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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

As meias-finais do Europeu são um hino ao divertimento

Além de todas terem vindo do privilégio de jogarem em casa neste Europeu, no Itália-Espanha de terça-feira (20h, TVI) e no Inglaterra-Dinamarca do dia seguinte (20h, RTP) vão estar as seleções que, com as devidas diferenças na abordagem, mais fizeram por jogar de forma atrevida, ousada e atacante. A recompensa é estarem a um passo do jogo mais decisivo de todos

Diogo Pombo e Hugo Tavares da Silva

Alex Grimm - UEFA

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Itália-Espanha

O futebol está carregado de barreiras transponíveis nas quais as fundações divergem, muitas são de barro, outras de tijoleira e depois umas quantas há de betão armado, como o ir-se buscar o cinismo dos italianos no futebol para qualquer coisa que aconteça no campo onde joguem italianos. É dos clichés e lugares-comuns mais banalizados no mundo da bola, ainda perdura em 2021 e dos melhores elogios que podem ser feitos à seleção de Itália é estar a contribuir ativamente para o derrubar.

Nota-se, a léguas, que a equipa montada por Roberto Mancini é um poço de divertimento em campo, Lorenzo Insigne confirmou-o após o golaço que fez à Bélgica - "estou a divertir-me tantíssimo" - e o próprio selecionador o disse no dia em que foi apresentado no cargo, no dia em que a Itália viajou para o Europeu e, também, no dia em que chegaram às meias-finais: "Desfrutar é a essência de qualquer profissão, não só da nossa".

E os italianos têm-no feito à brava, assentes num futebol de posse embora com um olho sempre posto na verticalidade, em atacar os espaços que criam no bloco adversário com uma facilidade tremenda pela batuta de Verratti e Jorginho, sempre eles a serem o jogador solto para receber de frente para o jogo e lançarem o que Insigne, Immobille, Chiesa ou Berardi têm de melhor.

Gonzalo Arroyo - UEFA

O próximo teste à série de 31 jogos sem derrotas dos italianos é a Espanha, chegada às meias-finais com dois prolongamentos nas pernas (Croácia e Suíça) e um desempate por penáltis, na ronda anterior. Muita emoção, muitas arrelias, e ainda não se descortina exatamente o que pode valer a equipa de Luis Enrique.

O privilégio a ter a bola sobre tudo o resto continua presente, é a seleção com mais posse (67.2%), mais passes tentados (4.307) e certeiros (3.856) e maior eficácia a passá-los (89.4%), embora em várias fases de quase todos os jogos feitos neste Europeu seja um domínio de bola inócuo, sem grandes dinâmicas de movimentações pela frente do jogador que a tem nos pés.

Será o reencontro entre as duas seleções após o desequilíbrio da final na edição de 2012, quando os espanhóis eram a máquina impiedosa de posse de bola com um fim sempre na baliza. Esta meia-final não terá esse desbalanço, a divertida, atacante e descomplexada Itália irá contra esta Espanha ainda agarrada ao passado, embora titubeante na forma como cria situações de finalização perto da área - apesar de ser o melhor ataque do torneio, com 12 golos. Logo a seguir, estão os 11 dos italianos.

Lars Baron

INGLATERRA-DINAMARCA

Antes do torneio começar, Gareth Southgate pensava nas crianças e nos jovens do país. Ganhar é bom e eles querem-no muito, sim, mas não é tudo. O selecionador queria que, independentemente do que viesse a acontecer, os pais, professores e treinadores desses miúdos lhes dissessem: “É assim que se representa o país. A Inglaterra é isto. É isto que é possível”. Quase um mês depois dessa carta, a Inglaterra está na meia-final do Campeonato da Europa e Southgate igualou o feito inédito do histórico Alf Ramsey, disputando semi-finais de Mundial (1966; 2018) e Europeu (1968; 2021).

Os ingleses estão de volta ao Wembley, em Londres, onde disputaram a fase de grupos e o jogo dos 'oitavos'. Ainda não sofreram qualquer golo no torneio e Harry Kane já deu com a tecla, depois dos golos à Alemanha e Ucrânia, igualando a marca de Alan Shearer em Mundiais e Europeus (9) e perseguindo a de Gary Lineker (10), que lhe chamou o "Rolls-Royce dos avançados".

O meio-campo está de aço, com Declan Rice e Kalvin Phillips. Atrás, desfeita a defesa com três centrais para o jogo com os germânicos, John Stones e Harry Maguire vão sossegando a nação. Raheem Sterling, com três golos no torneio, é o fator desestabilizador para os rivais, sempre irrequieto, bem com a bola e imune a investidas fracassadas. Luke Shaw deixou de ter uma nuvem em cima da cabeça e tem sido muito influente pela esquerda. É uma equipa adulta e equilibrada. Estão prontos para ganhar, obviamente.

Naomi Baker/Getty

A pandemia mudou a vida de Kasper Hjulmand, que devia ter assumido o banco da seleção dinamarquesa só depois do Euro 2020. Tornou-se, sobretudo depois do incidente com Christian Eriksen, um guia espiritual de uma nação inteira. Apaixonado pela Dinamarca dos anos 80, quer jogar bom futebol e que os dinamarqueses se sintam representados. E quer mais: “A motivação é silenciar os 60 mil em Wembley”.

Depois de 1964, 1984 e 1992, os nórdicos regressam a uma meia-final. O duelo no meio-campo entre Thomas Delaney-Pierre Hojbjerg e os ingleses promete ser interessante. A trivela de Joakim Maehle está afinada. A fineza no toque de bola, a criatividade e as venenosas movimentações de Mikkel Damsgaard, Martin Braithwaite e Kasper Dolberg serão os grandes perigos para a baliza de Jordan Pickford. É porventura a segunda equipa de toda a gente e, apesar de ter tremido contra a República Checa, tem muito futebol e não vive só da boa vontade ou da inspiração que Eriksen transmite.