Tribuna Expresso

Perfil

Football Leaks

Chegou a segunda temporada dos Football Leaks

O consórcio EIC (European Investigative Collaborations), de que o Expresso faz parte, está de volta com uma segunda vaga de revelações dos Football Leaks, baseada numa nova fuga de informação obtida pela Der Spiegel sobre os bastidores da indústria do futebol. Leia este sábado no Expresso

Micael Pereira e Miguel Prado

Ilustração Benedikt Rugar

Partilhar

Uma série de artigos sobre o mundo do futebol começa a ser publicada este fim de semana pelo Expresso e por mais 14 órgãos de comunicação social que são parceiros do consórcio de jornalismo de investigação EIC (European Investigative Collaborations) numa nova investigação dos Football Leaks, depois de uma primeira vaga de artigos ter sido lançada há dois anos.

Os primeiros trabalhos trazidos pelo Expresso são publicados este sábado na edição impressa do jornal e abordam a forma como, quando era secretário-geral da UEFA, Gianni Infantino negociou em segredo com o Paris Saint-Germain e com o Manchester City para evitar que estes dois clubes fossem suspensos da Liga dos Campeões. E de como, depois de assumir a presidência da FIFA, Infantino esforçou-se por reduzir as exigências éticas da organização. Também é contado como existe um novo acordo planeado para ser assinado entre 11 grandes equipas da Europa com o objectivo de criar uma Superliga elitista capaz de destruir as atuais competições da UEFA.

A nova temporada de revelações vai estender-se ao longo do mês de novembro e abrange histórias sobre transferências de jogadores, agentes, doping, racismo e casos de fraude relacionados com os bastidores do desporto mais popular do mundo.

A investigação tem por base uma leva de novo material entregue este ano pela fonte da plataforma Football Leaks à revista alemã Der Spiegel e que foi entretanto partilhada com o Expresso e com os outros media parceiros do EIC. Neste momento, o acervo do projecto Football Leaks atinge um total de 70 milhões de documentos, um número recorde que faz dele a maior fuga de informação da história do jornalismo até ao momento, seis vezes maior do que os Panama Papers quando foram lançados em 2016.

Na sequência da última vaga de artigos do Football Leaks, publicados em dezembro de 2016, vários processos judiciais foram abertos por causa das investigações desenvolvidas pelo EIC. Em Espanha,Cristiano Ronaldo, José Mourinho, di Maria, Radamel Falcao, Jaime Rodriguez ou Ricardo Carvalho foram condenados a pagar milhões de euros por causa de esquemas de evasão fiscal.

Desta vez, o alcance da investigação do EIC alarga-se aos grandes clubes de futebol e às duas principais entidades que gerem este desporto, a UEFA e a FIFA, numa viagem por dentro a uma indústria onde parece imperar a ganância, os abusos de poder e um sentimento de impunidade.

Mais de 70 jornalistas de 15 redações têm estado a analisar e a trabalhar ao longo dos últimos oito meses os documentos da fuga de informação, recolhendo documentos de outras fontes, contactando pessoas, cruzando informações e confrontando os envolvidos nas histórias entretanto descobertas e desenvolvidas.

Tal como na primeira temporada do Football Leaks, a origem da fuga de informação é um português, referido dentro do consórcio EIC como “John” e com quem apenas a revista Der Spiegel mantém contacto.

Confrontado com as notícias sobre as suspeitas de que a plataforma Football Leaks está por detrás de fugas de informação relacionadas com o Benfica e com alegações de que é o autor de vários ataques informáticos, John diz que não quer comentar os “absurdos que têm sido publicados” e garante que não é um hacker e não é pago por ninguém. “Temos uma rede poderosa de contactos que fornecem-nos muita informação.”

Leia mais na edição deste sábado do semanário Expresso.