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Euro 2020 - descrição

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Euro 2020

Itália - Inglaterra. A colisão de duas revoluções em Wembley

A final (20h, RTP1) será entre a Itália de estilo pouco italiano que sempre esteve na cabeça de Roberto Mancini e a Inglaterra “segura e equilibrada” de Gareth Southgate, que contrasta com os seus calorosos adeptos

Hugo Tavares da Silva

LAURENCE GRIFFITHS

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Os livros e os arquivos sobre os campeonatos da Europa guardam tesouros infinitos. Na final do Euro 1960, jogada em Paris a um domingo, um homem chamado Segunda-Feira fez o heroico golo para os soviéticos quando já passava da meia-noite em Moscovo. Longa vida a Viktor Ponedelnik, que resolveu o primeiro Europeu. Oito anos depois, o sortudo Giacinto Facchetti ganhou na moeda ao ar e colocou a Itália na final do torneio. Em 1980, a Grécia não pôde contar com Vasilis Hatzipanagis, o Maradona grego, na estreia do país em grandes competições. Em meados dessa década, numa delirante febre do drible e do atrevimento, uns dinamarqueses apaixonados pela bola dinamitaram o coração dos europeus, tal como aconteceria em 1992, por outras razões. Do milagre grego em 2004, passando pelo império do bom futebol espanhol (2012) e desaguando na euforia do golo de Eder há quatro anos, os Europeus são grandes contadores de histórias.

Também o Euro 2020 abraçou a riqueza e o que está por ser nostalgia. Começou com rumor de tragédia mas teve um desfecho afortunado, amparado pela nobre atitude dos companheiros de Christian Eriksen a defenderem a dignidade do amigo caído. Teve aquela segunda-feira mágica, talvez o melhor dia da história dos Europeus, com 14 golos em dois jogos, prolongamentos e penáltis. Testemunharam-se as imberbes quedas de França, Alemanha, Portugal e Países Baixos. E o miúdo de 18 anos que jogou como não é suposto alguém jogar com esta tenra idade e que correu como nenhum outro? Pedri é o nome do portento.