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Football Leaks. Grupo interrompe trabalhos na Assembleia e pede “liberdade” para Rui Pinto [com vídeo]

Com t-shirts brancas vestidas e letras inscritas com o nome Rui, os manifestantes levantaram-se nas galerias e gritaram 'liberdade para Rui Pinto', o hacker que denunciou os casos Football Leaks e Luanda Leaks

Liliana Coelho, com Lusa

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Meia dúzia de apoiantes de Rui Pinto, o pirata informático que denunciou os casos Football Leaks e Luanda Leaks. interromperam esta tarde por instantes a sessão plenária na Assembleia da República.Com t-shirts brancas vestidas e letras inscritas com o nome Rui, os manifestantes levantaram-se nas galerias e gritaram 'liberdade para Rui Pinto', obrigando a vice-presidente do Parlamento, Edite Estrela, a solicitar aos agentes da PSP para impedirem protestos.

De imediato, os manifestantes foram retirados do local pelas forças de segurança, não oferecendo qualquer resistência. Questionado pelo Expresso, um agente da PSP, que se encontrava na entrada da AR, diz que reparou que aquele grupo de pessoas trazia t-shirts iguais vestidas, não se apercebendo contudo que tinham a referência ao hacker responsável pelo portal Football Leaks.

Esta manifestação acontece no mesmo dia em foi divulgado um manifesto subscrito por cerca de 100 personalidades ligadas à política, ao desporto e à cultura apelando à libertação de Rui Pinto.

O manifesto, que tem entre os subscritores os ex-ministros José Vera Jardim e Miguel Poiares Maduro, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, eurodeputados, o escritor José Eduardo Agualusa, humoristas, jornalistas, advogados e antigos atletas, entre outros, apela para o "fim da prisão preventiva" de Rui Pinto.

"O facto de Rui Pinto estar na origem de revelações de inequívoco interesse público que deram origem a investigações jornalísticas conduzidas por consórcios internacionais, como o Football Leaks e o Luanda Leaks, justifica amplamente que as autoridades portuguesas, tal como já o fizeram as autoridades de outros países, reconheçam a importância da informação por si trazida a público e procurem a colaboração de Rui Pinto, assim demonstrando que Portugal está verdadeiramente empenhado em combater a corrupção, o branqueamento de capitais e outros ilícitos criminais", lê-se no abaixo-assinado.

Em 17 de janeiro deste ano o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decidiu levar a julgamento Rui Pinto por 90 crimes de acesso ilegítimo, acesso indevido, violação de correspondência, sabotagem informática e tentativa de extorsão, mas deixou cair 57 dos 147 crimes pelos quais o arguido havia sido acusado pelo Ministério Público (MP), aguardando-se a marcação da data para início do julgamento.

Cerca de duas semanas depois, em 04 de fevereiro, o Tribunal da Relação de Lisboa negou provimento à defesa do criador do Football Leaks e manteve Rui Pinto em prisão preventiva.

Em prisão preventiva desde 22 de março de 2019, Rui Pinto, de 30 anos, foi detido na Hungria em 16 de janeiro de 2019 e entregue às autoridades portuguesas, com base num mandado de detenção europeu, que apenas abrangia os acessos ilegais aos sistemas informáticos do Sporting e da empresa Doyen, mas que depois viria a ser alargado a pedido das autoridades portuguesas.

Em setembro de 2019, o Ministério Público (MP) acusou Rui Pinto de 147 crimes, 75 dos quais de acesso ilegítimo, 70 de violação de correspondência, sete deles agravados, um de sabotagem informática e um de tentativa de extorsão, por aceder aos sistemas informáticos do Sporting, da Doyen, da sociedade de advogados PLMJ, da Federação Portuguesa de Futebol e da Procuradoria-Geral da República, e posterior divulgação de dezenas de documentos confidenciais destas entidades.