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Aníbal Pinto: "Desmontei a acusação ponto por ponto"

"Só lamento ter sido alvo de uma armadilha. Não sou um criminoso", afirmou Aníbal Pinto, em declarações ao Expresso, depois de sair do tribunal

Miguel Prado

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O advogado Aníbal Pinto, que é arguido no processo em que Rui Pinto está acusado de 90 crimes, considera ter rebatido totalmente os pontos da acusação que lhe dizem respeito, imputando-lhe a co-autoria de uma tentativa de extorsão à Doyen em outubro de 2015.

"Desmontei a acusação ponto por ponto. Agora estou à disposição do tribunal. Só lamento ter sido alvo de uma armadilha. Não sou um criminoso", afirmou Aníbal Pinto em declarações ao Expresso já após a conclusão do primeiro dia do julgamento, em Lisboa.

Aníbal Pinto começou a prestar declarações aos juízes ao final da manhã, depois de Rui Pinto ler uma declaração inicial sobre o processo. A intervenção de Aníbal Pinto prosseguiu depois de almoço e até às 17h30, com o advogado e arguido a contestar vários pontos da acusação, culpando o Ministério Público por esconder emails e conversas que lhe seriam favoráveis e prejudicariam a tese do MP.

Ao longo da sua intervenção Aníbal Pinto foi sendo questionado pelo coletivo de juízes sobre os acontecimentos de outubro e novembro de 2015 ligados à tentativa de extorsão da Doyen.

Aníbal Pinto considera, em declarações ao Expresso, que "o coletivo esteve muito atento" e não tem nenhum reparo a fazer à forma como conduziram os trabalhos.

Aníbal Pinto regressará a tribunal a 17 de setembro para o depoimento do inspetor da Polícia Judiciária José Amador. Que é um de seis inspetores que a defesa do advogado arrolou como testemunhas neste julgamento.

Aníbal Pinto considera que o seu envolvimento na negociação de um acordo que seria vigiada pela PJ foi instigada pelo advogado Pedro Henriques, representante de Nélio Lucas, da Doyen, para tentar apanhá-lo em flagrante delito.

Aníbal Pinto reitera que nunca aceitou nem aceitaria dinheiro para denunciar o então seu cliente Rui Pinto e admite que aconselhou o autor de Football Leaks a abandonar conversações com Nélio Lucas e a desistir explicitamente e por escrito da proposta de uma contrapartida de meio milhão a um milhão de euros para deixar de publicar documentos da Doyen, por tal poder configurar uma tentativa de extorsão.

"Não houve extorsão nenhuma", realça Aníbal Pinto.