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Cristiano Ronaldo, Jorge Mendes, Doyen e o Manchester City: os casos que o Football Leaks destapou

Na sexta-feira, o Manchester City foi banido das competições europeias por duas temporadas, por tentar dar a volta às regras do fair play financeiro da UEFA. Mais um de muitos casos trazidos a público pelo Football Leaks. Confira aqui outros

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MARCO BERTORELLO

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A Doyen e o contrato de Ola John

O Football Leaks deu a conhecer o negócio do fundo Doyen com o Benfica no passe de Ola John, considerado altamente penalizador para os encarnados: a empresa do português Nélio Lucas comprou metade dos direitos de transferência do holandês por 4,5 milhões de euros e no contrato ficou estipulado que a Doyen receberia 6 milhões de euros num espaço de três anos, independentemente do valor de mercado do jogador.

Caso o Ola John fosse vendido por 12 milhões de euros, 6 milhões iriam para a Doyen. Caso a transferência se fizesse por um valor acima, além dos 6 milhões, a Doyen receberia mais metade de tudo acima dos 12 milhões.

O Football Leaks desvendou não só este caso mas o modus operandi da Doyen, criada em 2011, e que muitas vezes através de clausulas e condições draconianas facturava milhões nas transferências de jogadores dos quais tinha percentagens do passe.

Os negócios de Alexandre Pinto da Costa

Documentos mostram que Alexandre Pinto da Costa, filho de Jorge Nuno Pinto da Costa, através da sua empresa Energy Soccer, recebeu comissões de transferências de dois clubes no mesmo negócio, o que é ilegal, em negócios com o FC Porto.

Na transferencia de Carlos Eduardo para os dragões, a empresa recebeu comissão de 100 mil euros do FC Porto e de cerca de 68 mil euros do Estoril. Já no empréstimo de Rolando do FC Porto para o Inter, a Energy Soccer recebeu mais de 60 mil euros dos dragões, tendo os milaneses emitido uma factura de 75 mil pela mesma transação.

A empresa de Alexandre Pinto da Costa recebeu ainda comissões em outros negócios envolvendo o clube, como a recompra de Casemiro por parte do Real Madrid, numa transação que valeu 700 mil euros à Energy Soccer, pagos por uma empresa sediada em Malta e liderada por Nélio Lucas.

Ronaldo, Mourinho, Ricardo Carvalho e a fuga ao fisco

O Football Leaks divulgou documentos que provavam que Cristiano Ronaldo colocou 150 milhões de euros relativos a direitos de imagem num paraíso fiscal. O jogador português acabou por ser condenado pela justiça espanhola ao pagamento de 16,7 milhões de euros ao fisco.

Já José Mourinho foi condenado ao pagamento de 2 milhões ao fisco e Ricardo Carvalho acabou condenado a pena suspensa também por fuga ao fisco.

Denominador comum entre eles: Jorge Mendes, também ele investigado em cinco países após revelações do Football Leaks.

O caso Mayorga

Foi também através do Football Leaks que veio à luz o caso Kathryn Mayorga, norte-americana que acusou Cristiano Ronaldo de violação em Las Vegas, em 2009.

Inicialmente Mayorga optou por um acordo extrajudicial, em que o jogador pagou mais de 300 mil euros à norte-americana, que assinou também um acordo de confidencialidade sobre o caso. Com a revelação desse acordo e da identidade de Mayorg, as autoridades dos Estados Unidos voltaram a investigar o português. Em julho de 2019 o caso caiu e não seguiu para os tribunais.

Mino Raiola, Pogba e uma comissão de ouro

Documentos obtidos pelo Football Leaks trouxeram a público pormenores da transferência de Paul Pogba da Juventus para o Manchester United, na qual o empresário Mino Raiola terá ganho uma comissão de 49 milhões de euros.

Em causa estaria um possível caso de conflito de interesss: Raiola tinha um contrato assinado com a Juventus no qual era nomeado o principal responsável pela valorização do jogador, o que lhe valeria uma comissão de 18 milhões de euros caso Pogba fosse vendido por uma quantia mínima de 90 milhões de euros. Valor aos quais seriam acrescidos três milhões de euros por cada 5 milhões acima desses 90 milhões - o negócio com o United acabou fechado por 105 milhões.

Por outro lado, Raiola recebeu também do lado do Manchester United aquando das negociações com a Juventus. Desse lado, recebeu 22 milhões de euros. No fim de contas, Raiola representou as três partes no negócio, lucrando de todos os lados.

A FIFA investigou o caso, mas acabou por não penalizar o empresário.

PSG e o negócio Neymar

A investigação do Football Leaks ajudou a provar que a transferência de Neymar do Barcelona não custou 222 milhões de euros ao PSG mas sim 252 milhões, já que o empresário Pini Zahavi e o pai de Neymar lucraram cada um 10,7 milhões de euros em comissões.

O Football Leaks trouxe a público também documentos que mostravam que o clube de Paris deu a volta às regras do fiar play financeiro da UEFA, empolando as suas receitas através de contratos de publicidade com empresas do Qatar, com ligações aos proprietários do emblema francês.

O PSG tinha, por exemplo, um contrato de publicidade de cinco anos com a Autoridade do Turismo do Qatar, no valor de 215 milhões de euros por ano. De acordo com o Football Leaks, Michael Platini, ex-presidente da UEFA e Gianni Infantino, atual presidente da FIFA, encobriram esta prática ilegal.

Manchester City e o dinheiro da Ethiad

Tal como o PSG, também o Manchester City utilizou contratos publicitários com empresas com ligações ao proprietário do clube, o sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan.

O City insuflou a suas receitas através de contratos publicitários com a companhia aérea de Abu Dhabi, a Ethiad. Com as revelações do Football Leaks, a UEFA investigou o clube e na sexta-feira decidiu banir o City por duas épocas das competições europeias, além do pagamento de uma multa de 30 milhões de euros.

O City vai recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto.