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Football Leaks

Football Leaks: DCIAP investiga denúncia da Suíça

Advogado suíço confronta autoridades portuguesas com uma dezena de casos de dupla representação no futebol nacional

Miguel Prado

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O Ministério Público (MP) recebeu um contributo improvável nas investigações em curso sobre o futebol. O advogado Philippe Renz, em representação da empresa suíça Sport 7, enviou ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) uma denúncia sobre vários casos de dupla representação em Portugal. O DCIAP classificou os documentos recebidos como “muito úteis”, mas escusou-se a prestar mais informação sobre os casos.

Philippe Renz acredita que as investigações sobre o futebol não podem focar-se apenas na corrupção e no branqueamento de capitais. “O problema é maior e está ligado à remuneração dos agentes”, declarou o advogado ao Expresso, alertando que hoje a maior parte dos empresários são pagos pelos clubes de futebol e não pelos jogadores que representam. Isso leva, diz Renz, a que raramente os interesses dos futebolistas sejam postos em primeiro lugar. E promove uma concentração dos negócios num conjunto restrito de agentes, limitando o acesso de novos empresários ao mercado.

Philippe Renz fez uma primeira denúncia a 17 de outubro, numa carta para a procuradora Patrícia Barão, então responsável pelas investigações do Ministério Público na área do futebol, incluindo casos denunciados no Football Leaks. Aí expôs uma série de outros casos de dupla representação (em que um agente de um determinado futebolista é pago não por este mas antes pelo clube que transaciona os seus direitos económicos). Já em 2017 Renz havia apresentado queixa contra sete federações de futebol, incluindo a portuguesa (FPF), por alegadamente fecharem os olhos a “práticas ilegais”.

O advogado suíço elencou uma dezena de negócios envolvendo clubes como o Benfica, Sporting, FC Porto, Braga e Rio Ave, e várias empresas, como a Gestifute, Proeleven, US11, D20 Sports e Positionumber.

Segundo a revista “Sábado”, o MP tem vários inquéritos em fase avançada, por suspeita de crimes que poderão ter defraudado o Estado em mais de €20 milhões. Vários casos em investigação foram revelados em 2018 pelo Expresso no âmbito do Football Leaks.