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Jorge Mendes e “dirigentes de topo dos três grandes” entre os 47 arguidos da Operação Fora de Jogo

Buscas desta quinta-feira em 56 locais envolveram quase 300 operacionais e visam negócios do futebol que podem envolver crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais

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A Operação Fora de Jogo constituiu 47 arguidos, dos quais 24 empresas e 23 pessoas singulares, revelou a Procuradoria Geral da República (PGR) em comunicado. Entre os arguidos há jogadores de futebol, agentes ou intermediários, advogados e dirigentes desportivos, revela o comunicado.

O dono da Gestifute, o empresário Jorge Mendes, é um dos arguidos deste processo, apurou o Expresso. O Expresso contactou o advogado de Mendes, Carlos Osório de Castro, que não quis fazer quaisquer declarações sobre este processo, invocando o segredo de justiça. Osório de Castro também não esclareceu se ele próprio foi constituído arguido na Operação Fora de Jogo.

Segundo as fontes ouvidas pelo Expresso, todas as sociedades anónimas desportivas (SAD) visadas pela operação foram constituídas arguidas, tal como "dirigentes de topo dos três grandes". Até ao momento o Benfica, Sporting e Futebol Clube do Porto não divulgaram mais informação além das posições tomadas de manhã, em que confirmavam as buscas e a sua disponibilidade para cooperar.

Em causa estão suspeitas da prática de factos suscetíveis de integrarem crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, conforme a PGR e a Autoridade Tributária haviam revelado num outro comunicado divulgado de manhã.

No inquérito, que está sob segredo de justiça, "investigam-se negócios do futebol profissional, efetuados a partir do ano de 2015, e que terão envolvido atuações destinadas a evitar o pagamento das prestações tributárias devidas ao Estado português, através da ocultação ou alteração de valores e outros atos inerentes a esses negócios com reflexo na determinação das mesmas prestações", explica a PGR.

No decurso da operação foram realizadas, em 56 locais, 40 buscas domiciliárias e 31 buscas não domiciliárias, designadamente, em diversos clubes de futebol e respetivas sociedades e cinco buscas a escritórios de advogados. Estas diligências decorreram em vários pontos do território nacional e envolveram 11 magistrados do Ministério Público do DCIAP, 7 magistrados judiciais, 101 inspetores Tributários e 181 militares da Unidade da Ação Fiscal da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Entre os clubes visados estiveram Futebol Clube do Porto, Benfica, Sporting, Braga, Vitória de Guimarães, entre outros. Também a Gestifute, do empresário Jorge Mendes, foi alvo da operação, bem como o seu advogado, Carlos Osório de Castro.

Segundo a informação recolhida pelo Expresso, entre os negócios investigados estão contratos do FC Porto envolvendo os futebolistas Jackson Martinez, Maxi Pereira e Bruno Dalot. Também as transferências do japonês Tanaka e do português Bruno César para o Sporting estão na mira da Autoridade Tributária.

A investigação incide sobre diversos contratos e transferências de jogadores, com a Autoridade Tributária a suspeitar da existência de crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais associados a contratos de direitos de imagem e de pagamento de comissões a intermediários com sede em Portugal mas também em jurisdições estrangeiras.

Nas buscas domiciliárias foram apreendidos computadores e telefones de alguns dos arguidos.