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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

“No outro dia estava a falar com um colega e comentámos 'talvez Portugal'. Seria incrível". Estibaliz pediu Portugal em Sevilha. E aconteceu

Desde março do ano passado, o Euro 2020 é o primeiro grande evento desportivo que não só recebe adeptos, como também permite um estádio totalmente cheio (Budapeste) e o regresso da livre circulação entre países europeus. Um desafio para a UEFA e para as 11 cidades envolvidas. Como Sevilha que teve apenas dois meses para garantir a segurança, saúde e entretenimento dos espectadores. A Tribuna Expresso falou com Estibaliz Manzaneque Corona, coordenadora da comunicação com os adeptos da UEFA na cidade andaluza, que há duas semanas nos falava do desejo de receber Portugal em Sevilha. Republicamos este texto, originalmente de 21 de junho

Rita Meireles

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Se organizar o Euro 2020 tem sido uma longa maratona para a UEFA, fazê-lo em Sevilha foi um autêntico sprint para a equipa envolvida. Na passada segunda-feira, dia 14, as seleções de Espanha e Suécia disputaram o primeiro de quatro jogos no Estádio La Cartuja, em Sevilha. Mas dois meses antes, a cidade nem sequer estava nos planos para a competição.

Bilbau foi a cidade espanhola eleita para receber os jogos, mas em 2021 o plano foi alterado e Sevilha entrou em cena. Os factos que justificam a mudança passam pelo plano de vacinação, a reabertura da economia e a expetativa de que as temperaturas mais altas desacelerem a propagação do vírus, tudo isto a nível local. Os jogos passaram, assim, para o Estádio La Cartuja, com a garantia de adeptos na bancada.

“Sabíamos que não ia ser o Euro que era suposto celebrarmos no ano anterior”, afirma à Tribuna Expresso Estibaliz Manzaneque Corona, coordenadora da comunicação com os adeptos da UEFA em Sevilha, mas “a UEFA queria espectadores em todas as cidades, mesmo que fosse apenas 20% [da capacidade do estádio], eles queriam algo”.

Pouco mais de um ano depois do início da pandemia, mais do que devolver o futebol aos adeptos e recuperar a energia que só eles passam, o objetivo da organização passava por transmitir uma mensagem positiva ao mundo. “Eu sei que é difícil ter a ocupação [do estádio] a 100%, mas mesmo só 20% é positivo, também para as pessoas verem que as coisas estão a melhorar aos poucos”, diz Estibaliz. Para a UEFA era importante ter todas as cidades alinhadas nesta decisão de receber os adeptos.

Ainda assim, a tarefa não se avizinhava fácil para a coordenadora e a restante equipa. Nos dois meses que tiveram para preparar tudo foi necessário garantir a segurança e entretenimento dos adeptos, assim como o cumprimento das regras impostas devido à covid-19. É que ainda que o plano seja o mesmo para todas as cidades anfitriãs, a verdade é que, no que à pandemia diz respeito, cada caso é um caso e por isso é necessário ser adaptado. Natural de Bilbau, Estibaliz, que nem se lembra de ter pensado se queria ou não mudar-se para Sevilha, tal foi a urgência da situação, faz o contacto com os espectadores através do website e da aplicação do Euro 2020 de forma a garantir que tudo corre bem.

Estibaliz Manzaneque Corona tem como responsabilidade a comunicação com os adeptos que vão assistir aos jogos do Euro 2020 em Sevilha.

Estibaliz Manzaneque Corona tem como responsabilidade a comunicação com os adeptos que vão assistir aos jogos do Euro 2020 em Sevilha.

Segurança é prioridade no Euro 2020

Os adeptos que assistem aos jogos em Sevilha estão sujeitos a uma série de regras que já conhecem desde o início da pandemia, como o uso obrigatório da máscara ou a obrigatoriedade de distanciamento social. Espalhados pelo recinto existirão também diversas zonas com desinfetante.

A capacidade do estádio está reduzida e só há lugar para cerca de 14 mil adeptos. Outra das medidas que evita os ajuntamentos são os intervalos de tempo recomendados nos bilhetes para a chegada de cada pessoa ao estádio, sendo que as portas abrem três horas antes do jogo. Através do website e da aplicação do Euro 2020, Estibaliz controla as notificações enviadas aos adeptos, que são no fundo uma lembrança constante das regras em funcionamento. Por outro lado, consegue personalizar a experiência ao ponto de indicar num mapa o melhor caminho para cada pessoa dependendo da porta do estádio por onde entra e do lugar onde se encontra. Mais uma forma de evitar ajuntamentos.

Quando questionada sobre se o comportamento dos adeptos vai corresponder às expectativas, Estibaliz coloca a vontade de regressar à normalidade como um indicador de que todos querem que as coisas corram bem. “Eles estão muito felizes porque isto está a acontecer e as pessoas querem ir ao estádio, ver um jogo de futebol, viver a experiência ao vivo. As pessoas querem mesmo regressar à normalidade”, afirma.

Se por um lado os dois meses foram suficientes para garantir a presença de adeptos no estádio e a sua segurança, por outro algumas coisas ficaram por fazer em Sevilha. A football village ou as zonas dedicadas aos fãs, que marcam presença em outras cidades do Euro, não existem nesta, e “não por causa da situação pandémica, mas por uma questão de tempo”. Para Estibaliz acaba por ser uma situação positiva por ser “muita coisa para organizar”, principalmente tendo em conta a proteção dos adeptos relativamente à covid-19. O Sevilha Spectacular, um espetáculo de luzes, foi o único que não ficou de fora.

Bem-vindo, Portugal!

No caso de Portugal terminar no terceiro lugar do grupo F, no dia 27 de junho irá encontrar o primeiro lugar do grupo B, em Sevilha. “No outro dia estava a falar com um colega sobre o último jogo e comentámos 'talvez Portugal'. Seria incrível", diz Estibaliz.

Antes disso, por Espanha passam ou já passaram, além da equipa da casa, as seleções da Polónia, Suécia e Eslováquia. Para a coordenadora, se os adeptos dessas equipas, que vêm de cidades mais longe, viajam para os jogos mesmo em tempo de pandemia, então os portugueses não irão faltar. “Se Portugal jogar aqui vai ser casa cheia de certeza”, garante. A enchente de portugueses em Sevilha não os assusta, muito pelo contrário, é algo esperado e desejado pela organização espanhola.

A incerteza foi uma constante ao longo do último ano, não só no Euro 2020, mas na vida de todas as pessoas, e mesmo agora que os jogos já estão a decorrer é impossível prever o dia de amanhã. “Algo que aprendemos é que tudo é possível", diz Estibaliz, garantindo que se a situação começar a mudar as medidas serão avaliadas no momento e de forma rápida. “Tudo pode acontecer, mas vamos viver o presente”, conclui.