa é que joguem três no meio-campo, com o De Bruyne mais avançado, em 2x1, o que estaria mais perto do que foi o posicionamento da Hungria, mas a Bélgica não é uma equipa de contra-ataque. Quando jogam três a meio-campo, o Lukaku é mais o pivô central da equipa e o Mertens à direita e o Carrasco à esquerda.

A Alemanha jogava com os três muito móveis e a ocupar muito espaço na área. O Lukaku é muito para segurar a bola, muito para servir de pivô, quase como o futebol de cinco, mas se jogarem com só dois médios já é mais para se projetar. Temos de estar ao nível do que fizemos com a França e a Hungria, ao nível do não dar espaços e não deixar pensar os adversários.

A Bélgica tem oito golos marcados, mas Portugal tem sete. Temos condições para fazer golo, para criar, é isso que temos de fazer".

Vai fazer alterações na equipa?

"Temos de manter os nossos princípios, se fizermos alterações na equipa é porque entendemos que, naquele jogo, com as características que queremos jogar - não a pensar no adversário, senão seríamos uma equipa pequenina. Amanhã [domingo] vamos ver, a equipa descansou bem nestes quatro dias. Vamos ter aqui o último treino, vamos ver quem serão os 11."

(bate na madeira duas vezes, como que a afastar o mau-olhado e os azares.)

A Bélgica e o coletivo

"Esta equipa joga junta há muito tempo, antes até de 2016 que jogam praticamente todos juntos. Reflete muito bem o que Portugal também tem sido - uma equipa que faz golos e raramente sofre. Quando recuperamos essa matriz e temos capacidade para criar ofensivamente fica mais perto de ganhar. E temos de ter atenção à Bélgica no seu conjunto, depois há jogadores que podem

Nem a Bélgica vai marcar nenhum jogador meu homem a homem, nem eu o vou fazer, mas temos de ter atenção a momentos importantes, como não baixar muito as linhas junto à área, não permitir que os remates fora da área possam aparecer e não permitir a subida dos laterais. Estamos nesta final para a ganhar, as finais não se jogam, ganham-se. Mas sabemos que vamos ter pela frente um adversário muito competente".

O que os mais novos da seleção veem em Ronaldo?

"Esta equipa tem 11 jogadores que também jogaram em 2016, o Ronaldo não é uma novidade agora, é uma referência para os jovens do futebol português desde que, ao fim de cinco ou seis anos de ter vindo da Madeira, começou a jogar na equipa principal do Sporting".

Jogar com uma linha defensiva de quatro jogadores

"Há muitas equipas que jogam a quatro, a Itália e a França, e depois há quem jogue a três, isso é de acordo com as características dos jogadores do que o treinador acha que fará melhor à equipa. Da mesma forma que, se um treinador entende as características dos centrais funciona melhor com dois, então muda, tudo vai de acordo com o que entendemos que são as características dos nossos jogadores - e como achamos ser a melhor maneira de as potenciar".

  • Fernando Santos quer morrer com as suas ideias, não é com as ideias dos outros
    Euro 2020

    A falta de critério defensivo durante aquela hora desastrosa em Munique voltou a ser tema, também o foram as coisas que ainda faltam a Portugal na definição das jogadas, nos últimos 20/30 metros do campo. Houve conversa informal entre o selecionador nacional e os jornalistas, esta quinta-feira, em Budapeste, e Fernando Santos lembrou, uma vez mais, que jogar bem é uma coisa binária, é defender tão bem quanto se ataca. E garantiu: não há seleção que conquiste coisas sem o fazer