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Rui Pinto na “New Yorker”: as finanças de CR7, e-mails e BdC

Se a causa de Rui Pinto não era conhecida por muitos, acabou agora de conseguir projeção ao nível global

Expresso

RODRIGO ANTUNES

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O nome de Rui Pinto diz muito em Portugal, mas também já encontrou eco ao nível mundial. O caso Football Leaks catapultou o jovem português para junto de nomes como Julian Assange e Edward Snowden. Esta semana, a revista “New Yorker” publica um extensa reportagem sobre o caso que tem vindo a abalar o futebol mundial.

Na reportagem, o pirata informático é retratado como um ativista anticorrupção; o processo judicial que corre contra Pinto em Portugal não fica particularmente bem na fotografia. “Enquanto Rui Pinto espera na cadeia, as suas revelações estão a arrasar os mais famosos clubes e jogadores”, lê-se logo na introdução do artigo.

Além de contar as circunstâncias que levaram à sua detenção em janeiro, a revista enumera as acusações de que é alvo, as suas origens e o medo, já expresso no passado, de uma rede de corrupção internacional.

Segundo a revista, Rui Pinto, um jovem que “cresceu numa pequena casa de azulejos azuis numa colina em Vila Nova de Gaia”, vem de uma família simples. “O pai de Pinto, Francisco, desenhou sapatos numa fábrica local. A sua mãe, Maria, cuidou dele e de sua irmã, que é dez anos mais velha. Francisco interessava-se por antiguidades e, quando tinha Rui sete anos, comprou um computador desktop Intel Pentium com conexão à Internet e instalou-o na sala de estar para comprar e vender moedas antigas on-line", escreve a “New Yorker”.

A revista relatada ainda a forma como o jornalista Rafael Buschmann, da revista alemã “Der Spiegel”, teve acesso à informação secreta. Em 2016, Rui Pinto encontrou-se com o repórter alemão em Bucareste e passou-lhe mais de quatro terabytes de informação. “Fiquei completamente eletrizado quando me chegou às mãos tanta informação”, admite Buschmann.

Rui Pinto cedeu milhares de documentos, muitos dos quais estão agora na posse da justiça francesa e portuguesa - mas encriptados.

Caso dos e-mails

Como seria de esperar, o caso dos e-mails - a divulgação de comunicação interna do Benfica - é um dos pontos abordados pela reportagem. Uma das histórias referidas é de como o salário de Jorge Jesus nos encarnados veio a público - os ditos cinco milhões de euros.

Mas há mais. Ao recordar o episódio da detenção de Paulo Gonçalves, antigo diretor jurídico do clube encarnado, Rui Pinto chega a comentar: “Nunca houve nenhuma declaração da polícia ou das autoridades portuguesas a relacionarem-me com isso.”

Bruno de Carvalho

Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting, é um dos nomes referidos na reportagem da “New Yorker”. O antigo líder dos leões é citado por ter usado acordos com parte terceira (que permitem a um clube adquirir parte dos direitos associados a um jogador noutro clube), depois de os ter criticado publicamente. BdC foi denunciado pelo Football Leaks como tendo usado esse procedimento com os angolanos do Recreativo de Caála.

Contratos de imagem de Cristiano Ronaldo e mais

Além dos contratos e fugas ao Fisco Espanhol de Cristiano Ronaldo, que vieram a público e tiveram contributo direto da plataforma Football Leaks, o caso da alegada agressão sexual a Kathryn Mayorga, em 2009, nos Estados Unidos, também tiveram origem nos documentos de Rui Pinto.

“Na primavera de 2016, Pinto descobriu uma empresa chamada Tollinn, nas Ilhas Virgens Britânicas, que Ronaldo estaria a usar para escapar aos impostos em Espanha. Durante semanas, Naber [jornalista da Der Spiegel] decidiu discriminar os ativos globais de Ronaldo - duzentos e vinte e sete milhões de dólares em 2015 - às suas obrigações fiscais e receitas no exterior”, explica a revista.

O processo judicial de Mayorga contra Cristiano Ronaldo corre agora nos tribunais norte-americanos.