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Agentes do ex-Benfica Luka Jovic são suspeitos de branquear mais de 10 milhões de euros em Espanha

Fali Ramadani e Nikola Damjanac, da Lian Sports, são suspeitos de branqueamento de capitais. Foram eles que levaram o sérvio Jovic para o Benfica, fazendo o clube da Luz pagar 6,6 milhões de euros ao Limassol, onde Jovic nunca jogou

Miguel Prado

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As autoridades espanholas confirmaram oficialmente a existência de uma investigação por suspeitas de branqueamento de capitais que envolve os empresários Fali Ramadani e Nikola Damjanac, da Lian Sports, por alegadamente terem branqueado em Espanha mais de 10 milhões de euros, aplicados em casas de luxo em Calviá, perto de Palma de Maiorca, bem como em iates e outros bens.

Segundo revelam o Infolibre e o The Black Sea, meios que, à semelhança do Expresso, integram o consórcio jornalístico EIC - European Investigative Collaborations, a investigação da Guardia Civil e da administração tributária espanhola envolveu a recolha de documentos e informações em buscas domiciliárias e junto de empresas, clubes de futebol e escritórios de advogados.

Uma das moradias visitadas pelas autoridades é aquela em que vive Fali Ramadani, que reside mais de metade do ano em Espanha, sendo por isso considerado pelo fisco espanhol como residente fiscal neste país, apesar de habitualmente pagar impostos no Chipre. A outra moradia foi a sede da empresa Majorca Alekza Terza, cujos administradores eram Nikola Damjanac e a sua mulher. Criada em 2013, a empresa foi liquidada em julho de 2018, mas os investigadores, segundo o Infolibre, acreditam que o real proprietário da casa é Ramadani.

De acordo com a mesma fonte, as autoridades espanholas avaliam em 7 milhões de euros a moradia em que Ramadani reside.

Não houve até ao momento detenções. Mas um comunicado divulgado pela Guardia Civil e pela Agência Tributária assume que foi solicitada ajuda à Europol, para facilitar a colaboração de outros países que poderão ter informação relevante sobre os negócios de Ramadani e da Lian Sports. As autoridades espanholas admitem ter pedido informação a vários países, mas não revelam quais.

No mesmo comunicado, Espanha reconhece que esta investigação, iniciada em 2017, partiu de notícias divulgadas no Football Leaks pelos vários parceiros do EIC.

Recorde-se que no final de 2016 o The Black Sea revelou como Ramadani tinha conseguido usar o clube cipriota Apollon Limassol como plataforma para fazer transitar jogadores entre vários clubes, sendo que em pelo menos sete casos esses jogadores (da Roménia e da Sérvia) nunca chegaram a jogar pelo Limassol.

Um desses casos foi o de Luka Jovic, cujos direitos económicos o Benfica adquiriu no início de 2016. Jovic jogava pelo Estrela Vermelha, de Belgrado, mas os direitos económicos eram do Limassol, clube ao qual o Benfica aceitou pagou 6,6 milhões de euros. Isto apesar de Jovic ter custado ao clube cipriota apenas 2 milhões de euros e nem sequer ter jogado pelo clube.

Luka Jovic foi depois emprestado pelo Benfica ao Eintracht Frankfurt, até 2017. Em julho de 2019 o Benfica vendeu o passe de Jovic aos alemães, que no mesmo ano transferiram o sérvio para o Real Madrid, onde continua.