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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Ricardo Rocha: "O Modric é muito tranquilo, sabes, uma pessoa muito humilde, pacata. Dávamo-nos bem, sempre na brincadeira"

Defesa central português jogava no Tottenham quando Luka Modric foi contratado ao Dinamo Zagreb. Porque esta segunda-feira há Croácia-Espanha (17h, TVI), a Tribuna Expresso conta a história desta fotografia de Ricardo Rocha e Luka Modric

Hugo Tavares da Silva

Michael Regan - The FA

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O que achaste da fotografia que te mandei [em cima]?
Eh, pá, é muito engraçado, não me lembrava dessa foto. Foi antes da meia-final da Taça que jogámos, em 2010, Portsmouth e Tottenham. Como tínhamos sido companheiros de equipa no Tottenham, voltámo-nos a ver, tanto a ele como ao [Vedran] Ćorluka. Tínhamos uma boa relação quando estávamos no Tottenham e aí nessa fotografia dá para ver que era assim, pela forma como estamos os dois. Foi um prazer revê-lo.

E não correu nada mal o jogo.
Não, não correu nada mal, ganhámos. Levámos um massacre do Tottenham, mas aguentámo-nos, e depois conseguimos fazer dois golos e vencer. Ainda por cima fui o melhor em campo nesse jogo e ficámos apurados para a final com o Chelsea.

Lembras-te quando Modric chegou ao Tottenham? Já tinhas ouvido falar nele?
Não, por acaso não [tinha] pá, mas lembro-me que na altura andava um hype muito grande no clube pela contratação que ia ser, pelos valores envolvidos. Acho que na altura, se não me engano, foi contratado para aí por 20 ou 25 milhões. Depois de ouvirmos essa possibilidade, comecei a prestar mais atenção e tinha reparado que era uma das vedetas do Dinamo Zagreb, era uma geração muito boa da Croácia, com jogadores de muita qualidade. Na altura, o diretor desportivo do Tottenham tinha muito essa vontade de ir buscar jovens de muita qualidade, também foi buscar o [Gareth] Bale ao Southampton. Pelos valores envolvidos e pelo que se dizia dele, provou-se tudo [certo], com o que fez no Tottenham e depois com a transferência para o Real Madrid e o jogador que tem sido desde então. E até ganhou um prémio internacional de melhor jogador do mundo.

E achavas que com aquele corpinho se ia dar bem na Premier League?
Não, por acaso quando ele chegou tínhamos, nós jogadores, algum receio. A Premier League é muito forte fisicamente, há muito contacto, mas ele, com a qualidade técnica e o posicionamento, conseguiu ambientar-se muito bem, evoluir e adaptar-se àquele futebol. E depois foi só colocar a qualidade que sempre teve e continua a ter em prol do clube para ser o jogador que foi e que continua a ser.

Dizias que se davam bem tu e os croatas, como era ele no dia a dia?
É muito tranquilo, sabes, uma pessoa muito humilde, pacata. Ali, no Tottenham era assim: havia o grupo dos ingleses, que eram vários; havia o grupo dos franceses, que também eram alguns, até porque o diretor desportivo era francês; e depois havia os restantes [risos], e normalmente dávamo-nos bem uns com os outros. Não sei se vieram na mesma altura, ele e o Ćorluka, que veio do Manchester City, tínhamos uma boa relação, principalmente no treino, de falarmos um pouco, estarmos juntos, etc, não para lá do treino, a nível pessoal, mas no treino, balneário e clube dávamo-nos bem.

O que te impressionava mais em Modric dentro de campo, nos treinos e nos jogos, porque é diferente e especial?
Ele é muita coisa. A tranquilidade que ele tem com bola, a técnica dele, o posicionamento, a visão de jogo, tudo isso é de um jogador completo. Posso dizer que é um jogador completo, na altura era muito jovem e já se notava toda essa qualidade. E, depois, ele foi muito importante para a evolução da própria equipa, que depois com a chegada do [Mauricio] Pochettino conseguiu chegar a outro nível. Mas sem dúvida que ele foi um dos protagonistas da equipa do Tottenham, por isso é que foi contratado pelo Real Madrid, também pelo papel fundamental de líder que tem na seleção croata.

E as conversas com ele, tens ideia se eram sobre o jogo, futebol ou outra coisa qualquer?
Não me lembro, não me lembro, sei que nos dávamos bem, estávamos sempre na brincadeira. Estava a tentar lembrar-me do que falávamos, até do que falávamos nessa foto, mas não faço a menor ideia [risos], já lá vão muitos anos, foi em 2010.

Agora sobre o Europeu. Estás a gostar?
Sim, acho que tem sido muito bom. Há várias seleções que estão em grande nível, têm sido muito interessantes os jogos. Também há algumas equipas que à partida parecia que não poderiam causar muito furor, mas que têm estado em grande nível. Depois de uma época difícil para todos os jogadores, para todas as equipas, com um calendário muito apertado, uma exigência muito grande fisicamente para os jogadores, estão ali em grande nível. Temos visto grandes golos e grandes jogos.

Há alguma seleção que não podes deixar de ver e que estás a gostar muito?
Creio que acima de tudo a Itália tem surpreendido toda a gente, pelo futebol que tem praticado, também pelos jogadores de qualidade que tem. Certamente é e será um dos candidatos a vencer o Europeu, mas há várias seleções de grande nível, vai ser muito competitivo até ao fim, principalmente agora que entramos nos oitavos de final na fase a eliminar [conversa com Ricardo Rocha foi antes do Itália-Áustria].

Nunca jogaste um Europeu, estava aqui...
Não, pá, infelizmente não consegui. Foi a única coisa que não consegui e que gostava de ter concretizado.

Nunca estiveste perto?
Eu fiz ali ainda uns jogos de apuramento, em 2008, mas depois acabei por não ser um dos escolhidos na altura. Portugal sempre teve jogadores de grande qualidade, principalmente na posição em que eu jogava, a central. A concorrência era realmente muito forte e obrigava-nos a todos a fazer mais e melhor, mas não aconteceu. Encarei isso de uma forma natural.