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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

E agora ficaram só oito: os quartos de final do Euro arrancam esta sexta-feira e está aqui tudo o que precisa de saber sobre eles

Suíça-Espanha, Bélgica-Itália, Rep. Checa-Dinamarca e Ucrânia-Inglaterra: será daqui que sairão os semi-finalistas do Euro 2020. Há potências mas também muitos outsiders e tudo arranca sexta-feira, às 17h, em São Petersburgo com o embate entre helvéticos e espanhóis

Pixsell/MB Media/Getty

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SUÍÇA-ESPANHA

02.07 - 17h (TVI)
@ Estádio Krestovsky , São Petersburgo

Será um interessante duelo entre as seleções que saíram vivas e bêbadas de alegria daquele que foi porventura o mais grandioso dia de um Campeonato da Europa - uns estreiam-se nos “quartos”, outros já venceram a prova três vezes. Os espanhóis marcaram 10 golos nos últimos dois jogos, nada mau para quem, segundo a crítica, nada sabia sobre esse ofício. Busquets, Pedri e Laporte vão sendo geniais. Apesar de ter muito futebol nos pés, esta seleção treme mentalmente, assim foi depois daquele inusitado golo na própria baliza de Unai Simón. É isso que a Suíça, que deixou a França pelo caminho, pode tentar explorar. O jogo helvético - paciente, rigoroso e descaindo para a esquerda - desenrola-se no cérebro de Xhaka, na criatividade e imprevisibilidade de Shaqiri e Embolo e no acerto, pois claro, de Seferovic, que leva três golos. Zuber já igualou com quatro assistências outras performances de gala em Europeus. Sommer, o guarda-redes, vai vivendo mais um verão glorioso. A primeira vez a sério entre estas seleções foi no Mundial de 1966: os espanhóis bateram os suíços (2-1), mas ambos caíram do Grupo 2.

Bélgica-Itália

02.07, 20h (SIC)
@ Allianz Arena, Munique

Não se viu tanto frente a Portugal, por mérito nacional mas também por circunstâncias do jogo, mas não há nada que esta Bélgica mais goste de fazer do que um ataque rápido ou um contragolpe malandro. Witzel foi a pérola que ajudou a equilibrar o meio-campo no jogo da nossa eliminação, mas o perigo está lá à frente, com Lukaku, avançado extraordinário, homem que marca e cria os espaços para os outros marcarem, e Eden Hazard a renascer na seleção. Dúvida para a condição física do mago Kevin de Bruyne, que saiu lesionado do jogo em Sevilha - a sua ausência seria um problema para a Bélgica. Até porque do outro lado está uma das seleções que mais tem encantado no Europeu, a Itália, apesar da chamada à terra nos oitavos de final frente à Áustria, só resolvidos no prolongamento. Com um meio-campo delicioso, em que entre Jorginho, Verratti, Barella e Locatelli só podem jogar três, há toque de bola nesta equipa talvez como em nenhuma outra na competição e um jogo rápido que, por vezes, “emperra” na linha atacante Immobile, Berardi e Insigne, que têm tido altos e baixos. Depois do jogo que fez com a Áustria, Chiesa será hipótese para assumir a titularidade num dos duelos mais esperados dos quartos de final.

BSR Agency/Getty

Rep. Checa-Dinamarca

03.07, 17h (Sport TV1)
@ Estádio Olímpico, Baku

Uns quartos de final de outsiders e a reedição do jogo no Euro 2004, precisamente na mesma fase. Na altura, a República Checa era uma das mais temíveis seleções da Europa, com Petr Cech na baliza, Tomas Rosicky e Pavel Nedved na linha média e Milan Baros na frente, e bateu a Dinamarca. Tal era a qualidade que maior surpresa que a derrota de Portugal na final com a Grécia foi mesmo o desaire dos checos nas ‘meias’ com os helénicos. A esta Rep. Checa faltarão os nomes de encher o olho, mas há uma verdadeira equipa, jogam sem medo, com um meio-campo sólido, um treinador que na estratégia deu cabo do futebol mais anárquico dos Países Baixos. Já os dinamarqueses fizeram do trauma Eriksen uma força inabalável e depois de duas derrotas (mas onde já mostraram muita qualidade) conseguiram um apuramento quase milagroso para a fase a eliminar. Porque o que não é milagre é o futebol de ataque dos nórdicos, uma das equipas do Euro com mais remates e que nos dois últimos jogos, frente à Rússia e País de Gales, este últimos nos oitavos de final, marcaram oito golos. Com grande ligação entre o meio-campo e o ataque, critério para chegar à baliza e um banco que tem correspondido quando é chamado, a Dinamarca viu ainda explodir um talento emergente chamado Mikkel Damsgaard.

UCRÂNIA-INGLATERRA

03.07 - 20h (RTP)
@ Estádio Olímpico, Roma

Tem tudo para ser um dos jogos mais entusiasmantes destes quartos de final do Euro 2020. A Inglaterra, dando forma aos desejos secretos do conservador Gareth Southgate, ainda não sofreu qualquer golo no torneio. Por outro lado, e isto parece consensual, melhora muito com a bola no pé e a valentia na alma quando Jack Grealish está em campo. O craque do Aston Villa, aparentemente despreocupado com as suas meias em baixo para não abraçarem os enormes músculos das pernas, entrou a 20 minutos do fim e participou nos dois golos contra a Alemanha. Sterling marcou três dos quatro golos da equipa, o outro ficou para Kane, que se estreou finalmente a molhar a sopa num Europeu. A Ucrânia de Andriy Shevchenko é fina tecnicamente, sobretudo graças ao mago Shaparenko (cheirinho a 90s), Yarmolenko, Malinovskyi e Zinchenko, que jogou na esquerda e fez um golo e uma assistência contra a atraente Suécia, confirmando que o perigo vem das alas. O que não falta em técnica, carece em mudanças de ritmo e falta de agressividade para atacar o espaço e as costas dos adversários. As pilhas parecem ter pouca duração.