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Football Leaks

MP opôs-se à libertação de Rui Pinto porque queria impedi-lo de aceder à internet

Procuradora opôs-se à libertação do alegado hacker, mas diretor do DCIAP foi decisivo para o tirar da prisão

Hugo Franco e Rui Gustavo

FERENC ISZA

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Um ano e meio depois de ter sido preso e de ter ficado sem acesso à internet, o criador do Football leaks foi libertado por decisão da juíza Margarida Alves que atendeu ao pedido da defesa e tirou Rui Pinto da casa da Polícia Judiciária onde estava em prisão domiciliária.

A juíza decretou que terá de se apresentar uma vez por semana numas instalações da PJ e não lhe impôs qualquer restrição no acesso à internet.

Esta decisão não teve o acordo da procuradora do processo, Marta Viegas, que se opôs à libertação de Rui Pinto por considerar que existe perigo de continuidade da atividade criminosa com o acesso à internet e, tendo em conta a abertura parcial das fronteiras, perigo de fuga para o estrangeiro.

No entanto, um dos argumentos (talvez o decisivo) usado pela juíza Margarida Alves para libertar Rui Pinto é uma declaração do diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, Albano Pinto, elogiando a colaboração do alegado hacker nesta e noutras investigações.

O procurador revela que o alegado hacker já desencriptou todo o material que lhe foi apreendido e que a sua colaboração “se afigura decisiva” noutras investigações que estão em curso. o próprio diretor da PJ (a polícia que o investigou, perseguiu e prendeu), Luís Neves, elogiou a colaboração de Rui Pinto abrindo as portas à sua libertação.

A investigação que levou à acusação de Rui Pinto de mais de 90 crimes, entre os quais extorsão na forma tentada e vários crimes informáticos, foi feita por outra procuradora do DCIAP, Patrícia Barão, que saiu do departamento depois da acusação. Esta magistrada também se opôs sempre à libertação ou ao aligeirar das medidas de coação impostas a Rui Pinto.

Agora, depois de ser libertado, Rui Pinto passa a ser um homem livre com a única obrigação de se apresentar todas as semanas nas instalações da PJ. Pode, a partir de agora, aceder sem qualquer tipo de restrição à internet. Foi ele o criador do Football Leaks que denunciou vários crimes na área do futebol, e fonte do Luandaleaks.

  • Rui Pinto libertado (e com acesso à internet)

    Football Leaks

    O alegado hacker, criador da plataforma "Football Leaks" e também responsável pelos "Luanda Leaks", irá sair da casa da PJ onde estava em prisão domiciliária. A colaboração com a Justiça e os elogios dos diretores do DCIAP e da PJ foram decisivas. Rui Pinto está acusado de 90 crimes e vai aguardar julgamento em liberdade, devendo-se apresentar periodicamente às autoridades. E com acesso à internet. O MP voltou a opôr-se à sua libertação.