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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Em quatro minutos o mundo dá a volta. E depois dá a volta outra vez

A Suíça fez cair a campeã mundial França num jogo emocionante, com voltas e reviravoltas, em que os helvéticos começaram a ganhar (e a dominar taticamente), falharam uma grande penalidade, sofreram três golos e ainda tiveram forças para empatar 3-3. E um jogo assim só se podia resolver nas grandes penalidades, em que a fava calhou ao menino Mbappé, o único a falhar e a ditar mais um adeus precoce de um favorito neste Europeu

Lídia Paralta Gomes

JUSTIN SETTERFIELD

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Até ao minuto 55’, o que aconteceu em Bucareste foi o seguinte: Suíça a dominar taticamente a França, a jogar melhor, a criar mais, os campeões do Mundo perdidos em campo e num sistema de três centrais trazido por Deschamps para mitigar o avolumar de lesões dos laterais.

O golo de Seferovic, logo aos 15’, num cabeceamento irrepreensível do avançado do Benfica, era a face visível no marcador de um jogo que os suíços pareciam ter na mão. E aos 55’, nova oportunidade. Daquelas passíveis de matar um jogo. Carrinho de Pavard a Zuber na área, VAR, grande penalidade e o 2-0 ali tão perto.

Mas Lloris parou o remate de Ricardo Rodriguez e partir daí tudo virou. Vendo a frincha emocional a abrir-se por entre as cabeças helvéticas, a França carregou e aos 57’ e 59’ fez a reviravolta, dois golos de Karim Benzama e finalmente alguma da vertigem que esperaríamos do ataque francês, que melhorou quando Deschamps, ao intervalo, voltou a um sistema de quatro defesas.

Em quatro minutos, o que parecia certo, o que seria mais uma surpresa nestes oitavos de final do Euro, virou completamente e a normalidade do favorito que bate o mais humilde impunha-se.

Paul Pogba ainda aumentaria a vantagem para 3-1, num tiraço de longe, super colocado, um dos grandes golos deste Europeu. Aos 75’, tudo parecia fechado, história feita, um dia inglório para os suíços que estavam com um pé nos quartos de final, com a hipótese de mandar para casa o campeão do Mundo, e em meros minutos se auto-destruíram.

FRANCK FIFE

Mas o que virou uma vez, pode sempre virar de novo. Com o 3-1, a França afrouxou, deixou-se levar com a enganosa certeza que já estava nos quartos de final, já a pensar nesse grande duelo com a Espanha. E aí, mais uma vez, Vladimir Petkovic foi mais lesto que Didier Deschamps. Tal como minutos antes a França tinha visto o descalabro emocional dos suíços, os helvéticos aqui cheiraram o relaxamento: foram para cima e aos 81’ Seferovic marcou de novo de cabeça. E aos 90’, o suplente Gavranovic, num grande trabalho à entrada da área, tirou Kimpembe da frente e fez o empate com um remate cruzado.

3-3, ou como o mundo dá várias voltas em 90 minutos.

No prolongamento, o jogo seguiria a toada do tempo regulamentar: futebol de ataque, vivo, com oportunidades para os dois lados, Xhaka de um lado e Pogba do outro a alavancarem as suas equipas, gente muito cansada, agarrada aos músculos, mas sem desistir de jogar, de colocar intensidade. Assim são os grandes jogos.

E com um encontro assim, mais um depois do incrível Croácia - Espanha (3-5), era mais que natural que tudo se resolvesse nas grandes penalidades. E aí, quem falhou? Tão só Mbappé, o craque, o menino de quem tanto se esperava neste Euro, no quinto e último penálti a lançar a bola para a luva expedita de Sommer.

E com mais uma surpresa, segue este Euro de grandes jogos na fase a eliminar. A Suíça tem agora encontro marcado com a Espanha.

  • Ainda não imitaram aquela noite em Coimbra, Johan
    Euro 2020

    Zidane marcou primeiro naquela tarde soalheira de junho, em mais um encontro do Euro 2004, e os suíços, depois de um erro de Silvestre, desenharam uma belíssima jogada que culminou no golo de Johan Vonlanthen, que se transformou no mais jovem futebolista de sempre a marcar num Campeonato da Europa, uma marca que ainda resiste 17 anos depois. Porque hoje há França-Suíça (20h, SportTV1), a Tribuna Expresso recorda a carreira do futebolista natural da Colômbia que pendurou as botas duas vezes