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Atlético Clube de Portugal garante que nunca foi investigado por apostas desportivas

Direção do clube lisboeta diz que não conhece “nenhum facto que denuncie a prática de actividades ilícitas nas suas instalações”, afastando-se dos atos que, como mostram os documentos do Football Leaks, foram levados a cabo pelo antigo acionista chinês da SAD do Atlético

Miguel Prado

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O Atlético Clube de Portugal, histórico clube lisboeta cuja SAD (Sociedade Anónima Desportiva) foi declarada insolvente, garante que “nunca foi arguido, acusado ou investigado por nenhum crime relacionado com apostas desportivas”, segundo um esclarecimento que a direção do clube enviou ao Expresso a propósito do artigo “Como Mao enredou o Atlético na teia dos jogos combinados”.

O artigo, publicado no âmbito do projeto de investigação Football Leaks, revela como o empresário chinês Eric Mao investiu em clubes em vários países europeus para controlar os seus plantéis e usar jogadores da sua confiança para manipular resultados, beneficiando apostadores asiáticos. Um dos investimentos de Mao foi a aquisição de 70% da SAD do Atlético, em cuja equipa sénior de futebol integrou alguns jogadores usados nesse esquema, que circularam por outros clubes europeus também controlados por Eric Mao.

No seu esclarecimento, a direção do Atlético nota que “a SAD que foi constituída pelo Atlético Clube de Portugal, em má hora, sublinhe-se, foi declarada insolvente e já se encontra judicialmente extinta, por iniciativa dos actuais dirigentes do Atlético Clube de Portugal, que tomaram posse em maio de 2017, quando os Administradores da SAD e o seu principal acionista já se encontrava em parte incerta”.

A direção do clube também sublinha que nenhum dos atuais dirigentes fez parte da direção que propôs aos sócios a criação da SAD.

“Neste preciso momento, não há qualquer relação entre a SAD, extinta por insolvente, e o clube, pelo que o caminho que trilhamos é livre e não se encontra ligado a qualquer suspeita outra entidade. Esclarecemos, também e para que não restem quaisquer dúvidas, que a suspensão de competição por dois anos se aplica apenas à insolvente SAD e que a mesma foi decretada por factos não relacionados com qualquer prática anti-desportiva”, lê-se no mesmo esclarecimento.

A direção do Atlético garante que a instituição “é hoje um clube diferente”. “Pagámos dividas a terceiros e ao Estado, encerrámos o dossier SAD sem responsabilidades para o clube, liquidámos passivo em cerca de um milhão de euros, encerrámos o Bingo, cumprindo com todos os direitos dos trabalhadores, reestruturámos departamentos e consolidámos a marca “Atlético” no panorama desportivo nacional”, argumenta a direção do clube.

No seu comunicado os responsáveis do emblema lisboeta dizem ainda que “o Atlético Clube de Portugal não se revê, assim, nos actos que o artigo do Expresso Online imputa à SAD, nem tem conhecimento de nenhum facto que denuncie a prática de actividades ilícitas nas suas instalações”.

O clube diz também que “está, no entanto e como sempre, ao dispor de todos os que entenderem investigar as suspeitas que são imputadas à sociedade que deteve a maioria do capital da extinta SAD, colocando todos os meios ao dispor das entidades responsáveis pela investigação criminal e desportiva do país”.