Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Euro 2020 - descrição

Euro 2020 - descrição

Euro 2020

Foi Schick a festa, pá: trivela maravilhosa faz voar a Dinamarca para a semi-final

Os dinamarqueses marcaram logo a abrir o jogo, alterando os planos dos checos. Após o intervalo, já com o 2-0 no marcador, Patrik Schick fez um belo golo, mais um, e igualou Cristiano, com cinco golos, como melhor marcador do torneio. Dinamarca numa meia-final 29 anos depois

Hugo Tavares da Silva

OZAN KOSE

Partilhar

A Dinamarca cedo descobriu o caminho para a felicidade. Foi logo aos 5’, depois de um canto: Thomas Delaney esperou que os matulões levassem os outros matulões, e que os bloqueassem, e cabeceou à vontade na área, com um belo gesto.

Se à partida o jogo até teria, quem sabe, mais Dinamarca com bola e uma República Checa mais paciente, a urgência dos segundos mudou rapidamente e um plano inteiro foi por água abaixo.

O jogo foi quase sempre equilibrado, mas nesta primeira parte a bola dava mais bola à criatividade do lado nórdico. Quando faltavam poucos minutos para o intervalo, o momento magnífico deste jogo teve lugar.

Maehle, um destro na esquerda, à imagem do italiano Spinazzola, apareceu numa zona adiantada, em vantagem embora pressionado, e em vez de usar o pé esquerdo, sacou uma trivela daquelas que parecem mentira. A dignidade até corou perante tão nobre gesto, as repetições tornam o amor maior, sempre maior. No segundo poste estava o elegante avançado, Kasper Dolberg, que encostou com a canhota. Golaço.

Valetin Ogirenko - Pool

Segundo o Playmaker, do Zerozero, o avançado do Nice entra agora no importante lote de futebolistas dinamarqueses que marcaram três golos em Campeonatos da Europa, juntamente com Arnesen (1984), Henrik Larsen (1992), Brian Laudrup (1996) e Tomasson (2004).

Na segunda parte, a República Checa entrou muito bem, com Jakub Jankto e Michael Krmencik (PAOK, emprestado pelo Club Brugge) já em campo, principalmente o segundo, um avançado enorme que entrou para desassossegar os centrais dinamarqueses.

Depois de duas oportunidades relevantes para os checos, Patrik Schick molhou finalmente a sopa. Vladimir Coufal, a ventoinha que anda por ali num vaivém no corredor direito, fez o cruzamento, um pouco para trás, o que levou o canhoto Schick a escolher bater com a perna direita. Como é hábito nos grandes avançados, mais ainda nos que espirram confiança, a bola foi encontrar-se com as redes da baliza de Kasper Schmeichel.

Aos 25 anos, o avançado do Bayer Leverkusen alcança Cristiano Ronaldo, com cinco golos, como o melhor marcador do torneio. Mas consegue mais: imita o que fizeram Milan Baros em 2004, Kluivert e Milosevic em 2000, Alan Shearer em 1996 e Marco van Basten em 1988. Ou seja, fica só atrás de Michel Platini (9, em 1984) e Antoine Griezmann (6, em 2016), mostra-nos o mago da estatística, o MisterChip. Antes de 1984, só os senhores Müller, Gerd e Dieter, se aproximaram, com quatro golos, em 1972 e 1976, respetivamente.

O jogo estava e estaria vivo, com muitas precipitações à mistura. O treinador dinamarquês acabaria por afinar ali as coisas a meio-campo e estancou de certa maneira a pressão dos checos. Ainda assim, Kasper Schmeichel teve de engrandecer o seu ofício com uma ou outra defesa.

O avançado do Leipzig, Yurary Poulsen, entrou aos 59’ e esteve perto de marcar e sossegar os dinamarqueses que estavam no estádio de Baku, que sonham como nunca com a repetição de 1992. Já nos 10 minutos finais, Maehle apareceu isolado, pela esquerda, mas a bota direita de Tomas Vaclik resolveu bem e manteve o suspense. Mikkel Damsgaard, um miúdo com um talento especial, já tinha sido substituído.

Depois de uma segunda parte mais descontrolada, a Dinamarca recuperou o equilíbrio e fechou a porta da baliza de Kasper, que não se livrou de alguns sustos. Os checos carregaram, deram tudo até ao fim, até com dois homens com as cabeças ligadas. Mas o golo - que lhes permitiria imitar as presenças nas "meias" de 1960, 1976, 1980, 1996 e 2004 - nunca chegou.

O apito final do árbitro dava conta de um apuramento histórico dos dinamarqueses para as meias-finais do Euro 2020, algo que não acontecia, pois claro, desde o improvável verão de 1992. Agora, os dinamarqueses, que jogam como gente grande e com Christian Eriksen no pensamento, esperam o vencedor do jogo entre Inglaterra e Ucrânia.